O assunto é deveras interessante...

Paulinho da Viola é, por essência, um artista popular. O Domingão do
Faustão é também um programa popular. Ambos tem algumas décadas de
estrada. Não acho que o Faustão seja um enganador, embora eu não
assista seus programas. Mesmo porque, devo confessar, na hora em que
ele é exibido eu ainda não terminei minha última cerveja dominical.

Eu fico me perguntando, por qual motivo um artista popular devesse
recusar o convite de se apresentar em um programa popular. Seria uma
atitude nefelibata, esnobe e preconceituosa. Como foi preconceituoso
afirmar que os habitués do programa tem uma preferência pelo Calypso.
Isso é o generalismo insano, como diria Hannah Arendt, a base da
discriminação. Eu não olho pra essa gente da platéia do faustão como
um bando de inferiores massificados pela mídia. Será que são mesmo o
"gado" vaquejado pela indústria cultural? Eu tenho muitos motivos para
afirmar que, em geral, não são não!

Além do mais, já pude apurar, Paulinho não é estreante no programa. Já
é a 4ª vez que se apresenta. Duvido que Paulinho tenha, de fato,
ficado assim tão constrangido. Paulinho é elegante e equilibrado.
Creio que se sente até mais à vontade entre as cafonas dançarinas
globais, a gente simples daquela platéia, do que entre mauricinhos que
pagam valores acima de 3 dígitos pelos seus shows num Tom Brasil ou
outros "sei Lá o Que Halls".

Isso, na minha opinião, é segregar o artista e a arte. Tirá-lo do
contato com o povo. É uma negativa da cultura para que aquele que não
tem TV a cabo, não tem 300 reais para ir a um show dele ou não tem 30
ou 50 pratas para comprar o Cd ou o DVD fique alijado da cultura
daquele artista.

Subestimar a forma como o povo gosta de tomar contato com a cultura é
lástimável.

Estou enojado com a maneira com a qual alguns aqui observam - de cima
- o quanto são superiores culturalmente e o quanto desprezam aquilo
que consideram a "cafonice" da massa ignara. A análise que vocês
fizeram do programa e - principalmente - daqueles que asistem o
programa é uma prova latente de como parte da elite despreza, ignora e
se envergonha daqueles que consideram a ralé, o povão.

Lamentável esse tipo de coisa...





Em 17/12/07, Clarimundo Flôres<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> O esquema MTV Acústico cobra seu preço além da conta. Paulinho sabia disso e 
> aceitou as imposições para poder ter acesso a espaços que, naturalmente, 
> nunca foram seus. A aparição dele no Faustão tem mais a ver com a MTV do que 
> com o cantor. Ele não dá audiência, que é disputada, principalmente no 
> domingo, de forma brutal. O preço por aquele espaço é altíssimo. O espaço 
> para música, independente da qualidade, na Tv aberta é péssimo, não há 
> ambientação, os músicos são escondidos e as condições são péssimas. No caso 
> do Paulinho, a coisa fica ainda mais à mostra. Não dá para fazer música com 
> aquelas luz intensa em cima de alguém, com o apresentador gritando na 
> execução da canção, com a platéia dispersa, com aquelas dançarinas cafonas, 
> com aquelas celebridades solicitando músicas decoradas, com aquele 
> ar-condicionado fortíssimo desafinando os instrumentos a cada segundo, 
> enfim....
>  Paulinho pagou o preço do acordo. O trabalho está ótimo, mas as 
> conseqüências......
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