Eu poderia julgar a Cristina Buarque pela sua origem, como você faz
com a Maria Rita.

Eu sou louco sim. De perto ninguém é normal, não é mesmo? Mas achar
que a Cristina Canta mais do que a Maria Rita é uma indecência.

Em 18/09/07, Pedro Glovia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Com a palavra, Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4.
>
>  A mãe-do-ouro do samba
>
> Aquiles Rique Reis
>
> Cristina Buarque é uma das maiores personalidades do samba carioca. Sem 
> precisar de grandes esforços, ela tem no sangue o ritmo que marca a música 
> brasileira e dá a ela o título de a melhor do mundo, haja vista tanta 
> diversidade, tamanha criatividade.
>
> Cristina Buarque é a mãe-do-ouro (ente fantástico que, reza a superstição 
> popular, guarda as minas de ouro) do samba, sempre disponível para gabar os 
> dotes do samba e dos sambistas que o criam. Mãe nem sempre afeita a dar 
> atenção desmesurada a seus rebentos, posto que sua vida para ela merece igual 
> valor e cuidado. Mas, quando percebe que algum de seus filhos carece de zelo 
> e mimo, lá está ela de prontidão, a alma na palma da mão, o coração na ponta 
> do prato raspado a faca.
>
> Uma homenagem a Alvaiade, bamba portelense, estava sendo armada pelo grupo 
> paulistano Grêmio Recreativo Tradição e Pesquisa Morro das Pedras. E foi 
> assim, movida por esse instinto maternal, que Cristina se dispôs a pegar um 
> avião e rumar para São Paulo. Os meninos, todos amadores, tinham por hábito 
> cantar sambas de terreiro pouco conhecidos de grandes compositores que a 
> imensa maioria dos brasileiros desconhece.
>
> Cristina voltou maravilhada. Afinal, ouviu sambas que nunca ouvira, feitos 
> por gente de quem imaginava conhecer toda a produção. Tratou então de 
> espalhar a novidade que presenciara em uma roda de samba movida a paixão e 
> cerveja. Conhecedora como poucos dos segredos desses encontros, fossem eles 
> na ilha de Paquetá e, agora, no Tatuapé, Cristina teve a certeza de que o 
> samba mandava novamente lhe chamar.
>
> E lá foi ela para uma temporada de shows no Teatro Fecap, em São Paulo. E, 
> claro, levou com ela os meninos que descobrira serem capazes de rodar sambas 
> por mais de oito horas, sem repeti-los. Entretanto, o Grêmio Recreativo 
> mudara de nome, agora era Terreiro Grande. Quinze amadores em busca do prazer 
> de cantar e tocar sambas pouco conhecidos e nisso ter um enorme prazer. O 
> resultado deste encontro acaba de sair em um CD, Cristina Buarque Terreiro 
> Grande - Ao vivo (independente).
>
> Dividido em quatro grandes blocos de sambas, movidos a emoção, o coro come. 
> Cristina se reveza nos vocais com Tuco e Lelo, e também com todo o grupo. Das 
> 37 músicas selecionadas, ao menos 16 são obras-primas.
>
> O primeiro bloco, de sambas cadenciados, abre com "O Meu Nome Já Caiu no 
> Esquecimento", de Paulo da Portela, levado só no pandeiro que dá impulso à 
> voz de Cristina. Segue-se "Eu não Sou do Morro", de Francisco Santana, quando 
> entra o pandeiro que leva o samba até entregar a levada ao ritmo inteiro. E o 
> bloco se encerra com Manacéa e seu antológico "Quantas Lágrimas", dos poucos 
> sambas conhecidos do disco.
>
> O segundo tem "O Mundo É Assim", samba de versos inspirados escritos por 
> Alvaiade: "O dia se renova todo dia/ E eu envelheço cada dia e cada mês/ O 
> mundo passa por mim todos os dias/ Enquanto eu passo pelo mundo uma vez". E 
> vem um dos maiores sambas de todos os tempos, cantado por Tuco, "Jura", de Zé 
> da Zilda. O terceiro começa com belos sambas lentos: "Inspiração" (Candeia), 
> numa emocionada interpretação de Cristina, "Banco de Réu" (Alvaiade e Djalma 
> Mafra), "Você Chorou" (Brancura), e fecha com "Sentimento", belo samba de 
> Mijinha, sucesso na voz de Paulinho da Viola.
>
> O último bloco, composto por sambas um pouco mais acelerados, acaba com três 
> de autoria do "professor" Paulo da Portela - não à toa ele abre e fecha o CD 
> -, que são "Teste ao Samba", "Tu me Desprezas" e "Cantar Pra Não Chorar".
>
> No irrepreensível CD Cristina Buarque e Terreiro Grande - Ao vivo, os sambas 
> se entremeiam, enredam-se. Amadrinhados por Cristina Buarque, reverenciados 
> pelo Terreiro Grande, nele o centro é o sambista quase sempre anônimo, sempre 
> querido por seus pares, mas adorado apenas por quem tem o privilégio de ter 
> acesso a seu trabalho.
>
> Fonte: 
> http://www.gazetadigital.com.br/colunistas.php?key=Aquiles+Rique+Reis&codcaderno=17&GED=5807&GEDDATA=2007-09-17
>
> Fico aqui pensando: Será que a Cristina é uma artista difícil(a obviedade 
> apontada por Eugênio)? Será que o Aquiles é louco? Ou será que eu estou 
> sonhando?
>
> Abraços
>
> _______________________________________________
> Para CANCELAR sua assinatura:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
> Para ASSINAR esta lista:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
> Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
>        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
>
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a