Matéria do Jornal da Comunidade, de Brasília, fala do lançamento do livro
"Então, foi assim?", de Ruy Godinho, dado na terça-feira passada.
O show-lançamento foi muito bom, casa cheia. Presenças de peso, com a do
Eugênio Monteiro ("Nó na Madeira", parceria com o João Nogueira, uma das
histórias incluídas no livro).
Ruy escolheu 13 canções brasileiras; contou as histórias delas; e as músicas
foram interpretadas. Os excelentes músicos estão relacionados no texto
indicado, abaixo transcrito.
Ruy também prestou homenagens a pessoas de Brasília que, de uma forma ou outra,
ajudam a cultura local, como, por exemplo: Reco do Bandolim (Clube do Choro);
Volmi Batista (Clube do Violeiro Caipira); Wilson Morais (da empresa Palco
Locação - palcos, banheiros); Sônia Palhares Marinho (freqüentadora assídua de
shows, tribuneira, divulgadora).
Ao final e ao cabo, a constatação de que temos um grande espetáculo pronto. O
"Então, Foi Assim?" necessita entrar em temporada normal em algum teatro,
talvez com uma redução do tamanho, do tempo.
A matéria está transcrita em seguida, como foi indicado.
Caio Tiburcio
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Edição 1010 - 05/04 a 11/04 de 2008
Número Um
Histórias da música
O livro Então, foi assim?, de Ruy Godinho, explica a origem e inúmeras
curiosidades a respeito de 80 sucessos da música popular brasileira
Da redação
Há músicas que marcam. Seja por associação a uma pessoa especial, a um momento
feliz ou até mesmo a uma desilusão amorosa, algumas canções, por mais que se
ouça, não enjoam. A identificação por algumas canções suscita em inúmeras
pessoas uma grande curiosidade: como surgiu essa letra, em que o compositor
pensava ao escrevê-la?. O produtor musical Ruy Godinho partilhava desse
pensamento e decidiu realizar uma pesquisa com o maior número de artistas
possível. O produto foi o livro Então, foi assim? A origem de 80 sucessos da
música brasileira, volume 1, lançado na última terça-feira no Teatro da Caixa.
Para celebrar o lançamento, Godinho selecionou 13 músicas, as quais foram
executadas pela banda formada por José Cabrera, Oswaldo Amorim, Alberto Salles,
Leander Motta e os cantores Célia Rabelo e Salomão Di Pádua. No repertório,
Feminina, Alma, Meu menino, Malandragem, Falsa baiana, Valsinha, Drão, Grito de
alerta, Ligia, O filho que eu quero ter, Teletema, Eu quero é botar meu bloco
na rua, Bandolero e Hino ao músico. Fizeram ainda participação especial no show
os artistas Leonel Laterza, Maíra Santiago, Leandro Medina, Ocelo Mendonça,
Goya, Nilson Lima, Deni, Beto Dourah, Sandra Duailibe, Eduardo Rangel, o
conjunto vocal Boca do Mundo e a percussionista Amanda Costa.
No livro, cujo tema é inédito na literatura brasileira, são revelados os
bastidores do ato criativo dessas 13 canções apresentadas e outras, como
Carinhoso (Pixinguinha/ Braguinha), Aquele abraço (Gilberto Gil), O vira (João
Ricardo/ Luhli), Bicho de sete cabeças (Geraldo Azevedo/ Zé Ramalho), No rancho
fundo (Ari Barroso/ Lamartine Babo) e Perigosa (Rita Lee/ Roberto de Carvalho/
Nelson Motta).
Trabalho hercúleo
Paraense radicado em Brasília, Ruy Godinho tem longa experiência em
comunicação, especialmente em rádio, vídeo e TV. Há onze anos, quando começou
sua pesquisa, capitaneava o programa Estação Brasil, na Rádio Cultura FM. Lá,
produzia um quadro sobre a origem de músicas. A iniciativa não teve uma grande
sobrevida, e padeceu com a reformulação da rádio promovida pelo então
governador Joaquim Roriz, implantando uma programação exclusivamente sertaneja.
