MÚSICA
Sotaque lusitano

A guitarra portuguesa une-se ao cavaquinho de Henrique Cazes para celebrar a 
comunhão musical em show que encerra o projeto realeza nos trópicos, hoje, no 
CCBB




Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
"O fraseado sentimental do choro, que pode ser observado no jeito de tocar de 
Jacob do Bandolim, veio da guitarra portuguesa.” A afirmação do músico, 
compositor e pesquisador carioca Henrique Cases se justifica. Ele lidera o 
grupo que hoje, às 13h (com entrada franca) e às 21h, no teatro do Centro 
Cultural Banco do Brasil, faz o show Cordas luso-brasileiras. O espetáculo 
encerra a série Realeza nos Trópicos: 200 Anos de Música, iniciada no último 
dia 7, sempre às terças-fei ras, quando foram apresentados Para lá e para cá, O 
amor brasileiro e Música de 1808 na Europa – todos prestigiados pelo público 
brasiliense. 

Cazes (cavaquinho e viola caipira), Luís Filipe de Lima (violão sete cordas), 
Luís Barcellos (bandolim), Beto Cazes (percussão) e o guitarrista português 
Carlos Mendes Pereira mostram, em Cordas luso-brasileiras, músicas extraídas de 
repertórios antigos e contemporâneos. “Vamos demonstrar que o choro, um gênero 
brasileiríssimo, nasceu com sotaqu e português e promover o reencontro do 
cavaquinho original português e o brasileiro, com suas semelhanças e 
diferenças”, anuncia Cazes. “No show, haverá a mistura do choro com o fado”, 
acrescenta. 

No programa, estão Dança palaciana (Carlos Paredes), Modo do entrudo e Não vais 
ao mar, Toino (tradicionais arranjos de Júlio Pereira), Dois estudos (Henrique 
Cazes), Real grandeza Henrique Cazes), Choro negro (Paulinho da Viola e 
Fernando Costa), Estudo em lá maior (Antônio Pinho Brojo), Pe dacinhos do céu 
(Waldir Azevedo), Elza (A.F. Conceição e X. Pinheiro), Vascaíno (Jacob do 
Bandolim), Forró de gala (Jacob do Bandolim) e Língua de preto (Honorino Lopes).

Idealizador e diretor artístico da série musical do CCBB, Henrique Cazes quis, 
ao longo do projeto, focalizar a riqueza artística resultante do encontro das 
duas culturas e esmiuçar raízes e influências musicais que até hoje unem Brasil 
e Portugal. A proposta abrangente incluiu música vocal e instrumental, de 
repertór io popular, erudito, antigo e contemporâneo.

Multiinstrumentista – toca cavaquinho, bandolim, violão tenor, banjo, viola 
caipira e guitarra – e autodidata, Cazes estreou profissionalmente em 1976, 
integrando o conjunto Coisas Nossas. Em 1980, passou a fazer parte da Camerata 
Carioca, na qual trabalhou com o maestro Radamés Gnattali. Com o grupo, gravou 
os discos Vivaldi & Pixinguinha, Tocar e Uma rosa para Pixinguinha – esse com 
Elizeth Cardoso.

Solista de cavaquinho, ele ini ciou carreira individual em 1988, ao lançar o 
álbum que traz seu nome no título. Em sua discografia, há os seguintes títulos: 
Tocando Waldir Azevedo (1990), Waldir Azevedo, Pixinguinha, Hermeto & Cia 
(1992), Desde que choro é choro (1995), Relendo Waldir Azevedo (1997), 
Pixinguinha de bolso (2000), Tudo é choro (2004) e Vamos acabar com o baile 
(2007). Henrique Cazes esteve à frente da Orquestra Pixinguinha, Camerata do 
Brasil e Novo Quinteto, e é autor do livro Choro, do quintal ao Municipal, 
lançado em 1998, que resume 150 anos de história do choro.


CORDAS LUSO-BRASILEIRAS
Hoje, às 13h (com entrada franca) e às 21h, no teatro do Centro Cultural Banco 
do Brasil (SCES, Tr. 2; 3310-7087). Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (estudantes, 
professores, correntistas do BB e maiores de 65 anos). Classificação indicativa 
livre.
http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_24.htm
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