Fonte: http://entretenimento.globo.com/
24/10/2007 - 12h15 - Atualizado em 24/10/2007 - 16h10
Filho do saudoso João Nogueira, Diogo Nogueira traz frescor ao samba carioca
Aos 26 anos, cantor e compositor lança seu primeiro CDLigia Andrade
DO EGO, NO RIO
O samba está no sangue. Mas se dependesse de Diogo Nogueira, a música seria
apenas um hobby ou um passatempo em sua vida. O filho do saudoso João Nogueira,
que morreu em 2000, sonhava em ser jogador de futebol. Chegou a ser
profissionalizar. Porém, em 2003, uma lesão - até hoje não curada - no joelho
acabou com o sonho do rapaz, na época com 23 anos. “Enquanto isso, eu recebia
convites para cantar, ganhava um ‘pixulé’... e comecei a gostar. Decidi agarrar
de vez”, conta ele, em entrevista exclusiva ao EGO.
Desde pequeno, o carioca, hoje com 26 anos, freqüentava as tradicionais rodas
de samba da cidade e chegou a se apresentar em vários shows pelo país ao lado
do pai. A primeira canja, Diogo lembra bem. “Era molecote, tinha 13 anos, meu
pai me cutucou e disse: ‘Canta aí’(risos).”
Três anos depois da lesão que o tirou dos gramados, Diogo Nogueira vai lançar
no dia 27 de novembro, no Canecão (Rio de Janeiro), seus primeiros CD e DVD,
gravados ao vivo no palco do Teatro João Caetano, no Rio. No repertório,
clássicos de João Nogueira e Baden Powell, como “Espelho” e “Violão Vadio”,
respectivamente, além de inéditas, como “Fé em Deus”.
Samba de Diogo venceu a disputa de samba-enredo na Portela CARNAVAL
Portelense como o pai, Diogo conquistou pelo segundo ano consecutivo a disputa
do samba-enredo da azul e branca de Madureira. No carnaval 2008, a Portela virá
com o enredo “Reconstruindo a Natureza, Recriando a Vida: O Sonho Vira
Realidade”. “Faço meu trabalho com honestidade, muita gente fala um monte de
coisas sobre mim, mas não sabem quem eu sou de verdade.”
Diogo, que é pai de Davi, de um ano e sete meses (do casamento com Milene Vaça,
com quem está casado há três anos), fez no domingo, 21, mais uma homenagem ao
pai: uma tatuagem do rosto dele, a cifra da música "Poder da Criação" e a
assinatura dele no braço esquerdo.
A lição que aprendeu com os ‘bambas’? Diogo segue o conselho direitinho: “Viva
a vida intensamente.”
ENTREVISTA
EGO - Foi no Teatro João Caetano que seu pai, João Nogueira, fez apresentações
memoráveis com o Projeto Seis e Meia. Por isso a escolha do local para a
gravação de seu primeiro trabalho?
Não poderia ser em outro lugar. A história do meu pai está ali, quando ele
começou a despontar no meio da música, como compositor e cantor. Naquele palco
tem muita energia, é um lugar especial.
EGO - Como foi a escolha do repertório?
Bem difícil. Eu e o Alceu Maia (Produtor do CD e DVD) selecionamos mais de 500
sambas. E em dois meses pesquisamos e escolhemos músicas de compositores
desconhecidos, clássicos... foi um trabalho árduo.
EGO - Qual foi o momento mais emocionante do show para você?
O show todo (risos). Primeiro filho, primeiro trabalho... cantei com verdade.
Mas me emocionei mesmo no final, quando eu canto o samba da Portela, foi quando
a ficha caiu e aí não deu para segurar a emoção.
EGO - O show ainda conta com a participação do rapper Marcelo D2 – fã declarado
de seu pai -, e de Marcel Powell (filho de Baden Powell)...
