Extraído do aderno SUPER, do Jornal Correio Braziliense, de sábado 
(01.12.2007). O Caderno SUPER é dreicionado às crianças:


Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/super!/sup_sup_37.htm



Deu samba!

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Ana Paula Corradini
Especial para o Correio 

Dizem que “quem não gosta de samba bom sujeito não é: é ruim da cabeça ou 
doente do pé!” Não corra risco. Conheça tudo sobre esse ritmo e seus principais 
representantes antes de cair no “miudinho” 
 

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Samba na pracinha

Quando a gente pensa em samba, logo lembra de carnaval e... do Rio de Janeiro, 
claro. Pois foi lá mesmo que ele nasceu: na Praça Onze, onde os negros baianos 
do bairro da Saúde e os ex-escravos dos morros se encontravam para tocar 
marchinhas de carnaval e também o maxixe, em 1916. O samba apareceu como uma 
mistura das boas de ritmos brasileiros e africanos de nomes engraçados, como as 
umbigadas (ou semba), as pernadas de capoeira, o marcado no pandeiro, o 
prato-e-faca e o “na palma da mão” — esse, todo mundo conhece. E logo fez o 
maior sucesso, se tornando o grande concorrente das marchinhas de Carnaval. O 
primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo telefone, de 1917, na voz de Bahiano. 
A música é do sambista Donga e do jornalista Mauro de Almeida. Amanhã é 
comemorado o Dia do samba. 

“O chefe da folia pelo telefone manda me avisar Que com alegria não se 
questione para se brincar” 
(Pelo telefone) 
 

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Adoniran Barbosa (1910-1982) 

Dizem que “São Paulo é o túmulo do samba”, mas não com este sambista paulista 
de primeira na história. Filho de imigrantes italianos, seu verdadeiro nome era 
João Rubinato, e além de compositor, foi carregador de vagões, entregador de 
marmitas, varredor, tecelão, pintor, encanador, serralheiro, garçom, 
metalúrgico e — ufa! — vendedor. Seus sambas ficaram famosos nas vozes do grupo 
Demônios da Garoa, como Trem das onze, Saudosa maloca, Tiro ao Álvaro e As 
mariposa, entre outros. 

“Não posso ficar nem mais um minuto com você 
Sinto muito amor, mas não pode ser 
Moro em Jaçanã 
Seu perder esse trem, que sai agora às onze horas, só amanhã de manhã...” 
(Trem das Onze) 
 

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Cartola (1908-1980) 

O cantor, compositor e poeta carioca Agenor de Oliveira, mais conhecido como 
Cartola, era um dos sambistas da velha guarda da Mangueira — aliás, você sabia 
que foi ele quem escolheu o nome e as cores dessa escola de samba? Entre suas 
composições mais famosas, estão As Rosas não falam, O Mundo é um moinho, 
Ensaboa mulata e Preciso me encontrar. 

“Ensaboa mulata, ensaboa 
Ensaboa 
Tô ensaboando 
Tô lavando a minha roupa ...” 
(Ensaboa mulata) 
 

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Assis Valente (1911-1958) 

O coitadinho desse baiano foi roubado dos pais quando tinha 10 anos, e vivia 
como um escravo com os pais “adotivos”. Ele estudava à noite e também foi 
trabalhar num circo, onde era comediante. Assis acabou indo para o Rio de 
Janeiro trabalhar como protético (aquele cara que faz dentaduras) e escreveu 
seu primeiro samba, Tem francesa no morro. Pouca gente sabe, mas uma musiquinha 
superfamosa de Natal também é dele: 

“Papai Noel, vê se você tem 
A felicidade pra você me dar 
Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...” 
(Boas festas) 
 

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Noel Rosa (1919-1937) 

O carioca de Vila Isabel nasceu de um parto dificil: o médico teve que usar um 
instrumento chamado fórceps para tirá-lo da barriga da mãe e acabou afundando a 
mandíbula do coitadinho. Era por isso que ele tinha aquele queixo “pra dentro”. 
Mas isso não impedia Noel de levar uma vida de boêmio (como se chamavam as 
pessoas que adoravam uma balada naquela época) e compor sambas famosos até 
hoje, como Com que roupa? e Conversa de botequim. Ele também fazia serenatas 
com o conjunto Os Tangarás. 

“Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa 
Uma boa média que não seja requentada” 
(Conversa de botequim) 

 

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Pixinguinha (1897-1973) 

Alfredo da Rocha Vianna Filho compôs muitas músicas, tocou flauta e saxofone 
como ninguém e foi maestro e arranjador. Quando ele era criança, sua avó o 
chamava de pizindim, que quer dizer “menino bom” numa língua africana. Um dia, 
ele acordou com o rosto coberto de bixiguinhas, umas bolinhas causadas pela 
varíola. Aí, foi só misturar bixiguinha com pizindim e ele ganhou o apelido de 
Pixinguinha. Seu pai era flautista e sua casa estava sempre cheia de músicos. 
Pixinguinha é autor de sambas como Carinhoso, Um a zero e Auto-retrato. Também 
participou de um conjunto de choro chamado Oito Batutas. 

“Meu coração/ não sei por que 
Bate feliz quando te vêêê...” 
(Carinhoso) 



 

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Para o dono da Aquarela 

O Dia Nacional do Samba foi inventado por um vereador baiano, Luis Monteiro da 
Costa, na década de 40, em homenagem a um visitante muito especial: o 
compositor Ary Barroso. Foi ele quem escreveu a música Aquarela do Brasil: 
“Brasil / Meu Brasil brasileiro / Meu mulato inzoneiro/ Vou cantar-te nos meus 
veeersos...” Ele já tinha composto Na baixa do sapateiro, que fala sobre a 
Bahia, mas nunca tinha colocado os pés na terrinha. E foi no dia 2 de dezembro 
que ele visitou Salvador pela primeira vez. 
 

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As “vozes” do samba 

Conheça os principais instrumentos para cair na folia 

Pandeiro — Este instrumento de percussão era usado pelos árabes na Idade Média 
também, e depois em Portugal e na Espanha para fazer aquela batucada em 
cerimônias religiosas. Aliás, o pandeiro veio para o Brasil com os portugueses. 

Cavaquinho — Essa “miniatura” de violão, mas com quatro cordas, veio de 
Portugal , onde era chamado de “braguinha”, e chegou ao Brasil no século 17. 

Cuíca — O ronquinho desse instrumento vem de uma haste de madeira que fica lá 
dentro, e que faz esse barulho quando é esfregada com um pano molhado. A cuíca 
é muito parecido com a puíta, que existe em Angola e no Congo, na África. 

Reco-reco — Pode ser feito de madeira, bambu ou metal, e produz som por 
“raspagem”: a gente passa um pauzinho sobre os talhos do reco-reco e faz aquele 
barulhinho de “reco-reco-reco-reco”. 

Tamborim — Ele também veio da África e parece um pandeiro menorzinho, que a 
gente toca com uma vareta. Dizem que o melhor tamborim é coberto com couro de 
gato. Deve ser por isso que os bichanos não gostam muito de carnaval... 

Fonte: Livro-CD Histórias da música popular brasileira para crianças, de Simone 
Cit, editado pelo projeto Natura Musical. 
 



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