Não entendi a relação entre o texto, e o que foi por mim afirmado..... quem 
absorve lixo (cultural) não pode digerir e gerar nada melhor ..... se alguem 
discorda me dê exemplos ...

Abs.
Caio Pontual

PS. Essa afirmativa no texto de que minha cidade era a QUARTA pior cidade do 
mundo é uma inverdade deslavada.... quem tem autoridade para fazer essa 
afirmativa ?????????
  ----- Original Message ----- 
  From: vini correia 
  To: henriqsilva 
  Cc: caioapf ; tribuna 
  Sent: Thursday, March 06, 2008 7:22 PM
  Subject: quem engole e digere lixo, vai produzir o que ?



  A Ciência de Chico

  Por Vini Correia




   Fundador da Nação Zumbi e do movimento Mangue Beat, Chico Science contribuiu 
muito para a valorização das raízes afro-brasileiras, especialmente ao resgatar 
tradições folclóricas do nordeste do país. Sintonizado entre a modernidade 
urbana e o arcaismo regional, seu estilo único de cantar se fez através de 
mensagens regadas por temas sociais: uma soma de cordéis, rap, e repentes (por 
que não rappentista?) em ritmo de um certo maracatu envenenado.

  Caranguejos com Cérebros

  Ao lado de seu companheiro de verbo e cachaça Fred 04 (da banda Mundo Livre 
S/A), Chico Science escreveu o manifesto Mangue Beat onde defendeu teorias 
sustentadas por cientistas sobre a importância dos estuários (manguezais), cujo 
ecossistema é considerado o mais produtivo do mundo. O mangue, segundo Fred: "É 
tido como símbolo de fertilidade, diversidade e riqueza".

  Com base neste conceito, o movimento MB desenvolveu seu próprio estilo 
fazendo arte e alertando o mundo sobre o caos onde Recife (a quarta pior cidade 
do mundo na época) se encontra atualmente. Foi quando a estética da lama 
conquistou seu merecido espaço. Muitas bandas locais, cada uma com sua 
autênticidade, também contribuiram para o fortalecimento deste novo cenário 
manguetown: Mestre Ambrósio, Otto, Cordel do Fogo Encantado, Mombojó, Mundo 
Livre S/A, além de diversas outras que aproveitaram a oportunidade para se 
agarrar às patas destes homens-caranguejos e arrumar um cantinho no concorrido 
caçuá da mídia.

  Chico Science, com muita criatividade, conseguiu aliar suas idéias ao som das 
guitarras psicodélicas de Lúcio Maia e dos baques nervosos de sua banda, Nação 
Zumbi, e fazer toda essa maluquice dar certo.

  As levadas orgânicas que mais remetem ao soul do James Brown, ao funk do 
Afrika Bambataa e ao afrobeat do nigeriano Fela Kuti foram antropofagicamente 
absorvidas pela energia do maracatu e de outros ritmos regionais, tais como o 
samba de roda, a embolada e o caboclinho. Elementos eletrônicos sofisticados 
também não ficaram de fora desta alquimia sonora. Enfim, uma fórmula suficiente 
para levitar cabeças pensantes e pés dançantes: "queremos diversão levado a 
sério", assim dizia o jovem Chico.

  Depois de muita poeira subir e de muita fumaça no ar, Chico fincou uma antena 
parabólica no meio da lama e do caos, e, com um satélite na cabeça, apresentou 
para o mundo afora a sórdida riqueza de Pernambuco - missão cumprida. Para 
alguns, um mito, para outros, apenas um malungo. Francisco de Assis, vulgo 
Chico Science, morreu num acidente de carro durante o silencioso carnaval de 
97, em Olinda. Salve Chico!

  "Um passo a frente e você não estará mais no mesmo lugar" Chico Science





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