Buarque da Viola

Já tratei aqui do encontro de Jovelina Pérola Negra e Clementina de
Jesus. Volto aqui para tratar de mais um encontro. Não se trata de uma
homenagem como a que Pérola fez para a Rainha Quelé, mas da junção de
dois representativos sambistas em uma única canção: Paulinho da Viola
e Chico Buarque de Hollanda.

A música é "Buarque da Viola", de Zorba Devagar e o astuto Chico
Alves, vocalista do excelente grupo Unha de Gato, originário de
Niterói (RJ). Ela foi composta apenas com títulos de músicas de
Paulinho e Chico, fazendo jus à obra dos dois gênios.

"Buarque da Viola" indica o grau de influência de ambos sobre variadas
gerações de sambistas, já que Chico Alves e Zorba têm uma diferença
considerável de idade. A letra segue abaixo. Não vamos tirar o prazer
do leitor de adivinhar os títulos de músicas citados.

Ouçam no nosso player do blog "Buarque da Viola".

Zorba faz parte da geração de compositores de Botafogo, como Walter
Alfaiate, Elton Medeiros, Mauro Duarte e o próprio Paulinho, que
gravou quatro músicas dele: "Coração oprimido" (com Walter Nunes),
"Que trabalho é esse?" (com Micau), "Ainda que tarde" (com Paulo
George) e a famosa "E a vida continua" (com Madeira).

Hoje, Zorba reside no Engenho do Mato, em Niterói, onde ainda
freqüenta algumas rodas de samba e compõe.

Já Chico chama-se Ilton Alves. Como não tenho certeza do porque do
"Chico", não vou "caguetar" errado. Oriundo do Espírito Santo, não só
canta, como compõe muito bem, inclusive com Ivor Lancelloti e outras
com Zorba. Funcionário do Terminal Menezes Cortes, fica aqui a dica:
se o busão demorar, grita "Chico!" e põe na conta dele.

Buarque da viola
(Chico e Zorba Devagar)

Hoje o samba saiu para ver as meninas
Esbarrou com a Rita no pagode do Vavá
Encontrou a Rosa com seu novo amor
Viu dona Santina com o Juca
Traindo seu Antenor

Hoje o samba saiu procurando argumento
Pro meu desalento, mas cadê a razão?!
Trocando em miúdos é um caso perdido
Um choro bandido onde a dor não tem razão

Hoje o samba saiu roendo as unhas
Procurando a banda, mas tudo se transformou
Os anos dourados de samba e amor
Tenho o pressentimento
Que a rosa dos ventos carregou

Hoje o samba saiu com tanta saudade
Pelas ruas da cidade puxando um cordão
Já pelas tabelas cantando o refrão
Pode guardar as panelas
Que hoje foi um dia de cão

POR THALES RAMOS

Link do artigo: http://osamba.net/
(lá você pode ouvir o demo dos compositores)
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