Defender genuinidade e raizes em arte é ingenuidade. Tudo veio; ou foi inspirado; ou é linha evolutiva de alguma outra coisa. Seja choro, seja samba, seja jazz, seja erudito e etc. E graças a Deus que seja assim!!!... Senão, seria uma monotonia de dar dó (com trocadilho e tudo). O que deve ser defendido sim é a expressão do belo na arte. Defender no sentido de fazer chegar ao ignorante (aquele que ignora, que não conhece) uma outra face daquilo que ele conhece, no caso, outro tipo de música. Eu tive uma experiência que me foi muito enriquecedora quando fiz uma encenação com a música "Modinha", do Sergio Bethencourt (aquela cujos versos iniciais são: "Olha a rosa na janela ", etc) numa escola do Municipio do Rio de Janeiro. A garotada lá só escutava funk o dia inteiro nos walkman (ainda não havia mp-3). No inicio eles zombaram um bocado da música. Mas, depois, aos poucos começaram a gostar daquela coisa romântica que tem a canção e fizeram no fim o trabalho com bastante seriedade. Isso aconteceu próximo ao dia dos namorados. E daí que a letra da canção circulou adoidado nos bilhetinhos de azaração. Eles não conheciam a música, esse era o problema.
Henrique Silva > Sem contar a "moça do créu", a "anã do funk", o (a) "Lacraia", o "Bola de > Fogo", a "Atoladinha" e outros quejandos. :-) Um festival de bizarrices!!! > > > Sonia Palhares (BsB-DF) > > > > Date: Wed, 5 Mar 2008 01:42:14 -0300 > > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina) > > From: [EMAIL PROTECTED] > > To: [EMAIL PROTECTED] > > CC: [EMAIL PROTECTED]; [email protected] > > > > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande > > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk > > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele, realmente, > > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a ser > > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem atenção > > veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele jongo de levada > > mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do funk são as > > letras e os temas recorrentes. > > > > Henrique Silva > >> Carol: > > > >> > >> > >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67: > >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho trágico o > >> negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar colono da > >> música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a atacar: "(...) > >> o problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser colono do > >> negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito limitada, > >> musicalmente paupérrima." > >> > >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles e nós > >> consumimos aqui e ainda rimos. > >> > >> > >> Sonia Palhares (BsB-DF) > >> > >> > >> ---------------------------------------- > >>> Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300 > >>> From: [EMAIL PROTECTED] > >>> To: [EMAIL PROTECTED] > >>> Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina) > >>> CC: [email protected] > >>> > >>> Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a grande > >>> graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. Não > >>> falo > >>> do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas quando > >>> vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que acordar, > >>> aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk como > >>> música > >>> de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a gente > >>> faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que > >>> Portugal > >>> desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas então > >>> o > >>> que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza dos > >>> bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, aqui tudo > >>> surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade de > >>> olhar > >>> o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se diferenciou da > >>> polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk americano. > >>> Afinal > >>> de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte alguma do > >>> mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do que for, > >>> de > >>> um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é cultural, ou > >>> seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os > >>> argentinos > >>> tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao samba novos > >>> significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música de > >>> colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de "genuinamente" é > >>> papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. Essas > >>> escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram consigo > >>> disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas. > >>> Provavelmente > >>> muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado. Desconsiderar o > >>> poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas quantas > >>> vezes > >>> se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha pouca > >>> meu > >>> pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, porque uma > >>> hora os outros somos nós! > >>> > >>> Gente não é briga tá. Só um ponto de vista. > >>> > >>> Ao debate!!! > >>> > >>> -- > >>> Carol. > >>> _______________________________________________ > >>> Para CANCELAR sua assinatura: > >>> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > >>> Para ASSINAR esta lista: > >>> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > >>> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > >>> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > >> > >> _________________________________________________________________ > >> Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver > >> offline. 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