Jornal Tribuna da Imprensa (Online)
Fonte: http://www.tribuna.inf.br/bis.asp?bis=ponto O samba no túnel do tempo "Aula de samba" - Vários/ Muito bom Pedro Henrique Neves Ainda na ressaca pós-carnavalesca, chega às lojas este interessante projeto de Mart'nália, que reúne releituras de uma pequena antologia de sambas-enredo clássicos, do período entre 1949 e 1976. Antes de tudo, "Aula de samba" é uma idéia bem-executada, da seleção do repertório - misturando obviedades e sambas pouquíssimo lembrados - à escalação dos "professores", que vão do contido Chico Buarque à explosiva Leci Brandão, passando por Maria Rita, Emilio Santiago, Zélia Duncan e Alcione. A seleção de músicas abrange uma época em que o gênero estava se firmando e, para se diferenciar dos ranchos, os sambas de enredo começaram a falar da história brasileira e de heróis nacionais. O ouvinte de hoje deve desconsiderar o conteúdo das letras, didáticas e um tanto românticas ao falar de nosso passado - algumas, inclusive, com erros históricos. Mesmo assim, a poesia é delicada e a as finas melodias conseguem abrigar versos tão literais como "No ano de 1883/ no dia 19 de abril/ nascia Getúlio Dorneles Vargas/ que mais tarde seria o governo do nosso Brasil" ("O grande presidente", de Padeirinho, da Mangueira). A produção destaca os intérpretes e aposta em um instrumental despojado, que valoriza a riqueza melódica e o andamento mais lento das composições. Com isso, algumas faixas acabam perdendo a cara de samba-enredo, para o mal - caso de Maria Rita, que canta "Heróis da liberdade" de forma apagada - ou para o bem, como na delicada faixa em que Toni Garrido homenageia Dona Ivone Lara, em dueto amoroso e delicado que relembra "Os cinco bailes tradicionais na história do Rio", samba que levou o Império Serrano ao vice-campeonato de 1965. Intérpretes mais acostumados à praia do samba-enredo, a ótima Leci Brandão, Emilio Santiago e Alcione levam a melhor com as respectivas interpretações de "Dona Beija, feiticeira de Araxá" (Salgueiro, 1968), "Sublime pergaminho" (Unidos de Lucas, 1968) e "O grande presidente" (Mangueira, 1956). Paulinho Moska prova que pode ir muito além do pop que apresenta em seus discos de autor e dá conta do recado em "O dia do fico" (Beija-flor, 1962). Chico Buarque abre o disco com a releitura de "Exaltação a Tiradentes" (Império Serrano, 1949), como se estivesse cantando um de seus sambas, em tom mais lento. Já Simone canta em descompasso com o instrumental mais acelerado de "Aquarela brasileira", o belo, porém batido hino do Império Serrano de 1964. Zélia Duncan ainda revive "Benfeitores do universo", obscuro samba da Cartolinha de Caxias, uma das agremiações que deram origem à Grande Rio. "Aula de samba" é um interessante registro e eficaz instrumento para que a atual geração conheça o passado de um gênero musical que vive em evolução constante, assim como todos os outros. Sem saudosismo, o trabalho apresenta - sem cair na armadilha de dar uma "nova" roupagem - os sambas de categorias relidos por intérpretes que nem sempre conseguem embarcar completamente nesta saborosa viagem no tempo. "Bossa project" - Bettina e Eddy Marcos/ Regular A dupla Bettina (voz) e Eddy Marcos (violão, arranjos e regência) provam que o poder da Bossa Nova é interminável e a onda de reler músicas com o clima Bossa-lounge está longe de acabar. "Bossa project" se apropria de alguns elementos do gênero - a batida e a atmosfera cool - e recicla uma série de sucessos, em repertório que beira o clichê, com direito a obviedades como "How deep is your love", dos Bee Gees, "Cry me a river", "I've got you under my skin" e, inclusive, "Per amore", a cafona canção eternizada por Zizi Possi. Com poucos bons momentos, o trabalho cai no equívoco de pasteurizar todas as gravações, com arranjos sem imaginação e que acabam revelando a insegurança da cantora. "Um pouco de morro outro tanto cidade sim" - Ângela Evans/ Muito bom O disco de estréia da cantora Angela Evans é uma boa surpresa. Mineira, ela demonstra intimidade não somente com o samba, mas com o universo e a ambientação sambista. Ainda que "Um pouco de morro outro tanto cidade sim" (Biscoito fino) já deixe explícito em seu título que não se trata de um álbum "de raiz", mas uma leitura delicada do repertório formado por canções de uma seleta lista de bambas (Wilson Moreira, Nei Lopes, Cláudio Jorge, Padeirinho e Jorginho Peçanha, Luiz Carlos da Vila, Paulo César Pinheiro). Ângela suaviza os tons das músicas com instrumental simples, que destaca a melodia de pérolas como "Estrela guia" e "Sete saias", parcerias de Wilson Moreira e Nei Lopes. [EMAIL PROTECTED] _________________________________________________________________ Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver offline. Conheça o MSN Mobile! http://mobile.live.com/signup/signup2.aspx?lc=pt-br_______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
