A flor de lótus, linda!, nasce no lôdo. O antídoto que cura picada venenosa é 
tirado do próprio veneno. Zilhões de obras de artes são feitas de lixo 
reciclado. E porque não poderá, um dia, nascer do funk carioca, que hoje até já 
tem batida de jongo, alguma coisa interessante?!... Torno á dizer o choro, o 
samba ( que nós gostamos e praticamos) e qualquer outro gênero, não nasceram 
prontos, todos passaram  por um longo processo de lapidação. Daí que qualquer 
artista genial, que sempre existe e sempre existirá, mesmo no meio dos 
engolidores de lixo, engolirá o tal lixo e vomitará pérolas. Quanto a isso, meu 
caro Caio, não tenha dúvida,acontecera. A história da humanidade, como um todo, 
está povoada desses exemplos. E a história do Brasil, particularmente falando,  
também. E só se ter olhos e ouvidos de ver e ouvir a vida historicamente.

Henrique Silva
> ----- Original Message -----
> From: "Caio Pontual"
> To: "henriqsilva"
> Sent: Thursday, March 06, 2008 3:23 PM
> Subject: Re: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
>
>
> > Se o Funk Carioca é algo antropofágico, eu pergunto, quem engole e digere
> > lixo, vai produzir o que ?
> > Caio Pontual.
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: "henriqsilva"
> > To: "soniapalhares"
> > Cc: "carolina.ga" ; "tribuna"
> >
> > Sent: Wednesday, March 05, 2008 1:42 AM
> > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> >
> >
> > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande 
> > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk
> > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele, realmente,
> > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a ser
> > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem
> > atenção veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele jongo de
> > levada mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do funk são
> > as letras e os temas recorrentes.
> >
> > Henrique Silva
> >> Carol:
> >
> >>
> >>
> >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67:
> >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho trágico
> >> o negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar colono
> >> da música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a atacar:
> >> "(...) o problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser colono
> >> do negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito
> >> limitada, musicalmente paupérrima."
> >>
> >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles e
> >> nós consumimos aqui e ainda rimos.
> >>
> >>
> >> Sonia Palhares (BsB-DF)
> >>
> >>
> >> ----------------------------------------
> >> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> >> > From: [EMAIL PROTECTED]
> >> > To: [EMAIL PROTECTED]
> >> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> >> > CC: [email protected]
> >> >
> >> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a grande
> >> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. Não
> >> > falo
> >> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas
> >> > quando
> >> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que 
> >> > acordar,
> >> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk como
> >> > música
> >> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a
> >> > gente
> >> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que
> >> > Portugal
> >> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas
> >> > então o
> >> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza dos
> >> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, aqui
> >> > tudo
> >> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade de
> >> > olhar
> >> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se diferenciou da
> >> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk americano.
> >> > Afinal
> >> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte alguma do
> >> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do que
> >> > for, de
> >> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é cultural,
> >> > ou
> >> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os
> >> > argentinos
> >> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao samba
> >> > novos
> >> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música de
> >> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de
> >> > "genuinamente" é
> >> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. Essas
> >> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram
> >> > consigo
> >> > disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas.
> >> > Provavelmente
> >> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado.
> >> > Desconsiderar o
> >> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas quantas
> >> > vezes
> >> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha pouca
> >> > meu
> >> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, porque
> >> > uma
> >> > hora os outros somos nós!
> >> >
> >> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> >> >
> >> > Ao debate!!!
> >> >
> >> > --
> >> > Carol.
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