Matéria da lavra do competente Irlam Rocha Lima é o destaque no jornal Correio Braziliense de hoje, sexta, 05 de setembro. A reportagem ocupa toda a primeira folha do caderno Cultura, com linda Arte de Anderson Araújo sobre fotos de Carlos Vieira e de Diego Bresani.E teve até chamada na primeira página do jornal, 1/3 da primeira página. "A Voz do povo" tem como tema o sambista Sério Magalhães, vencedor do Prêmio SESC de Música, concurso a nível nacional. Na seqüência, "Maior vencedora" fala da Ellen Oléria, excelente cantora e compositora, também uma vitoriosa. Caio Tiburcio
A voz do povo Vencedor do Prêmio Sesc de Música deste ano, Sérgio Magalhães concilia os ofícios de pedreiro em Sobradinho e compositor popular Irlam Rocha Liam Da equipe do Correio "Prumo, régua, cabo pra machado, plaina,prego, princha, tinta cara e bom verniz/ Cera de abelha, escada pra pôr telha, bom se ter cuidado, se cair faz cicatriz/ E todo tempo é pouco, o serviço de louco/ Vamos peãozada trabalhar Para fazer versos como esses, o autor deve ter, no mínimo, conhecimento de causa. E tem: Sérgio Magalhães é, por ofício, pedreiro. Todo tempo é pouco, samba de cuja letra foi extraído o trecho acima, é um dos mais de 70 escritos nos últimos cinco anos por Sérgio, um construtor de casas que enveredou pela seara da artes há quase uma década, ao se matricular na Escola de Música de Brasília. Lá, esse fluminense de Duque de Caxias, morador na capital federal desde 1993, passou a receber aulas de teoria musical e canto popular. Descoberto e lançado pelo violonista Jaime Ernest Dias, Sérgio, aos 44 anos, surge como uma das boas revelações da música popular na cidade. A confirmação veio no último dia 21, quando conquistou o primeiro lugar no Prêmio Sesc de Música com Prenúncios do final. Em 2007, no mesmo festival, ele havia obtido a segunda colocação com Até quando. Desde a adolescência, Sérgio convive com expressões como argamassa, nivelamento, prumada, reboco e que tais. Para ajudar em casa, aos 14 anos deixava Caxias e ia para a zona sul do Rio de Janeiro trabalhar. Exerci funções diversas no meu ofício: de gesseiro a eletricista, passando por pintor, ladrilheiro e encanador. Aos 19 anos, virei encarregado de obra, comecei a lidar, diretamente, com arquitetos e engenheiros, recorda-se. Com esses profissionais, especializou-se na arte de construir prédios. Em 1993, veio a Brasília passar férias na casa de parentes e acabou ficando. Juntamente com o filho Marcus Vinicius (também músico), foi morar em Sobradinho, onde está radicado até hoje. Naquela cidade, como autônomo, já construiu oito casas e reformou outras tantas. No momento, estou finalizando uma obra no Condomínio Residencial Mansões Sobradinho 2. É uma casa de dois pavimentos e oito cômodos, diz. Para o pedreiro, músico (toca violão) e compositor, a atividade como construtor civil é algo prazeroso. Gosto do que faço, além de ser meu ganha-pão e de me dar dignidade e condição de investir na música. Aliás, por incrível que pareça, é no meio de uma obra que surge a inspiração para os meus sambas. Em apenas um, o Todo tempo é pouco, focalizei o ambiente de trabalho, revela. Primeiros passos Sérgio deu seus primeiros passos na música, efetivamente, depois de conhecer Jaime Ernest Dias. Quem me apresentou ao Jaime foi Maria de Barros, minha professora de canto na Escola de Música. Além de me ensinar muita coisa e de escrever as primeiras partituras para minhas músicas, ele analisou a estrutura, a melodia e a poesia das composições e me incentivou a encarar esse novo ofício com profissionalismo, afirma, em tom de agradecimento. Jaime fez mais por Sérgio: apresentou-o a músicos e cantores brasilienses e a nomes consagrados da MPB, como Nelson Sargento, Luís Carlos da Vila e Carlinhos Vergueiro. Com o aval do Jaime, subi ao palco pela primeira vez, em 2004, dando uma canja para