Música

Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_116.htm



Sopro harmonioso

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio



Paulo Moura se desdobra em vários. Multiinstrumentista de sopro, arranjador, maestro e compositor, esse paulista, radicado no Rio de Janeiro desde a década de 1940, sempre manteve proximidade com o samba, o choro e o jazz. Embora seu nome não se ligasse à bossa nova, ele estava ao lado de Tom Jobim e de Sérgio Mendes no lendário show no Carnegie Hall, em Nova York, promovido em 1962 para divulgar o estilo musical que acabaria assimilado pelo público norte-americano.

O virtuosismo de Paulo Moura começou a ser descoberto quando ele gravou, no clarinete, Moto perpétuo, de Niccoló Paganini; e ao tocar sob a regência de Leonard Bernstein, na Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio. Ganhou notoriedade também ao criar arranjos para O menino das laranjas, canção de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri então interpretada por Elis Regina, o que contribuiu para o lançamento da cantora. No Golden Room do Copacabana Palace, ele ainda acompanhou Ella Fitzgerald e Nat King Cole. Sem falar da estreita ligação que mantém com a cultura carioca do subúrbio, representada pela gafieira e pelos ritmos afro-brasileiros.

Com vasta obra discográfica, iniciada em 1956 com o LP Paulo Moura e sua orquestra para bailes, o músico lançou três álbuns, pela gravadora Equipe, que são marcantes em sua trajetória: Hepteto (1968), Quarteto (1969) e Fibra (1971). Agora, esses títulos são relançados (com a capa original do LP) graças à parceria da gravadora Atração com a produtora Brazil Música, inaugurando a Coleção galeria – CD vira arte. A contracapa de cada disco traz impressos recortes de quadros do artista plástico Gilvan Samico.

Foi com surpresa que Paulo Moura soube do interesse da Atração em relançar esses trabalhos. “São discos que, voltando a ouvir agora, remasterizados, sinto que têm qualidade. Mesmo gravados há 40 anos, trazem uma sonoridade atual”, avalia. “Eles foram feitos numa época em que a música instrumental, embora bem aceita em night clubs e boates do Rio de Janeiro e de São Paulo, não tinha vez nas gravadoras. Felizmente, na Equipe havia um diretor, o Osvaldo Cadoxo, que apreciava meu trabalho e decidiu gravar os discos.”

Os álbuns

Quando lançou Hepteto, o saxofonista se apresentava na companhia de um grupo de músicos de primeiro time, entre os quais Wagner Tiso (piano), Luís Alves (baixo), Pascoal Meireles (bateria) e Oberan Magalhães (sax). “Criei um repertório com base no que tocávamos. Algumas dessas músicas eram de um amigo do Wagner, então pouco conhecido, um certo Milton Nascimento”, brinca. Ele se refere a Três Pontas, A sede do peixe e Travessia, canções que se juntam a clássicos bossa-novistas como Bonita e Wave, ente outras.

Gravado logo em seguida, Quarteto reuniu, ao lado de Paulo Moura, Wagner Tiso, Luís Alves e Pascoal Meireles. “Para esse LP, foi mais fácil fazer os arranjos, pois era um disco de quarteto. Dividi o trabalho com o Wagner”, lembra. Entre as canções gravadas, estão Feitio de oração (Noel Rosa), Ao pé da cruz (Marino Pinto), Eu e a brisa (Johnny Alf) e Sá Marina (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar).

Fibra traz na contracapa a silhueta de Paulo Moura pintada por Samico, à qual ele juntou a palavra que dá título ao disco. Na gravação, o homenageado pelo projeto teve a companhia de Wagner Tiso, Robertinho Silva e Márcio Montarroyos. “Voltamos a gravar Milton Nascimento, de quem escolhemos Vera Cruz e Cravo e canela, além da faixa Bitucadas nº 2. Incluímos também General da banda, sucesso de Blecaute, e Samba de Orfeu, da trilha do filme Orfeu do carnaval.”

Som de Caymmi

Da discografia de Paulo Moura constam álbuns em homenagem a Noel Rosa, Sinhô, Ernesto Nazareth, Ary Barroso, Radamés Gnattali e Tom Jobim. Em 1991, ele focou a obra de Dorival Caymmi, de quem era admirador. “Curioso é que só fui conhecer Caymmi quando éramos conselheiros do Prêmio Sharp de Música e participamos de algumas reuniões. Descobri uma pessoa simples, de fácil convívio, com quem gostava de bater papo”, elogia.

Ao decidir gravar canções do patriarca da música baiana, o instrumentista optou por aquelas que, na releitura, pediam um som percussivo, movido a atabaques. “Quis fazer um disco percussivo afro-carioca, e as composições do notável baiano me permitiram isso.” Na formação de Ociladocê, grupo que gravou o álbum com Paulo Moura, destaca-se a percussão de Carlos Negreiros (que cuida dos tambores do jongo e dos terreiros de candomblé), Jovi (agogô, cuíca e tamborim) e Marcos Suzano e seu pandeiro afropop. A eles se juntaram o guitarrista Paulo Muylaert, o tecladista Alex Meirelles e baixista Fernando Feijão.

Pérolas lapidadas por “buda nagô” (como Caymmi foi chamado por Gilberto Gil), como Só louco, Doralice, Marina, Dora, O mar, Noite de temporal, Oração a Mãe Menininha e História de pescadores, compõem o repertório do sofisticado Paulo Moura e Ociladocê – O som de Dorival Caymmi, outro álbum de carreira de Paulo Moura que ganha relançamento, só que pela Biscoito Fino.


COLEÇÃO GALERIA - CD VIRA ARTE
Três discos do multiinstrumentista Paulo Moura: Hepteto, Quarteto e Fibra. Relançamento: gravadora Atração. Preço médio: R$ 26,90 (cada).

PAULO MOURA E OCILADOCÊ - O SOM DE DORIVAL CAYMMI
Álbum do músico e do grupo com releitura de canções do compositor baiano. Relançamento: Biscoito Fino. Preço médio: R$ 26.

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