Jornal O DIA
Artigo: As surpresas da apuração Luis Carlos Magalhães analisa resultado do Carnaval de 2008, celebra o êxito das escolas de Madureira e critica o 'massacre' com a Mangueira Luis Carlos Magalhães (Colunista do Dia na Folia) Ao desligar a televisão após a apuração do carnaval julguei que o resultado havia consagrado a Beija Flor como a única e absoluta vencedora: puro engano! Logo encontrei no Metrô um amigo salgueirense pra lá de feliz da vida: _ Pô, quase que deu... amanhã vamos comemorar lá no bar do Botija depois das seis, aparece lá... A alegria era tanta que seu não estivesse saindo da apuração estaria achando que o Salgueiro era a campeã. Vida que segue... À noite toca o telefone: _ Rapá,que reação hein? Passamos todo mundo e ficamos em terceiro, arrebentamos... A mesma alegria encontrei logo depois no primeiro portelense que encontrei: _ Vai lá? Madureira vai explodir hoje. Império e Portela festejando juntas. Já pensou? Não, não pensei, não! Não pensei mas fiquei tentando me lembrar. Império e Portela comemorando juntas? Como é que pode ter acontecido isto antes? Ou era uma ou era a outra que vencia, uma só comemorava, claro. Desta vez era diferente, Império e Portela comemoravam, no coração de Madureira, na capital do samba, suas duas vitórias no carnaval que a Beija Flor acabava de vencer de forma incontestável Ao voltar para casa peguei um táxi com motorista portodapedrense (é isso?). Ao descer encontrei meu vizinho que é Mocidade doente. Ambos, o motorista e o vizinho, estavam felicíssimos com o resultado. Fui dormir achando muito estranhos esses carnavais de hoje em dia. No meu tempo não era assim, não. Acreditem jovens leitores. O vencedor era único e absoluto. Aquela escola que derrrotava todas as demais e tirava o primeiro lugar. Vocês podem até não acreditar, mas assim é que era. Mas isto já faz muito tempo. Agora é como se o desfile tivesse vários sub-grupos. Poucas escolas, hoje, têm patronos como a Beija Flor, a Grande Rio e outras. Outras não têm patronos mas têm patrocínios empresariais fixos durante todo o ano, como a Mangueira tem ou tinha. Algumas não têm nem uma coisa nem outra mais conseguem patrocínios eventuais em um ou outro ano, como foi o caso da Mangueira com Recife. Outras têm bilheterias muito rentáveis como Salgueiro, Mangueira etc.. Há escolas sem absolutamente nada. Sem patrono, sem patrocínio, sem bilheteria e sem patrocinadores eventuais. Há outras que têm tudo e mais alguma coisa. A LIESA, a TV, patrono, patrocínio, bilheteria e, digamos, amigos. Essa variedade de condição financeira certamente explica em parte essa variedade de reações dos sambistas em relação às colocações de suas escolas. A condição da Beija-Flor também ajuda a explicar mais um pouco esse quadro pós apuração. Sabemos que a escola alcançou tal estágio de competência que tudo que ela precisa para vencer é que as outras cometam erros. Assim vemos hoje que há mais de uma, mais de duas, mais de três...muitas vencedoras no mesmo carnaval. O conceito de vencer passou a ser relativo em função da condição de cada uma escola. Uma vitória para um salgueirense aqui, outra para um portelense ali, até para um portodapedrense de lá, por que não? A vitória mais importante, a principal, a que deve ser considerada é a vencedora-que-venceu-mesmo. Se a escola é daquelas que têm tudo, patrono, patrocínio privado, público, bilheteria e, digamos, amigos tem que tirar até terceiro lugar, senão é derrota. Se for a primeira-depois-da-Beija-Flor, aí é vitória. Pode ir pra quadra comemorar. A vitória será maior se a escola for a primeira-depois-da-Beija-Flor sem ter patrono nem patrocínio. Daí a euforia salgueirense, não é Tavinho, não é Eduardo? A outra vitória é a presença conquistada no sábado das campeãs. Sobretudo se a escola está há tanto tempo sem ser convidada para a festa. Não é Cláudio Cruz, não é Monte? Há uma outra, não menos comemorada, que ocorre quando uma escola longe de seus melhores dias se vê alvo dos corneteiros que a apontam como a bola da vez para cair, que devem a todo o mundo e tal. Quando uma escola dessa tira sétimo ou oitavo...caramba, encomenda até chopp. Mesmo que isto se dê com uma escola que tenha feito um belíssimo desfile, como aconteceu com a Mocidade. Não é assim, Gil ? Não podemos esquecer a vitória da consolação. Se dá quando uma escola que está no cai-não-cai e acaba não caindo, tal como vem ocorrendo com a brava Porto da Pedra durante esses últimos anos. Não esqueçamos igualmente da vitória que ocorre quando a escola vem do acesso A, sobe para o Especial, é considerada a candidata a iô-iô da vez e consegue ficar em penúltimo e permanecer no grupo. Aí é festa geral. Quanto a essas últimas, acho que já é hora de dar a elas uma condição mínima de possibilidade de luta pela permanência. De minha parte, acho que deveria caber a elas escolher, depois da campeã, o dia e hora de seu desfile. Ficaria, junto com a campeã, fora do sorteio. Uma coisa é a escola veterana iniciar o desfile, outra é uma recém chegada, cheia de dificuldades, passar por esse aperto. No mais, a alegria por Madureira voltar a sorrir, pelo menos um pouco, e a volta do Império. VALEU SERRINHA. E A TRISTEZA DE VER A MANGUEIRA EM SEU PIOR RESULTADO DE SUA GLORIOSA HISTÓRIA, PENÚLTIMO LUGAR. ATÉ ACEITO NÃO DAR 10 PRO SAMBA POR SUA ORIGEM, MAS MASSACRAR A MANGUEIRA, NÃO! _________________________________________________________________ Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver offline. 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