Fonte:
http://jbonline.terra.com.br/editorias/cultura/papel/2008/06/15/cultura20080615013.html
À procura da delicadeza perdida
Coletânea de Chico Buarque sai com documentário dirigido por Nelson Motta e
Walter Salles em 1990
Nelson Gobbi
O início da década de 90 foi um período-chave na história recente do Brasil.
Depois da primeira eleição direta para a Presidência da República em mais de
duas décadas, o país ainda vivia a euforia democrática, posteriormente
arrefecida pelo confisco monetário do governo Collor, o crescimento dos
problemas sociais, a desestabilidade econômica e a corrupção que culminou com o
processo de impeachment em 1992. O momento foi registrado no documentário Chico
ou o país da delicadeza perdida, dirigido por Walter Salles e Nelson Motta, por
encomenda da TV francesa. O vídeo de 73 minutos – lançado em DVD no mercado
brasileiro em 2003 – é dedicado à obra de Chico Buarque, embora sirva como um
perfeito registro de época, ao abordar assuntos então presentes na música e nas
opiniões do cantor e compositor, como a política e a questão dos menores de
rua. O DVD agora chega a um público mais amplo ao integrar a caixa Chico
Buarque essencial, que compila três CDs de sucessos de toda a sua carreira,
além de um disco de duetos.
– Na época, havia feito o especial da Marisa Monte com o Walter (MM ao vivo,
gravado em 1988 no Teatro Villa-Lobos) e ele me convidou para o vídeo do Chico
– relembra Nelson Motta. – Fiquei mais focado nas entrevistas e o Walter à
frente das gravações.
Sem boas lembranças
O jornalista, letrista e produtor musical acha importante que não só os fãs de
Chico assistam ao documentário, mas todos que quiserem entender melhor um
período do qual ele não guarda as melhores recordações.
– O ano de 1990 foi a pior época da minha vida. Um dia acordei com o Collor na
Presidência, com todo o meu dinheiro confiscado e os sertanejos dominando o
mercado fonográfico. Não tinha mais como trabalhar no Brasil, então me mudei
para Nova York – desconjura. – É interessante que mais gente possa rever aquele
tempo, até para perceber que conseguimos sobreviver ao que nos aconteceu.
O título do DVD aborda um tema recorrente nas imagens e declarações de Chico: a
delicadeza perdida, num país que já demonstrava ter problemas que só iriam
piorar ao longo dos anos.
– Usamos muitas cenas do documentário Uma avenida chamada Brasil, do Octávio
Bezerra, cuja temática acabou desembocando na violência tratada em Cidade de
Deus e Tropa de elite – analisa Motta. – Este é o mérito do documentário: ele
trata de um período horrível por meio de um artista maravilhoso, que jamais
perdeu a delicadeza.
Show na Fundição Progresso
As imagens de época e trechos de filmes como Bye bye Brasil (1979), de Carlos
Diegues, foram entremeados com um show realizado na Fundição Progresso, do qual
participaram Gal Costa e Gilberto Gil, cuja direção musical era de Vinícius
França.
– A apresentação na Fundição foi baseada no show Francisco, que juntava
clássicos com canções novas, no qual também trabalhei – recorda França. – O
show até já havia sido exibido na França, onde Chico é muito conhecido. Por
isso, não houve preocupação em adequar o repertório do especial de TV para o
público de lá.
Uma das passagens mais marcantes do DVD é a participação de Chico na campanha
de Lula à Presidência em 1989. Quase duas décadas depois, o que mudou?
– Nestes anos, quem menos mudou foi o Chico. O Brasil e o Lula mudaram da água
para o vinho – opina Motta. – Hoje muita coisa está melhor, temos uma
democracia mais consolidada. Na época lutávamos pelo mínimo, que era o direito
de votar no presidente. Acho até que se soubéssemos, em 1984, que tanto barulho
acabaria colocando Sarney e Collor no poder, faríamos o "Diretas daqui a pouco".
[ 15/06/2008 ] 02:01
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