Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/


Caderno C


Jovens do DF se rendem ao samba


Além de ouvir e dançar a mais genuína música brasileira, nova geração faz bonito também nos palcos da cidade.



Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_86.htm


No pé e no gogó

Em alta novamente, o mais brasileiro dos gêneros musicais atrai jovens para palco e platéia das rodas de samba da cidade

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Kleber Lima/CB - 21/9/07

No Arena, músicos brasilienses comandam a Festa do Samba ao lado de Wilson das Neves


Breno Fortes/CB - 23/9/07

Na Acadêmicos da Asa Norte, domingo é dia de cantar e dançar


Breno Fortes/CB - 22/9/07

No Bar do Calaf, fila e roda de samba movimentam os sábados


Há três anos, aos sábados, a partir das 16h, uma extensa fila que começa na calçada dos prédios vizinhos aguarda o momento de entrar no Bar do Calaf e participar de um dos mais concorridos e animados programas do final de semana em Brasília: a roda de samba comandada pelo grupo Samba & Choro. Embora exista há mais tempo, foi em 2004 que os jovens a descobriram e passaram a ser maioria entre os freqüentadores.

Novamente vivendo grande momento em todo o país, o samba caiu definitivamente no gosto dos brasilienses das novas gerações. São pessoas que lotam platéias, mas também estão no palco – onde empunham, com segurança e competência, instrumentos que nada têm a ver com bandas de roqueiras, responsáveis, na década de 1980, por transformar a cidade na “capital do rock”.

Para muitos, essa nova onda tem a ver com a “redescoberta” do gênero brasileiríssimo por músicos e cantores que contribuíram para a revitalização da Lapa, bairro boêmio no Centro do Rio de Janeiro. “O Rio continua sendo uma vitrine para os artistas. O que ocorre ali repercute nacionalmente. E não foi diferente em relação a esse boom do samba, que começou com grupos como o Semente, liderado pela cantora Teresa Cristina”, analisa Valerinho, vocalista e cavaquinista do Samba & Choro.

Na visão de Virgílio Neto, 21 anos, estudante de design gráfico da Universidade Brasília e presença freqüente na Festa do Samba, às sextas-feiras, no Arena Futebol Clube, a influência do samba da Lapa não pode ser descartada, mas, para ele , há hoje aproximação maior entre o jovem e a cultura brasileira. “O samba é uma das partes mais bacanas da cultura popular. Há dois anos descobri Cartola e, de lá para cá, busco conhecer o trabalho de outros grandes compositores. Faço isso baixando música no computador”, comenta.

Virgílio, que virou fã de Chico Buarque, vê na obra do autor de Quem te viu, quem te vê “um universo muito rico”. Ele, que havia ido ao Arena assistir às apresentações da Orquestra Imperial e da cantora Mart’nália, foi também prestigiar o show que reuniu Max Sette e o veterano cantor e compositor Wilson das Neves, baterista da banda de Chico. “Com um mestre como Wilson das Neves, os novos músicos têm muito o que aprender”, concluiu.

Valorização
Líder do grupo que há seis meses comanda a roda de samba na Acadêmicos da Asa Norte, no começo da noite de domingo, Léo Benon acredita que esteja havendo maior valorização do samba “a partir da descoberta dos grandes mestres”. O músico, na faixa dos 20 anos, é professor de cavaquinho na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello.

Para ele, o Clube do Choro dá fundamental contribuição para a música popular brasileira na capital. “A partir dele, uma garotada anteriormente ligada a estilos que nada têm a ver com nossa cultura passou a perceber a força e a beleza do choro, do samba, do baião, do maracatu e de outros ritmos brasileiros. Muitos se matricularam na Escola de Choro para aprender a tocar violão, bandolim, cavaquinho, pandeiro, clarinete e outros instrumentos”, comemora. “Alguns põem em prática a aprendizagem, tocando em grupos”, acrescenta.

É o caso de Pedro, 22 anos, filho de Ricardo Vasconcellos, contrabaixista da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional e irmão de André, baixista do Quinteto Brasilianos, liderado por Hamilton de Holanda. Depois de passar pela Escola de Choro, Pedrinho (como é chamado pelos amigos) vem atuando em diferentes formações, entre as quais o AQuatro, que vai participar do Projeto Pixinguinha, e o grupo que comanda a Festa do Samba no Arena.

Há 15 dias, o cavaquinista e seus companheiros – Rafael dos Anjos (violão), Rafael Black (bateria), Kadu (percussão) e Esdras Nogueira (sax) – acompanharam o baterista Wilson das Neves. “É importante o intercâmbio com músicos de outras regiões, principalmente quando se trata de um mestre como este”, observa Pedrinho.

Quem igualmente reverencia o baterista é Breno Alves, 21 anos, que, como convidado, toca pandeiro no Samba & Choro. Desde a adolescência, ele ouve samba em casa. Já fez parte do grupo Goiabada Cascão e, assim como outros jovens de sua geração, vê em Cartola o “grande ícone do samba”. A admiração é tamanha que ele costuma ir ao Calaf com uma camiseta com a figura do genial sambista da Mangueira estampada no peito.

Breno escancara o sorriso ao falar que ganhou do Monarco o chapéu que usa em apresentações com a Velha Guarda da Portela. “Foi durante um show pelo projeto Gente do Samba em que, a convite do Samba & Choro, o acompanhei no Feitiço Mineiro. Me senti importante quando, ao colocar o chapéu na minha cabeça, ele disse que eu segurava a bandeira do samba”, conta.

Na platéia, Ana Beatriz Arruda, 19 anos, estudante de antropologia e freqüentadora do Arena; Túlio Canut, 24 anos, bancário e presença assídua no Bar do Calaf; e a enfermeira Zulmira Costa, que curte o pagode de mesa da Acadêmicos da Asa Norte, deixam rolar a alegria, embalados pelo ritmo contagiante do samba de raiz. São brasilienses de diferentes idades que sabem dizer, no pé e no gogó, o mais brasileiro dos gêneros musicais – outra vez vivendo um grande momento.


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Onde ouvir

Arena Futebol Clube
(Setor de Clubes Esportivos Sul). Festa do Samba, às sextas-feiras, às 23h. Ingressos: R$ 10.

Bar do Calaf
(Setor Bancário Sul, Ed. Empire Center, térreo). Roda de samba, hoje, a partir das 16h. Couvert artístico: R$ 15 (mulher) e R$ 25 (homem).

Acadêmicos da Asa Norte
(Setor de Clubes Esportivos Norte, depois do Minas Brasília Tênis Clube). Roda de samba, amanhã, a partir das 19h. Entrada franca.

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