Oi, turma:


Só quem já teve a oportunidade de ver o Zé Menezes tocar ao vivo é que sabe a 
energia de menino que ele tem mesmo tendo passado dos 80 anos. É algo 
impressionante! Salve Zé Menezes, como ele mesmo diz, "enrolado nas cordas!!!


Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)



Fonte: http://www.brazilianvoice.com/mostracolunas.php?colunista=Aquiles%20Reis



Um menino renovador


Por: Aquiles Rique Reis


José Menezes de França é compositor, arranjador e toca qualquer instru­mento 
que tenha cordas para dedilhar. E as tange com tal intimidade que as faz soar 
como num sussurro de agradecimento aos dedos que delas tiram sonoridades 
fantásticas. Ele é pouco conhecido do grande público – nada a estranhar num 
país que costuma reservar seus aplausos mais intensos e calorosos aos que 
compõem e cantam –, mas guitarra, violões de seis e de sete cordas, violão 
tenor, bandolim, banjo e cavaquinho estão para ele como para ele perfeitamente 
está o ofício de arranjador. Zé Menezes, aos 86 anos, é referência de músico 
múltiplo. Inquieto, na busca de música que ressoe a sua genialidade, os setenta 
anos que tem de carreira o traduzem e destacam. 

Neste CD (independente, com apoio da Petrobras) Zé Menezes / Autoral – Gafieira 
Carioca, segundo de uma série que contempla a sua obra, estão 14 músicas 
interpretadas ao sabor das grandes orquestras que animam os salões onde se 
dança e se ouve música da melhor qualidade. 

Apoiado por um naipe de sopros que tem como base a flauta e os saxes soprano e 
alto de Daniela Spielmann, o sax tenor e a flauta de Zé Carlos Bigorna, o 
trompete e o flugelhorn de Vander Nascimento e o trombone de Sérgio de Jesus, 
Zé Menezes demonstra que seu forte não é só o dedilhar das cordas de diversos 
instrumentos – ou ao menos não é apenas ali que reside sua maior competência 
como músico. Seus arranjos soam magicamente através dos sopros desses 
virtuosos, a quem, ao longo do álbum, ainda se juntam Carlos Malta, com flauta 
e pífano, e Vander Nascimento, com trompete e flugelhorn. Zé Menezes 
arregimentou ainda Nicolas Krassik, violino, Lê Matos, cavaquinho, Marcelo 
Caldi, acordeom e piano, e Marcello Gonçalves, violão de sete cordas. 

Mas é graças a uma cozinha irrepreensível, integrada pela bateria de Fernando 
Pereira, pelo baixo de Luís Louchard e pela percussão de Beto Cazes, que tudo 
se sustenta e brilha. A segurança e o suingue que essas três feras transmitem 
ao arranjador e, por conseqüência, aos demais instrumentistas da orquestra, 
permitem que Zé Menezes / Autoral – Gafieira Carioca seja um dos melhores 
discos instrumentais lançados recentemente.
O disco começa com “Gafieira no Bronx”, de Zé Menezes – com exceção de quatro 
músicas feitas em parceria com Luiz Bittencourt, todas as outras faixas do 
repertório do CD são de sua autoria –, quando desponta a força do naipe de 
sopros que dá de bandeja ao piano a condução da linha melódica. Este a devolve 
para o solo de trompete. Segue-se “Uma Noite na Lapa”, com belos solos de 
piano, trombone e sax, e “Bossa Nova Nº 1”, na qual, mais uma vez, o saxofone 
tem evidência. 

Interessante é notar que, nessas três músicas iniciais, Zé Menezes se reserva o 
segundo plano, como se para fazer brilhar primeiro seus companheiros de viagem 
musical. Consegue. E com isso, genial que é, dá o sinal de que sua verve de 
arranjador está ainda mais afiada que nunca.

Mas se ele estava se preservando para as faixas seguintes, sua força não tarda 
a surgir. “Encabulado”, um de seus choros famosos, tem no desenho criado por 
sua guitarra a marca de virtuoso que não nega fogo. E logo vêm “Gafieirando”, 
na qual sua guitarra se integra ao piano de Marcelo Caldi (e os dois conseguem 
ser tão dançantes quanto jazzísticos); “Dani no Frevo”, em que brilha o violão 
tenor do mestre; “Comigo É Assim”, quando ele junta a sonoridade de seu violão 
tenor à da guitarra, e “Nova Ilusão”, quando se vale de duas guitarras para 
brilhantemente frasear. 

Tudo junto no mesmo compasso da modernidade que se vale da habilidade de 
criação do músico brasileiro, aqui personalizado pelo talento ilimitado desse 
menino de quase 90 anos que toca como quem brinca, enquanto cria a melhor e 
mais diversificada música do mundo.

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