Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_106.htm




MÚSICA


Um Grammy insosso


Numa premiação de baixa qualidade e atenta apenas a modismos, poucos 
brasileiros se destacam. O principal, Caetano Veloso, por Cê


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Se o Grammy americano já é aquilo, imagine o latino. A festa de entrega dos 
prêmios da oitava edição, anteontem, foi, como se previa, um show de cafonice. 
Não é à toa que a cidade escolhida foi Las Vegas. Se a cerimônia em si é 
absolutamente sem graça, mas risível, na transmissão pela TV Bandeirantes ficou 
pior, com comentários – dignos de José Wilker na entrega do Oscar, ou seja, pra 
lá de redundantes – da jornalista Mariana Ferrão, do cantor Paulo Ricardo e do 
produtor musical Guto Graça Mello. 

Pois então, aos vencedores as batatas. Caetano Veloso levou dois prêmios, na 
categoria de álbum de “cantautor”, concorrendo com o uruguaio Jorge Drexler e o 
cubano Silvio Rodriguez, entre outros, e melhor canção brasileira (Não me 
arrependo), ambos pelo bom Cê. 

A maioria dos brasileiros premiados não apareceu para pegar o troféu, com 
exceção de Daniela Mercury (melhor álbum de música regional ou de raízes 
brasileiras por Balé mulato ao vivo) e Aline Barros (pelo CD Caminho de 
milagres, na categoria música cristã em língua portuguesa). Bonita num vestidão 
branco, Daniela foi bem recebida pela platéia. Ela é uma das que levam a sério 
o prêmio e aproveitou para reivindicar maior presença de latino-americanos no 
palco da festa do primo rico, o Grammy ianque. Depois, voltou para dar seu 
show, num vestido vermelho mais adequado à bizarrice geral. Aline foi bem de 
acordo, de verde: parecia ter saído de uma peça infantil ecológica. 

Além de Caetano e Aline, houve apenas mais um vencedor brasileiro fora do eixo 
nacional. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob regência do 
maestro John Neschling, levou o prêmio de melhor álbum de música clássica, pelo 
CD Beethoven – Abertura consagração da casa – Sinfonia nº 6, empatando com La 
canción romántica española, da cantora Montserrat Caballé. 

É claro que a música brasileira produziu muita coisa melhor do que aquilo que 
entrou na concorrência. Mas, ao Grammy latino, como ao norte-americano, não 
interessa o teor artístico, e sim a popularidade que vende (embora não venda 
tanto atualmente), modismos. O problema é que os resultados ressaltam para o 
mercado externo uma impressão equivocada do país. 

Com exceção do bom Cê, de Caetano, entre os contemplados brasileiros deu a 
mesmice comodista dos discos ao vivo e/ou recheados de velharias. Três saíram 
do famigerado projeto Acústico MTV: Lenine (na categoria de pop contemporâneo 
brasileiro), Lobão (rock) e Zeca Pagodinho (samba/ pagode). Os demais foram Ao 
vivo de César Camargo Mariano e Leny Andrade (categoria música popular 
brasileira), Eternamente Cauby Peixoto – 55 anos de carreira (música 
romântica). 

Ricky Martin x Chico 

Só não dá mais vergonha porque a concorrência não era das melhores. Indicado em 
quatro categorias pelo álbum Unplugged MTV (a praga é planetária), o 
porto-riquenho Ricky Martin levou em duas: álbum pop vocal masculino e vídeo 
musical versão longa, ao qual concorria Chico Buarque pela ótima série de 
Roberto de Oliveira. 

Os grandes vencedores foram o dominicano Juan Luis Guerra e seu grupo 440, cujo 
CD La llave de mi corazón e a canção-título levaram todos os prêmios aos quais 
concorriam: álbum do ano, gravação do ano, canção do ano, álbum de merengue, 
canção tropical e engenharia de gravação. Perdida no meio de 49 categorias, a 
maioria de pífio significado, surge uma ou outra coisa boa, como Me llaman 
calle, de Manu Chao, a melhor faixa do novo álbum, Radiolina, que levou o 
Grammy de canção alternativa. 
 



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