Fonte: 
http://www.brazilianvoice.com/mostracolunas.php?colunista=Aquiles%20Reis&id=1235&cc=
 
 
Venha saborear Martinho da Vila
 
 
Por: Aquiles Reis
 

Todo de branco, ele entra no palco do Teatro Fecap, em São Paulo. O cenário tem 
poltronas, tem mesinhas com porta-retrato e tem toda uma vida dada ao público 
que lota a sala. 

A gravação do DVD/CD O Pequeno Burguês (MZA) começa. Paira no ar um jeitão de 
festa no quintal. O compositor, com jeito folgazão, tem no rosto a marca do 
sorriso farto iluminando as rugas da vivência. E, com a desenvoltura de um 
enobrecido artista popular, fala com a platéia como se ali estivessem amigos 
prontos a serem de infância: “Eu queria botar vocês dentro da minha história”.
E começa a cantar como se contasse histórias. 

A capella, ou só acompanhada do seu pandeiro, sua voz entrecorta as sílabas. 
Seus graves soam emocionados. Sua música se desdobra. 

Entram Ovídio Brito, com pandeiro, e Wanderson Martins, com cavaco. A sala de 
visitas ganha ares de roda de samba. Martinho canta “Casa de Bamba”, antes de 
mandar “Pra Que Dinheiro” e “Pequeno Burguês”. 

E logo vem “Quatro Séculos de Modas e Costumes”, samba-enredo cadenciado com o 
qual a Vila Isabel tinha certeza de que venceria o carnaval daquele ano 
distante. Mas veio a chuva e arrastou para o bueiro o título que parecia no 
papo. Para exorcizar o drama, Martinho criou um belíssimo samba, “Madrugada, 
Carnaval e Cinzas”. De nada adiantou, o moral da Vila estava no pé. 

Após cantar este samba, convida seu filho Tonico para a roda. Com seu atabaque, 
o moço senta logo atrás do pai. E os três músicos acompanham o admirável 
samba-enredo “Yayá do Cais Dourado”. 
A sala do Martinho recebe agora Gabriel de Aquino. Filho de João de Aquino, o 
garoto causa arrepio com seu violão no estupendo solo de “Ex-Amor”. A seguir, 
acompanhado apenas do violão de Gabriel, Martinho canta o que talvez seja a 
música mais bela do show, “Jaguatirica”. A sua interpretação para esta canção é 
emocionante. Sem dúvida, o momento musical mais alto do espetáculo. 

E a roda se abre para que Mané do Cavaco entre e sole “Carinhoso”, de 
Pixinguinha e João de Barro. Gabriel o acompanha. 

Trazendo o pandeiro, chega Paulinho da Aba e manda “Na Aba” e “Agora É Moda”. 

A essa altura, feliz, Martinho José Ferreira da Vila tem o público de alma e 
coração cativos de seu sorriso. 

Outras músicas ainda vêm para comprovar que a trajetória de Martinho merecia de 
fato um DVD/documentário feito este: bem cuidado no som (muito bem gravado!), 
no cenário (com 
 
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