Matéria do Irlam Rocha Lima,  jornal Correio Braziliense de hoje, abaixo 
transcrita,  trata de três temas:
- o homenageado do Clube do Choro de Brasília em 2008, Tom Jobim;
- os shows de encerramento da temporada do Clube do Choro de Brasília em 2007, 
hoje (quarta), quinta, sexta e sábado; as atrações são os 300 alunos da Escola 
de Choro Raphael Rabelo, comandada pelo sete cordas Fernando César;
- e do filme "Casa do Tom – Mundo, monde, mondo" de Ana Jobim,  e "que conta a 
história de amor de Antonio Carlos Brasileiro Jobim com a música, a família e a 
natureza".
Caio Tiburcio

Casa de Tom

No cinqüentenário da bossa nova, em 2008, Clube do Choro prepara programação 
para saudar o maestro Jobim




Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Para os estudiosos da música popular brasileira, Chega de saudade, a 
canção-símbolo da bossa nova, tem estrutura harmônica que se assemelha à do 
chorinho. Autor do clássico, juntamente com Vinicius de Moraes, Tom Jobim era 
um aficionado dos choros compostos por Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Radamés 
Gnattali, Garoto, K-Ximbinho e Zé Menezes. Na vasta obra do maestro soberano, 
não faltam composições do gênero, a exemplo de Garoto (feita em homenagem ao 
violonista Aníbal Sardinha), Meu amigo Radamés, Radamés y Pelé (todos temas 
instrumentais) e a bela Falando de amor, em que trecho da letra diz: “Chega 
perto, vem sem medo/Chega mais meu coração/Vem ouvir esse segredo/Escondido num 
choro canção..”

Razões, portanto, não faltam para que, em 2008, Tom seja o grande homenageado 
do Clube do Choro. “Esse tributo era para ter sido feito em projetos 
anteriores. Mas será oportuno que ocorra no próximo ano, para que possamos 
participar de forma carinhosa da celebração do cinqüentenário da bossa nova, 
movimento renovador da MPB, que teve em Tom um dos pilares”, justifica Henrique 
Santos Filho, o Reco do Bandolim, presidente da entidade.

Sem esconder o entusiasmo e a ansiedade, Reco fez um contato inicial com Paulo 
Jobim, filho do compositor, para acertar a participação dele no show de 
abertura, no começo de março. “Pretendo ir ao Rio de Janeiro para nova conversa 
com o Paulinho. Gostaria que ele fizesse sugestão de nomes de músicos e grupos 
que possam vir se apresentar no Clube do Choro”, adianta.

A temporada de 2007, durante a qual se comemorou os 30 anos do Clube do Choro, 
chegará ao final nesta semana. De hoje a sábado, série de shows vai reunir 
parte dos 300 alunos da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. “O público 
assistirá a performances de duos, trios, quartetos, conjuntos regionais. São 
formações diversas, com a presença de novos talentos, lapidados na escola”, 
exalta Fernando César Holanda.

Fernando destaca, por exemplo, o grupo Sai da Frente, formado pelo bandolinista 
Vitor Angelis, o violonista Vinicius Viana e pandeirista Eduardo Viegas. 
“Eduardo e Vinicius são monitores da escola. Na ausência dos professores, eles 
assumem o comando da classe”. Nos shows, haverá a participação, pela primeira 
vez, de alunos de gaita cromática, percussão e viola caipira, disciplinas 
incorporadas ao currículo neste ano. “A percussão e a viola caipira não são 
instrumentos típicos do choro, mas com a inserção delas no rol dos cursos, 
estamos quebrando rótulos e mostrando que há uma abertura total na Escola de 
Choro”, afirma o diretor.

O ano foi vitorioso para o Clube do Choro. Desde março, foram apresentados 
espetáculos, com a participação de músicos como o contrabaixista Arthur Maia, o 
cantor e compositor Jards Macalé e o grupo Galo Preto.“Entre as conquistas, 
podemos destacar a parceria firmada com a Universidade de Brasília (UnB) para 
levar a música popular à academia. Em contrapartida, contamos com professores 
da instituição na criação do centro de referência do choro”, comemora o 
presidente. “O clube foi distinguido com o Prêmio de Ordem ao Mérito Cultural, 
concedido pelo Ministério da Cultura. Da Secretaria de Cultura, recebemos a 
indicação como Patrimônio Imaterial do Distrito Federal. Com o apoio do 
Itamaraty e da Embratur, levarmos o trabalho dos nossos músicos a outros 
países.”


CLUBE DO CHORO – 30 ANOS
Encerramento do projeto com apresentação de grupos formados por alunos da 
Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, de hoje a sábado, às 21h30. Acesso: 
doação de dois quilos de alimentos não perecíveis.




160 shows foram realizados, em 2007, no Clube do Choro

120 apresentações integraram o projeto Clube do Choro – 30 Anos

222 instrumentistas da cidade

80 músicos convidados

39 mil pessoas passaram pelos shows, com maior lotação na apresentação do 
cantor, compositor e violonista Moraes Moreira




Intimidade do mito

A casa do Tom – Mundo, monde, mondo. Esse é o filme de Ana Jobim, que conta a 
história de amor de Antonio Carlos Brasileiro Jobim com a música, a família e a 
natureza. Realizado em Nova York, Rio de Janeiro e no sítio em Poço Fundo, na 
Serra Fluminense, o DVD acaba de ser lançado pela Jobim Music em parceria com a 
gravadora Biscoito Fino.

O filme mostra a intimidade do compositor e pianista com os filhos, o 
nascimento de importantes composições, saraus caseiros, encontro com amigos e 
até mesmo um inusitado Tom de pijamas em “expedição” na Mata Atlântica. 
Acompanha o DVD um livreto, com histórias e letras das músicas, fotos, diálogos 
do filme, além do poema Chapadão, que demorou oito anos para ser concluído.

Ensaio poético, o livro que lançou em parceria com o marido em 1987, foi a 
fonte de inspiração de Ana Jobim para fazer o filme. Ela pensou num vídeo que 
pudesse ser exibido em diversos monitores, enquanto durasse a exposição de 
fotografias do livro. Convocou o primo e documentarista Luiz Eduardo Lerina, 
contratou uma equipe (composta por cinegrafista e sonoplasta) e saiu em campo. 
Tudo foi feito de maneira livre.

Tom abordava os temas que tinha vontade, e ela seguia a intuição, filmando-o na 
casa em que construíam no bairro do Jardim Botânico, no Rio, no sítio da 
família e em Nova York. O material resultou em oito horas de gravação. Guardado 
há exatos 20 anos, o filme sempre era alvo de cobiça alheia. De vez em quando, 
Ana se via às voltas com o pedido de alguma televisão que desejava exibir uma 
imagem ou trechos do trabalho. “Quando alguém visita a intimidade de um grande 
artista, possivelmente sente diminuir a distância entre ele e o mito. Para mim, 
é o contrário. A distância aumenta e me dá mais consciência do mito”, afirma 
Ana Jobim.


A CASA DO TOM – MUNDO, MONDE, MONDO
Filme em DVD de Ana Jobim. Lançamento: Jobim Music e Biscoito Fino. R$ 52.90. A 
venda no site www.biscoitofino.com.br.


http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_52.htm
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