Artigo do jornalista Marcel De Brot, em sua Coluna no Caderno Brasília, do jornal Hoje Em Dia, em seguida.
Caio Tiburcio Brasil, 08 de Junho de 2008 CADERNO BRASILIA [EMAIL PROTECTED] Coluna de Marcel De Brot Um ímã da cultura nacional O templo da música brasileira de alta qualidade em Brasília é o Clube do Choro. Lugar fisicamente miúdo, escondido em um subsolo do gramado do Eixo Monumental, já foi vestiário do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Mas aquele pequeno pião de concreto literalmente levantou vôo pelo Planalto Central, flanou pelo Brasil e invadiu o mundo. Não no sentido físico, claro. Mas seu conteúdo é tão expressivo que virou referência do que há de melhor na música autenticamente nossa e mais, executada pelos mais virtuosos instrumentistas deste país. À frente dessa epopéia de trajetória contagiante por sua importância, por seu ineditismo e pelo seu acerto, um baiano de boa cepa, bandolinista, jornalista e acima de tudo, defensor do choro, não como gênero, mas como linguagem capaz de nos colocar no Planeta Terra melhor do que fazem o Carnaval, a mulata, o sol e o mar. Para ele, essa música, sim, tem o poder de atrair turistas, de mostrar nosso valor, nossa cultura no Primeiro Mundo. Liderando essa nave, Henrique Filho, o Reco do Bandolim. Tudo começou a mudar quando ele assumiu a presidência do Clube do Choro, em 1993. O GDF ameaçava tomar de volta o espaço cedido pelo ex-governador Elmo Serejo se ali não houvesse pelo menos um show por semana. E Reco iniciou um trabalho de formiguinha, sem deixar de ser abelha, com ajuda dos amigos, da família. Com muitas e boas idéias, que renderam frutos, foram se somando, agregaram valores e pessoas, artistas, público, autoridades, intelectuais, jornalistas, formadores de opinião, apoiadores, até chegar ao pleno reconhecimento. É o que chamamos de mérito, essa palavra simples, mas de denso conteúdo. Hoje, o Clube do Choro é um patrimônio imaterial tombado de Brasília. E Reco, cidadão honorário, respeitado, homenageado, continua ali, na mesma simplicidade, bandolim a tira-colo, com seu Choro Livre, vendendo sonhos e ganhando aplausos. Do nascimento do choro, em 1845, com uma nova acentuação da polca, vinda da Europa, a obra de Calado, Anacleto Medeiros, Chiquinha Gonzaga, depois Pixinguinha, Jacob, Radamés, chegamos à Brasília de Hamilton de Holanda, cujo toque quebrou paradigmas, com elementos que vão além do choro. Mas o começo foi duro, lembra Reco: «Aqui já moraram três famílias de mendigos, era um abandono». Para funcionar pelo uma vez por semana, ele trouxe amigos músicos, bancou cachês com seu salário de jornalista. «Em 96, meus irmãos também me ajudaram muito. Sobretudo o Carlos Henrique, também jornalista, que bancou passagens, hospedagens, diárias, dos seus próprios recursos, além de trazer autoridades, agregar valores e abrir caminhos», lembra. Depois, Reco convidou Armandinho Macedo e Raphael Rabello, que tocaram de graça, para adquirir os primeiros equipamentos. Ele tinha um sonho de fazer uma escola de choro. Fez o projeto, foi ao MinC e durante 3 anos lutou até aprovar na Câmara Legislativa do DF e conseguir apoio para chegar à Escola de Choro Raphael Rabello, uma justa homenagem ao grande amigo, instrumentista e apoiador. «Mas foi com o reconhecimento que tivemos de José Maria Guimarães, que foi diretor da Telebrasília e de Egídio Bianquini, que depois presidiu os Correios, que demos a arrancada fatal», diz Reco. Na Radiobrás, abriu mão de um bom cargo, voltou a ser produtor e se dedicou de corpo e alma ao projeto. Propôs a criação de um projeto temático que a cada ano homenagearia um grande músico brasileiro e que durante todo o ano trouxesse músicos de qualidade de todos os cantos do país para tocar no palco do Clube do Choro. Em 97 o ano foi de Pixinguinha, este ano é de Tom Jobim. Nasceu a idéia do «caindo no choro», que começou com Pepeu Gomes tocando bandolim, e trouxe grandes artistas, todos homenageando o choro. Agora Reco quer discutir políticas culturais. Trouxe Luiz Nassif para falar sobre economia e cultura. Quer música brasileira na academia. Fez parceria com a UnB para ensinar o choro e quebrar o paradigma de ensinar ali apenas o erudito. Fez o Prata da Casa para dar espaço aos novos valores. A TV Brasil já está transmitindo shows de choro para todo o Mercosul. Seu Choro Livre tocou no STF a convite da então presidente Ellen Gracie. Também na posse do ministro Carlos Ayres de Britto, no TSE. Há negociações com a EBC para realização de um programa semanal. A TV Justiça também aponta para uma parceria. Vão tocar, o Choro Livre e seu filho Henrique Neto (uma revelação), em Paris, em Viena, em Túnis, em Bratislava. Quer fazer uma luthieria. Tem projeto assinado por Niemeyer e Fernando Andrade, que o governador Arruda promete edificar e que será a nova sede do Clube do Choro. E continua humilde: «o sucesso não é nosso, é da música», garante. http://www.hojeemdia.com.br/ _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