Daí, ele partiu para a Rádio Câmara, onde permanece até hoje à frente do
programa Roda de choro, apresentado ao meio-dia, aos sábados.
O fato de trabalhar com música abriu-me muitas portas. Sempre estive muito
atento a qualquer músico que vinha a Brasília, e entrava em contato com a
produção dos shows para conseguir minhas entrevistas. Foram tantos, que nem
lembro, brinca. Difícil mesmo foi encontrar material antigo. Algumas músicas
são do início do século passado, e a pesquisa se tornou hercúlea.
Ao todo, são mais de 500 músicas em seus arquivos, sendo que 80 delas têm sua
origem revelada ao público no primeiro volume.
A idéia inicial era soltar, logo de início, 200 músicas. Foi muito difícil
conseguir patrocínio e, posteriormente, chegamos à conclusão de que uma edição
menor traria mais retornos comerciais, justifica. Esperançoso quanto ao
sucesso da obra, ele prevê o lançamento do 2º volume para daqui a um ano e
meio. Isso se as vendas atingirem o número esperado. No total, quero lançar 15
livros, afirma.
Um apaixonado pela música nacional, Godinho confessa não ter um estilo musical
preferido. Gosto da música de qualidade, isto é, com uma bela letra, melodia
harmônica. O trabalho deve ser inteligente e primoroso, comenta. Por meio de
um texto leve e romanceado, Godinho desvenda o processo criativo da música
brasileira.
Curiosidades musicais
Dentre todas as canções apresentadas, o autor destaca algumas que ele julga
mais curiosas, engraçadas ou emocionantes. A que mais lhe tocou foi O filho que
eu quero ter, de Toquinho e Vinicius de Morais. Segundo ele, a música é fruto
de um desejo de Toquinho, confidenciado ao amigo durante uma viagem à praia de
Boa Viagem, em Pernambuco. Em seguida à confissão, Toquinho entregou ao
Poetinha o tema musical e foi à praia.
Vinicius sofreu para escrever a letra. Não um sofrimento relacionado à
dificuldade de fazê-la, mas à emoção, ao enternecimento, à comoção, revela
Godinho nas páginas do livro. Uma das mais emocionantes canções da dupla, O
filho que eu quero ter já foi interpretada por diversos artistas, entre eles
Chico Buarque, no álbum Sinal fechado, de 1974, e Paulinho da Viola, para o
musical infantil A arca de Noé, da Rede Globo de Televisão.
Outro episódio salientado por ele é o processo de criação de Malandragem,
composição de Cazuza e Frejat, sucesso na voz de Cássia Eller. A música tinha
sido composta, originalmente, para completar um álbum da Ângela Ro-Rô. Como
demoraram muito para entregá-la, ela não foi usada, revela.
Cerca de sete anos depois, a Cássia procurava uma nova canção e Cazuza indicou
Malandragem. O único problema seria pedir de volta uma música já entregue.
Para a sorte deles, a Ângela havia detestado a letra e não planejava gravar.
Pensando bem, acho que a sorte foi nossa, que pudemos saboreá-la com Cássia
Eller.
O samba Falsa baiana, de Geraldo Pereira, teve uma origem inusitada. No
carnaval de 1944, o amigo e compositor Roberto Martins havia convencido a
esposa, que não era muito chegada às folias de Momo, a ir a um baile.
Chegado o dia, foram os dois amigos ao boteco e, quando já embriagado, Martins
lembrou do compromisso com a mulher. Saíram esbaforidos rumo à festa e, lá
chegando, encontraram D. Isaura vestida de baiana, mas com uma cara de
pouquíssimos amigos. Sem qualquer prudência, o marido disparou: O que é isso,
meu amor? Mais pareces uma falsa baiana!.
E arrematou: Isso dá samba. Deu, mas quem aproveitou a deixa foi Geraldo
Pereira, regravado posteriormente por Gal Costa, entre outros artistas. A
gravação mais recente foi feita por uma jovem revelação da MPB, Roberta Sá.
Colaborou o estagiário Gustavo Ribeiro
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