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Os fãs de Tereza Cristina, que não são poucos, têm razão pra comemorar.
Sempre com o grupo Semente, que a acompanha (ou do qual faz parte) há anos,
ela retoma no último disco (Delicada, 2007, EMI) a mescla de sambas novos,
releituras de clássicos e um clima de refinamento sambístico que dá
continuidade ao seu trabalho mais autoral, "A Vida Me Fez Assim", de 2004.

Depois da homenagem a Paulinho da Viola, que embora bem sucedida
comercialmente foi um retrocesso na carreira (Paulinho precisa ser
resgatado? Ora!), a cantora se apruma e retoma a linha que cultiva desde o
início nos palcos da Lapa, há dez anos. Não vai atrás de novidades pop, não
tenta alterar o samba tanto assim, mas arrisca gêneros próximos, refina suas
qualidades e abre espaço para os músicos. Há uma faixa instrumental (o belo
choro-maxixe João Teimoso) e as vozes de Pedro Miranda (Quebranto) e
Trambique (Jura).

A parceria com Argemiro Patrocínio (Fim de Romance) demonstra a naturalidade
com que a cantora dialoga com o samba de fina estirpe da velha guarda. Da
Portela, no caso. Esta é a praia onde brilha com desenvoltura, mas também é
bom ouvi-la interpretando João do Vale (Pé do Lageiro) ou Carrinho de Linha
(do baiano Walter Queiroz), acompanhada por uma sanfona bem tocada, ou ainda
a faixa título, Delicada, uma quase bossa (Teresa Cristina/ Zé Renato). Até
Gema, de Caetano, soa bem mais uma vez.

Estranho é ver a cantora na contramão de toda a safra de independentes,
assinando com uma multinacional. Se boa parte das queixas de "falta de
liberdade" estiverem certas, Teresa terá problemas. Mas se este contrato lhe
abrir portas, a Lapa carioca poderá apostar na carreira internacional de sua
estrela. Perdas e ganhos só serão devidamente contabilizados daqui a algum
tempo.

Por enquanto, podemos nos deliciar com a voz quente e cada vez mais madura
da cantora, que se completa com a excelência do grupo Semente. "Delicada" é
disco de grandes interpretações, onde o talento indiscutível de Teresa
Cristina areja e perpetua o samba clássico, trazendo-o para a trilha sonora
de nosso tempo sem a poeira do saudosismo.

Fonte: Revista Música Brasileira
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