Cultura


A Afro-brasileira da capital


Autor: Amanda Marinho


Cantora reúne em seu CD grande nomes, como Paulo César Pinheiro e Roque Ferreira


Representante da cultura afro-brasileira em Brasília, a cantora Renata Jambeiro 
lançou em dezembro de 2007 seu primeiro CD, intitulado Jambeiro. Com seis anos 
de carreira, ela encontra-se em fase de divulgação do lançamento desse 
trabalho, que foi dedicado ao samba de raiz, com músicas inéditas de Dona Ivone 
Lara, Bruno Castro, Eugênio Monteiro e algumas regravações de Paulo César 
Pinheiro, Roque Ferreira, Leandro Fregonesi e outros grandes compositores da 
MPB. Em entrevista exclusiva para a Tribuna do Brasil, a cantora falou sobre a 
vida, samba, o meio artístico brasiliense, coisas que gosta de fazer, 
dificuldades, comentou sobre o CD, show atuais e revelou seus planos futuros.


1 - O que te levou a começar a cantar?

 Já fazia teatro na Oficina dos Menestréis, desde os 16 anos, com aulas 
ministradas pelo Deto Montenegro, e participei de vários espetáculos de autoria 
do Oswaldo Montenegro. Dentro da estrutura dos musicais, onde se misturam 
canto, dança e representação, o canto me chamou a atenção pois já dançava desde 
pequena. Sempre montei musicais, e isso era o diferencial para mim, pois era 
uma atriz que cantava e por isso era convidada para participar. Dentro da 
Oficina conheci Cássia Portugal, cantora brasiliense veterana, e juntas 
montamos uma trupe chamada "Caras e Bocas", onde, nos shows de Cássia, me 
apresentava junto com outros colegas. Daí surgiu um convite de Paulinho 
Monteiro, e em seguida de Sônia Alves, para me apresentar cantando no Asterix e 
Feitiço Mineiro, respectivamente. E daí tudo começou profissionalmente na área 
da música.

2 - Quais são suas maiores influências musicais?

Primeiramente, minha família. Meu pai tinha sido músico profissional desde os 
14 anos, e minha mãe sempre cantou em corais, e sempre se dedicou à área 
artística de alguma forma, como hobby. Como minha família é muito agregadora, 
sempre recebemos em casa e fazíamos festas. De manhã, sempre acordávamos com 
música, geralmente samba. Meu pai é um grande amante do samba e da música 
brasileira em geral, e minha mãe, especificamente, muito fã do trabalho de 
Clara Nunes. Clara, por sua vez, e Daniela Mercury, se tornaram as minhas 
maiores influências de fato. Clara, por sua força de interpretação, e Daniela 
por ser multiartista.

3- Você já foi considerada como a maior representante da cultura 
afro-brasileira, no segmento artístico brasiliense. Como se sente cantando nas 
noites de Brasília e o que acha dos artistas brasilienses?

O fato de ser considerada representante da cultura afro-brasileira é fruto de 
trabalhos de pesquisa, onde procuro levar ao público a minha forma de ver a 
cultura afro-brasileira, que acredito, dessa forma, estar contribuindo para 
maior informação ao público e diminuindo, assim, qualquer tipo de preconceito 
relativo a esse segmento artístico. Sinto-me gratificada ao cantar nas noites 
brasilienses ao ver a receptividade do público ao meu trabalho, e acreditar 
que, de alguma forma, estarei colaborando para uma maior abertura do mercado de 
trabalho para os artistas da cidade. Aliás, falando em artistas da cidade, 
digo, com tranquilidade, que Brasília pode ser considerada, há tempos, um 
celeiro de grandes artistas, onde é difícil viver só de música, e ainda assim 
existe um movimento artístico muito forte, porque os artistas daqui não 
desistem, apesar da falta de verbas e do pouco auxílio governamental, e todas 
as outras dificuldades enfrentadas, tais como quebra de contrato, etc.


4 - Além de cantar, o que você gosta de fazer? Quem é a Renata fora dos palcos?

Dormir e comer! Mas, calma! Dormir bem, porque estou sempre numa agitação 
danada por causa da faculdade de Artes Cênicas da UnB, que tento conciliar com 
meu trabalho artístico. Comer e cuidar do corpo, não por vaidade, mas porque 
preciso estar sempre em forma para aguentar o batidão da rotina de ensaios, 
reuniões, projetos, apresentações, etc. Além de cantar, tenho aulas de dança, 
interpretação, canto e malhação na academia. Ufa! Fora dos palcos, a Renata 
Jambeiro tem um lado que poucos conhecem, que é cozinhar, escrever, ficar com a 
família e amigos sempre que possível, porque namorar, com esta rotina doida, já 
é mais difícil. Ô tristeza!


5- Está satisfeita com o trabalho do seu primeiro CD? Como foi o processo de 
gravação, seleção das músicas?

Estou muito satisfeita e feliz com o resultado do trabalho, primeiro porque foi 
feito com músicos de primeira linha, como Evandro Barcellos, Rafael dos Anjos e 
Valério Xavier, que assinaram os arranjos e a produção musical, e amigos que 
abraçaram a causa e fizeram com todo o carinho. Segundo, porque a receptividade 
a esse trabalho está sendo muito positiva, com  vendagem alta e boas portas se 
abrindo. Sobre o processo de gravação, demorou um ano e meio, desde a escolha 
das músicas até o lançamento propriamente dito, que foi em dezembro de 2007. 
Foi muito difícil escolher o repertório, pois misturei artistas brasilienses 
com os de outras localidades, e precisava chegar a uma uniformidade em relação 
ao que eu queria dizer com o disco. Não contei com nenhuma ajuda financeira 
oficial, mas no final tudo acabou dando certo, graças a Deus!


6- Quando vai se apresentar novamente? Como estão sendo os shows de lançamento 
do seu CD?

 Me apresento fixamente no Bar do Calaf aos sábados, onde revezo com outras 
duas cantoras e amigas, Ana Cristina e Dhy Ribeiro. Faço também outros 
trabalhos em diversas casas da cidade, como Feitiço Mineiro, Clube do Choro e 
Arena Futebol Clube, entre outros. Haverá uma noite de autógrafos do cd na 
discoteca 2001, com data ainda a ser definida, e outros shows referentes ao cd 
ainda virão.


7 - Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou nessa trajetória para se 
profissionalizar como cantora em Brasília?

 Produção. As pessoas ainda não têm o hábito de valorizar o artista daqui como 
valorizam o artista de fora, e mesmo vendo que isso está melhorando a cada dia, 
ainda é um caminho a ser trilhado.


8- O que você está ouvindo ultimamente?

 Meu pai me dando bronca porque não descanso o suficiente, e minha mãe porque 
tenho que estudar mais... Brincadeiras à parte, em casa escuto músicas calmas 
para relaxar. Para trabalhar, tenho ouvido e estudado as novas artistas 
sambistas, como Nilze Carvalho, Juliana Diniz, Mariana Aydar, e outras, e, 
claro, a velha guarda, que jamais deve ser esquecida. Minha vida é escutar 
música.


9 - Você ainda trabalha com teatro?

 Sim, porém menos do que gostaria, pois é difícil conciliar teatro com shows e 
UnB.


10- Quais são seus planos futuros?

 Óbvio que alcançar o reconhecimento nacional, com seu conseqüente retorno. O 
meu sonho é criar um centro cultural para crianças, com aulas de teatro, dança, 
música, artes plásticas, que eu pudesse financiar.


Fonte : Tribuna do Brasil

Data : 10 de março de 2008

http://www.tribunadobrasil.com.br/?ntc=59413&ned=2265

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