Pois é, Rica camarada. Também não entendi o que disseram sobre rivalidade entre 
Vela e Terreiro Grande. Eu tenho vários amigos do Samba da Vela e vários amigos 
no Terreiro Grande e São Matheus e posso garantir que jamais ouvi sobre tal 
rivalidade, desrespeito ou coisa parecida. O samba que se faz em cada lugar 
citado é diferente mesmo, mas o respeito sempre existiu.Não vale discutir com 
quem abraça idéia captada sei lá onde, por não sei quem...

Quanto a madrinha do Terreiro Grande, olha, é uma pena a Cristina não querer 
amadrinhar todo mundo, seria ótimo. O trabalho do Terreiro junto com ela( quem 
tem o disco sabe) não se trata de um grupo acompanhando ninguém(quem foi no 
show também sabe). Mas, eu tenho a impressão de que é inútil dizer isso aqui.
Eu, gostaria muito de fazer parte do Terreiro Grande, mas não tenho capacidade 
para tal.Não toco surdo com a leveza e sabedoria do Roberto, não toco pandeiro 
com a genialidade e técnica do Luiz, não arranho uma viola bacana como o 
Cardoso e nem verso  de improviso como o Careca, sem contar malandragem do 
Wilson Miséria, Bocão, Eri, Edinho, Tuco, Jorge, Lelo,Renato e Neco. 
Conhecendo-os, eu sei que não preciso de nenhum desses requisitos para adentrar 
ali. Desde que conheço esse pessoal, vejo eles abrirem espaço para pessoas que 
não tocam nada, mas que tem o samba no coração, porque tratam o samba como 
comunhão, como propagação de idéias, aprendizado de vida mesmo. Mas eu, com 
toda minha insignificância, não ouso por os pés dentro da roda. Prefiro ficar 
na platéia, valorizando esse trabalho que já levam mais de dez anos com 
humildade, respeito, amor e dedicação.Dedicando ao povo, todo o tempo que 
possuem para tentar passar um pouco do samba, do samba de terreiro que 
praticamen
 te morreu. Saudosistas? Atrasados? Nunca! Esse pessoal não acha que música boa 
tenha idade, que a evolução promovida pela mídia deva ser seguida às cegas. 
Eles fazem o samba com o qual se identificaram, com o qual aprenderam onde o 
lamento se perdeu e é esse samba, que eles dentro de seu direito humano de 
liberdade, escolheram para propagar.

Digno de respeito é o respeito que esses caras sempre tiveram pelo samba e pelo 
povo. Sempre se apresentando gratuitamente nas favelas, nas perifas onde 
"artistas renomados" não ousam pisar, sempre cedendo material gratuito às 
pessoas onde informação não chega, gravando discos, doando biografias, aulas de 
reforço escolar, lanche, capoeira, percusssão...tudo isso sem ajuda de nenhum 
órgão governamental, tudo do próprio bolso, da própria vontade.

E é o seguinte Edu, acho mesmo o samba do pessoal do Terreiro o melhor que 
existe hoje. É um direito meu achar, assim como é um direito seu achar que a 
Beth é a madrinha do samba.

Abraços

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