Manifesto de fundação do GRAN Quilombo 

 
Estou chegando...
Venho com fé. Respeito mitos e tradições. Trago um canto negro. Busco a 
liberdade. Não admito moldes.
As forças contrárias são muitas. Não faz mal... Meus pés estão no chão. Tenho 
certeza da vitória.
Minhas portas estão abertas. Entre com cuidado. Aqui, todos podem colaborar. 
Ninguém pode imperar.
Teorias, deixo de lado. Dou vazão à riqueza de um mundo ideal. A sabedoria é 
meu sustentáculo. O amor é meu princípio. A imaginação é minha bandeira.
Não sou radical. Pretendo, apenas, salvaguardar o que resta de uma cultura. 
Gritarei bem alto explicando um sistema que cala vozes importantes e permite 
que outras totalmente alheias falem quando bem entendem. Sou franco-atirador. 
Não almejo glórias. Faço questão de não virar academia. Tampouco palácio. Não 
atribua a meu nome o desgastado sufixo – ao. Nada de forjadas e malfeitas 
especulações literárias. Deixo os complexos temas à observação dos verdadeiros 
intelectuais. Eu sou povo. Basta de complicações. Extraio o belo das coisas 
simples que me seduzem.
Quero sair pelas ruas dos subúrbios com minhas baianas rendadas sambando sem 
parar. Com minha comissão de frente digna de respeito. Intimamente ligado às 
minhas origens.
Artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamentos culturais, 
profissionais: não me incomodem, por favor.
Sintetizo um mundo mágico.
Estou chegando...

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