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http://exclusivo.terra.com.br/interna/0,,OI2949170-EI1118,00-Morre+o+sambista+Jamelao+aos+anos.html


Gente & TV 
 
 
Sábado, 14 de junho de 2008, 09h44  Atualizada às 11h15

   
Morre o sambista Jamelão aos 95 anos 
  
 
Marcos Porto/XPress/Especial para o Terra 

  
 
O cantor e compositor José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, 95 anos, 
morreu às 4h deste sábado, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, Rio de Janeiro, 
em decorrência de uma infecção generalizada. Ele estava internado desde a 
última quinta-feira. 

Em nota oficial, a presidente da Estação Primeira de Mangueira, Eli Gonçalves, 
a Chininha, declarou o luto pela morte de Jamelão, presidente de honra da 
escola, por infecção grave. 

O corpo aguarda por liberação e será velado na quadra da Mangueira (rua 
Visconde de Niterói, 1072, Mangueira). O enterro será realizado neste domingo, 
às 11h, no cemitério São João Batista, em Botafogo. 

Nascido em 1913, no bairro de São Cristóvão, no Rio, ganhou o apelido de 
Jamelão na época em que se apresentava em gafieiras da capital fluminense. Ele 
começou ainda jovem tocando tamborim na bateria da Estação Primeira de 
Mangueira e depois se tornou um dos principais intérpretes da escola. 

Jamelão sempre surpreendeu os colegas e familiares com a boa disposição. Aos 93 
anos, o sambista nascido a 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristóvão, 
ainda fazia três horas intensas de show. 

Há mais de 50 anos, atuava como puxador do enredo da escola. Referência 
obrigatória no gênero, ele entendia de carnaval mais do que ninguém. É dele a 
interpretação de sucessos como Agora Sou Feliz, do Mestre Gato, O Samba É Bom 
Assim, de Norival Reis e Helio Nascimento, e Esses Moços e Ela Disse-me Assim, 
ambas de Lupicínio Rodrigues. 

Engraxate quando criança e depois vendedor de jornal, o músico foi descoberto 
no subúrbio carioca ainda adolescente. Até então usava o nome de batismo, José 
Bispo. Não se sabe ao certo quando ele virou Jamelão e nem por quem foi 
apelidado com nome de um fruto escuro, duro e pouco comercializado. 

Aos 15 anos, ele conheceu o sambista Lauro Santos, o Gradim, que o levou à 
Escola Estação Primeira de Mangueira. Com o pretexto de paquerar as garotas e 
tocar tamborim, ele entrou para a bateria da escola. Enturmado com o pessoal do 
samba, começou a participar das rodas que aconteciam depois do desfile. 

Antes de entrar para a ala de compositores da Mangueira, em 1968, ele venceu 
diversos concursos regionais. Com os prêmios, conseguiu um contrato com a 
gravadora Continental. A partir daí, fez história até internacionalmente. Nos 
anos 70, Jamelão viajou para a França com a da Orquestra Tabajara do maestro 
Severino Araújo e cantou em festa de Assis Chateaubriand e do estilista francês 
Jacques Fath, no castelo de Coberville, em Paris. 

Jamelão viveu todos os dias fiel às raízes do samba e do carnaval. Em 2005, 
estreou temporada sambista no Bar Brahma, em São Paulo, todas às 
quartas-feiras. Entre seus compositores preferidos, estão Lupicinio Rodrigues, 
Dorival Caymi e Ary Barroso, cujas canções estavam sempre presentes no 
repertório dos shows. 

De terno branco, chapéu e bengala, o músico também posou de modelo aos 92 anos. 
Ele desfilou na passarela da 19ª São Paulo Fashion Week, em 2005, para a grife 
Poko Pano. Como de costume, sua entrada resultou em gritos e aplausos da 
platéia, mas em bem menos intensidade do que no desfile da sua escola do 
coração. Jamelão estava acostumado a todo ano - aos primeiros acordes do 
cavaquinho - levar foliões ao delírio na Sapucaí. 
  
 
Redação Terra
 

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