D2 é um amigo, sempre homenageou meu pai em seus discos. Me identifico com essa
mistura de samba, hip hop, partido alto... Eu quis fazer também uma homenagem
ao Baden, porque meu pai acordava de madrugada, meio ‘alto’, e ia para casa
dele e dizia que queria vê-lo tocar. E conheço o Marcel desde pequeno, é um
musicista de alta qualidade, tinha tudo a ver com o show.
EGO - Esse é o terceiro ano que você participa da escolha do samba da Portela,
e o segundo ano consecutivo que você ganha...
É uma alegria ser campeão duas vezes do samba de uma das maiores escolas do
Brasil, que já ganhou 21 campeonatos. Tivemos um mês para fazer o samba (Diogo
compôs o samba junto com Celsinho Andrade, Ciraninho, Junior Escafura e Ari do
Cavaco). Meu pai chegou a colocar samba na final, mas não foi campeão. E Eu
dedico esse samba a ele. Faço meu trabalho com honestidade, muita gente fala um
monte de coisas sobre mim, mas não sabem quem eu sou de verdade.
EGO - Você ainda vai compor o samba para o bloco “Rival sem Rival”, em
homenagem a Tia Surica. Já pensou em alguma coisa?
A Tia Surica é a pastora da Portela. Ela faz a melhor feijoada! Já estou
pensando como vai ser o samba, essa semana eu tenho que já ter alguma coisa
pronta. Mas já tenho o caminho para começar.
EGO - Em uma entrevista, sua mãe, Ângela Nogueira, disse que dos 11 aos 22 anos
você era dividido entre o futebol e ‘outras coisas’. Como foi essa época?
Queria ser jogador de futebol, lutei bastante. Aconteceram várias situações
complicadas, cheguei a ser profissional, mas lesionei o joelho - já tinha 23
anos -, e para o futebol, essa idade é mais do que velho. Então resolvi parar
para pensar no que eu ia fazer. E enquanto isso, eu recebia convites para
cantar, ganhava um ‘pixulé’... e comecei a gostar. Decidi agarrar de vez.
EGO - Você lembra da primeira canja que deu com seu pai?
Foi em um show na Praça Mauro Duarte (em Botafogo) - um dos grandes
compositores de samba -, eu era molecote, tinha 13 anos, meu pai me cutucou e
disse: ‘Canta aí’, eu disse: ‘Cantar o quê?’ Então eu tive que cantar, né?
(risos).
EGO - Quando você percebeu essa semelhança no timbre de voz com a de seu pai?
Uma vez, quando estava cantando no banheiro, ele falou: ‘Você canta bem...’, eu
era garoto ainda. Sou um cantor de banheiro, adoro cantar embaixo do chuveiro.
EGO - Em algum momento você teve medo da comparação?
Não. Não, de jeito nenhum. Me orgulha muito, é uma herança dele.
EGO - Você foi criado nas principais rodas de sambas da cidade. Como foi esse
amadurecimento até o reconhecimento dos ‘bambas’?
Eu ainda estou em fase de amadurecimento. Estou na estrada só há três anos.
Ainda tenho muito o que aprender, ainda não estou perfeito. Sou autocrítico
demais comigo.
EGO - O que você aprendeu com seu pai e com esses feras da música?
Viva a vida intensamente.
EGO - Você é pai do Davi, de um ano e sete meses. Como é o Diogo pai? O que
mudou na sua vida?
Babo, adoro ficar com ele, o sorriso dele é a coisa mais linda desse mundo. Com
o nascimento dele, eu mudei a maneira de lidar com as pessoas, antes, era um
moleque. Agora não sou mais.
EGO - Você fez três tatuagens em homenagem ao seu pai...
Fiz no domingo, 21, o rosto dele, a cifra da música ‘Poder da Criação’ e a
assinatura dele (no braço esquerdo). Mas ainda não terminei.
EGO - Para você, o samba é...
Minha vida, minha história, desde meu avô, João Nogueira. É um filme isso.
Desta fonte sempre beberei.
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