o Samba & Choro no Feitiço Mineiro. Meu primeiro show solo foi com o Fernando César (violonista, irmão de Hamilton de Holanda e líder do grupo AQuattro) no Café Cultural, anexo ao Teatro da Caixa. Depois, toquei com o Jaime no Clube do Choro, Café Cancun, Fulô do Sertão e no Café Tárcia, em Pirenópolis, onde já estivemos várias vezes, conta. Outra pessoa importante para Sérgio em sua trajetória artística é a cantora Cris Pereira. Foi ela quem inscreveu Prenúncios do final no Prêmio Sesc. A Cris fez a inscrição e depois me comunicou. Ela fez isso porque acreditava no meu samba. Confesso que, mesmo depois de pré-selecionado entre 240 músicas, continuei inseguro, por ser um festival de nível nacional, confidencia. Depois que se classificou para a final de 21 se agosto, Sérgio ganhou confiança. Já estava feliz por ver o samba finalista e ser avaliado por um júri de especialistas. Na final, acompanhado por Ocelo Mendonça (violoncelo), Liliane Gayoso (violino), Marcus Vinicius (violão de sete cordas e arranjo) e Guto Martins (percussão), acreditei que tinha chance de conquistar um dos prêmios. Veio o de melhor música, o mais importante!, comemora. Outro motivo que me levou a festejar foi ter sido elogiado pela cantora e compositora Fátima Guedes, que presidiu o júri, acrescenta. De acordo com o vencedor, parte do prêmio será usada no pagamento do cachê dos músicos. O restante ele vai investir na finalização do disco de estréia, que tem direção musical de Jaime Ernest Dias e Fernando Merlino, que trabalha com Leny Andrade e Emílio Santiago, entre outros. Recentemente, o pianista acompanhou Bibi Ferreira na Sala Villa-Lobos, no espetáculo Bibi canta Piaf. Das 14 faixas do álbum, 13 já estão com as bases prontas. No repertório, obviamente, foi incluída Prenúncios do final. Num dos versos, Sérgio canta: Quando o olhar se desvia/ Ao som de palavras frias/ É que o romance acabou/ Quando um beijo já sem sabor/ Num sexo sem amor/ A luz do sonho apagou . Grato a Brasília por acolhê-lo, ele compôs outro samba, Alvorada do futuro. Como foi composto depois que o disco começou a ser feito, ela ficará para um próximo trabalho. O compositor voltará ao Teatro Garagem (onde ocorreu o Prêmio Sesc de Música) em outubro, com a terceira edição do projeto Capital Samba. Em sua companhia, estarão Cris Pereira e Guto Martins. Maior vencedora Ellen Oléria, cantora e compositora de Taguatinga, é a campeã do Prêmio Sesc de Música. Nas quatro edições que ocorreram até agora, ela conquistou prêmios em três. Com oito anos de carreira o começo foi num grupo formado na Igreja Batista ,prepara-se para lançar o primeiro disco, no qual mostrará parte de sua produção. O público tomou conhecimento de Ellen em 2005, quando foi premiada como melhor intérprete do festival do Sesc com Notícia brasileira, que fala do universo de sua cidade e cita o Correio: Olhaê o Correio!, refere-se a um jornaleiro. Em 2006, ganhou o prêmio principal com Senzala, na qual usa a Feira de Ceilândia para questionar temas como modismo, padrões e consumo. Neste ano, Ellen concorreu com o hip hop Testando, que foi a preferida do público, levando-a a conquistar o prêmio atribuído pelo chamado júri popular. Hip hop é uma linguagem que já vinha utilizando em meu trabalho, mas ainda de forma fragmentada. Agora usei essa estética para me expressar em Testando, que caiu no gosto dos presentes no Teatro Garagem, afirma. Em Testando, a artista focaliza o universo da mulher negra, moradora da periferia. Acredito que falo com propriedade de minha realidade, observa. Essa música e Senzala estão entre as 11 faixas do CD que a cantora acaba de gravar. O disco está em mixagem e masterização e será lançado com show em 30 de outubro no Espaço Brasil Telecom, adianta. http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_150.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
