Fonte: http://www.brazilianvoice.com/mostracolunas.php?colunista=Aquiles%20Reis




Um álbum duplo para quem ama o samba


Por: Aquiles Reis


O samba informal de Mauro Duarte (Deckdisc) é um CD que traz sambas inéditos ou 
pouco conhecidos deste grande compositor mineiro, nascido em Matias Barbosa, 
que passou a vida em Botafogo, bairro da Zona Sul carioca. 

Gravado pelo grupo Samba de Fato e por Cristina Buarque, por tudo este 
lançamento é um clássico. Inclusive e principalmente pelo fato de que, tão ou 
mais importante do que os solistas, os belos sambas de Bolacha, como Mauro era 
conhecido pelos amigos, são exemplares. 

Como num disco de Johann Sebastian Bach, no qual, às vezes, o que mais importa 
são suas cantatas, ofertórios etc., mais até do que quem as interpreta, 
exceções à parte, O samba informal de Mauro Duarte vale pela obra que oferece. 

Longe de mim a heresia de pretender comparar a música do genial compositor 
alemão com a música igualmente genial de Mauro Duarte; nem dizer que Cristina 
(voz e pesquisadora do repertório), Pedro Amorim (voz, cavaquinho e bandolim), 
Alfredo Del Penho (produtor, pesquisador do repertório e violão de 6 e de 7 
cordas), Paulino Dias e Pedro Miranda (voz e ritmo) não cumprem bem o papel de 
trazer à luz uma parte importante da trajetória musical de Mauro Duarte. Pelo 
contrário, eles o fazem com reverência e acuidade. 
Mas os sambas selecionados, feitos quase sempre em tom menor, marca registrada 
do repertório de Bolacha, têm vida própria. São belos porque assim nasceram, e, 
felizmente, músicos como estes cinco só fizeram realçar ainda mais o valor da 
obra apresentada.  

Não faço parte do time que crê que músicas como as de Mauro Duarte devam ser 
levadas a todas as gerações. Creio que a cada um deve ser dado o direito de 
ouvir e buscar conhecer aquilo que lhe der na telha, mesmo que sua escolha 
recaia sobre um gênero que possamos não admirar. Entretanto, se alguém gosta de 
samba, conhecer as músicas de Mauro Bolacha é fundamental. 

O samba informal de Mauro Duarte é um álbum duplo com 31 sambas. Destes, dez 
foram finalizados por Paulo César Pinheiro em 2006, 19 anos após a morte do 
sambista (26 de agosto de 1989). Dos 31, quatro são apenas de Mauro Duarte; 19 
são em parceria com Paulinho Pinheiro, sendo que Maurício Tapajós está presente 
em três deles e João Nogueira em um; dois sambas são com Adélcio Carvalho; um 
com Dona Yvonne Lara; dois com Noca da Portela; dois com Elton Medeiros e um 
com Edil Pacheco.

Movidos pela tristeza que impregna as melodias de Bolacha, os versos de seus 
sambas são invariavelmente melancólicos. Ouve-se pela primeira vez um de seus 
sambas e podemos jurar que já o conhecíamos desde sempre: aí está a beleza de 
seu trabalho emocionante.

Ao menos quatro obras-primas estão presentes nesta homenagem a Mauro Duarte: “À 
Procura da Felicidade” (Mauro Duarte, Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 
na qual Cristina, de forma emocionada, demonstra que nasceu para cantar este 
tipo de samba); “Acerto de Contas” (Mauro Duarte e P. C. Pinheiro), que Alfredo 
Del Penho canta com sua voz tarimbada no ofício; “Carnaval”, belo samba que 
Mauro e Adélcio Carvalho compuseram e Pedro Amorim interpreta, e muito bem, e 
ainda hoje a moçada canta nas rodas do Bip-Bip, o bar de Alfredinho, lá em 
Copacabana, reduto de boa música; “Sublime Primavera” (Mauro Duarte e P. C. 
Pinheiro), onde mais uma vez Cristina dá show de interpretação e ouve-se também 
a voz rouca, quase embargada, do poeta.

(É pena, mas, ao esconder o surdo, a mixagem impede que o pulsar do ritmo se 
faça presente na marcação, o que acentuaria o lamento dos sambas em tom menor.)

O samba informal de Mauro Duarte é CD para colecionador de preciosidades e para 
quem ama o samba e quer dar-se como presente o melhor do gênero. Lá estão 
músicas feitas por um intuitivo maravilhoso, que não tocava um instrumento de 
harmonia sequer, mas que carregava no peito o dom de emocionar.
Mauro Duarte de Oliveira hoje é nome de praça em Botafogo, onde ele viveu seu 
destino de ser sambista brasileiro e boêmio boa-praça.

PS. A MPB está de luto, Darcy da Mangueira morreu aos 71 anos. Por ele, uma 
lágrima.
 
  

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