Poema de Paulo César Pinheiro. Está no livro Atabaques, Violas e Bambus.
Mas já virou canção! Alicate mandou chumbo!

Terreiro Grande
(Wilson Moreira/Paulo César Pinheiro)


Terreiro grande,
Terreiro, quintal de fazenda,
Fazenda de gado e moenda,
Engenho de cana caiana,
Mangueira velha
Que já foi tronco de cativeiro,
Sinhá quando varre o terreiro
Se lembra da terra africana.
O povo de Zâmbi dançava,
Depois da colheita da cana,
Pro santo que o branco mandava,
E Nanã virava Santana
No meio dessa dança escrava
Se via Sinhá de baiana
Com a vassoura de piaçava
Varrendo a vergonha africana
O povo de cor, na lavoura,
No pasto, senzala e choupana,
Abrandava a dor da salmoura
Em cada final de semana.
No meio da raça opressora
Se via Sinhá veterana
Varrendo com sua vassoura africana
O sangue da raça africana
O povo de Zâmbi, guerreiro,
Um dia rebentou, com gana,
A corrente do cativeiro,
Que nem fez com a palha da cana.
E durante esse dia inteiro
Se via sinhá soberana
Varrendo do pó do terreiro
A dor da nação africana.


P.S. Parece que a filha da Fafá gravou, estava inédita até então.

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