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> Date: Sun, 25 Jan 2009 10:08:49 -0300
> Subject: CorreioBraziliense: Batida inquieta (Valdeci do Pandeiro)
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> Batida inquieta
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> Da velha guarda instrumental em Brasília, Valdeci do Pandeiro já acompanhou o
> mestre Waldir Azevedo e continua na ativa com o grupo Choro e Voz
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> Sérgio Maggio
> Da equipe do Correio
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> Uma birra de garoto. Foi assim que Valdeci se tornou um ás no pandeiro. Viu
> um colega batendo no instrumento, pediu a vez, o sujeito disse não. Ficou
> chateado e guardou a negativa como questão de honra. Até que um dia, aos 17
> anos, sacou o dinheiro do bolso e pôs o objeto de desejo nas mãos. Daí para
> se tornar um mestre, tem um chão de história, com direito ao ápice: tocar
> Brasileirinho ao lado do autor, Waldir Azevedo, o “rei do cavaquinho”.
> Lembrança, aliás, que deixa Valdeci emocionado.
>
> — Tocar Brasileirinho com o autor ao lado não dá para esquecer. Mas, quando
> fui acompanhar Waldir, já tinha as manhas. Diferentemente do tempo em que
> comprei o pandeiro e comecei a bater. Vi um cara tocando forró e tentei
> entender as pancadas, lembra.
>
> Quando fala do primeiro instrumento, a memória de Valdeci vai lá para os anos
> 1960, época em que morava na Granja do Torto e o pai, vaqueiro, cuidava dos
> cavalos de Juscelino Kubitschek. A família veio para a futura capital federal
> depois da tragédia que matou o engenheiro Bernardo Sayão, em 1959, na
> construção da rodovia Belém-Brasília.
>
> — A gente via JK todo dia. Era um homem simples. Tenho até hoje a carta que
> ele deu a todos os funcionários no dia em que deixou o governo, recorda.
>
> Auxiliar administrativo da Secretaria de Agricultura do DF, o rapaz seguiu a
> vida dividido entre os afazeres de servidor público e a labuta para desvendar
> os segredos do instrumento. Estava entretido para dominar a ciência das
> pancadas até que conheceu, lá no Guará, o primeiro professor, Pernambuco do
> Pandeiro, músico que teve, no Rio dos anos 1950, um conjunto dos deuses,
> formado por Escurinho e Hermeto Pascoal.
>
> — Não posso deixar de falar nesses músicos que hoje estão na base do choro de
> Brasília e do Brasil, a velha guarda, da qual me orgulho e faço parte,
> reitera.
>
> Quando Valdeci aprendia a dominar o pandeiro, Brasília já tinha acolhido uma
> nata de músicos vindos do Rio. Estavam aqui Bide da Flauta, Eli do Cavaco,
> Avena de Castro, Hamilton Costa, Tio João, Tio Nilo, Miudinho, Manoel
> Vasconcelos. Havia as famosas rodas de chorões no apartamento 506 de Odette
> Ernest Dias, no Bloco E da quadra 311 Sul. Aos sábados, os encontros musicais
> se iniciavam às 14h e entravam pela madrugada. Eram a base da fundação do
> Clube do Choro (criado em 1977).
>
> — Nessa época, já saía direto do trabalho para tocar na noite, lembra.
>
> Foi num show no bar Amarelinho, localizado no Gilberto Salomão, que o autor
> de Brasileirinho viu Valdeci rodopiar no pandeiro. Foi convocado junto com
> Eli do Cavaco, Dudu Sete Cordas e Hamilton Costa para formar o Regional de
> Waldir Azevedo. Desde o início da década de 1970, o rei do cavaquinho morava
> em Brasília e preparava a volta aos palcos em shows memoráveis na Sala
> Martins Pena. Hoje, assim como o enterro do mestre em 1980, essas lembranças
> compõem uma pasta preta com recortes de jornais e revistas. Ali, Valdeci
> exibe com orgulho os seus guardados.
>
> — Um dos melhores shows foi com Ademilde Fonseca, aponta.
>
> Não teve lugar em que Valdeci não batesse seu pandeiro em Brasília. Dos
> teatros às boates, ele levantou a roda com batida pulsante. Toca com as
> pontas dos dedos em vez de usar a palma da mão. O pandeiro é de choro, não de
> samba. Tem timbres específicos, pele natural e exige afinação. A percussão
> levanta qualquer roda de samba.
>
> — Meu ritmo é diferente, tenho consciência disso, ao tirar o som com a cabeça
> do dedo, conta Valdeci.
>
> Aposentado e morando em Sobradinho, é vizinho de sambistas de primeira, como
> Sérgio Magalhães. Sempre que pode, reúne a moçada para assar uma costelinha e
> fazer uma roda de choro. Isso quando sobra tempo. Na ativa com o grupo Choro
> e Voz, ele não para de tocar. Com a cantora Mônica Costa, Eli do Cavaco e
> Paulo Henrique no violão, vai de show a cerimônia de casamento.
>
> — Nem tenho tido intervalo para ir ao Clube do Choro. Esse pandeiro aqui não
> fica quieto.
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> Veja: performance de Valdeci do Pandeiro
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> Memória
> As fantásticas rodas de chorões
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> Brasília hoje é apontada como a capital do choro. Ouvindo Valdeci falar sobre
> aquele tempo, chega a ser mágico imaginar rodas animadas no apartamento de
> Odette Ernest Dias, flautista francesa que tocou na Orquestra Sinfônica
> Brasileira e veio para Brasília em 1974, integrando o quadro de professores
> da Universidade de Brasília (UnB). Nessa época, os chorões se encontravam em
> reuniões promovidas pelo jornalista Raimundo Brito, na quadra 105 Sul. Lá,
> participava Waldir Azevedo.
>
> Em 1976, as animadas tertúlías se transferiram para o apartamento de Odette
> na 311 Sul. Nesses encontros frutíferos, as parcerias foram consolidadas e
> aumentaram as apresentações de chorões na cidade. Havia rodas no Teatro
> Galpão, Teatro da Escola Parque, Fina Flor do Samba (Gilberto Salomão) e até
> no Auditório Dois Candangos. Assim, nasceu a necessidade de fundar o Clube do
> Choro, em outubro de 1977, com o citarista Avena de Castro como presidente e
> Pernambuco do Pandeiro como diretor de patrimônio.
>
> Frequentador de rodas de choro, o governador Elmo Serejo Farias não hesitou
> em recomendar a doação de sala ao lado do Centro de Convenções para a criação
> do Clube do Choro. As apresentações começaram discretas e pouco a pouco foram
> ganhando fama, reunindo até 200 pessoas num sábado. Para chamar público, era
> servido um sarapatel. Contam que Pernambuco do Pandeiro chegou a vender
> passarinhos cantadores (bicudos e curiós) para equipar o espaço com fogão e
> geladeira.
>
> De 1984 a 1990, a casa foi comandada pelo bandolinista Dr. Six (Francisco de
> Assis, chamado assim porque possuía seis dedos em uma das mãos). Era
> recomendada também a roda de choro de Dr. Six, em casas do Lago Sul. Depois,
> ele passou o bastão para Henrique Filho (Reco do Bandolim), que
> profissionalizou a instituição. Hoje, além de ser referência nacional, a
> entidade acaba de ganhar edital para reforma.
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> Colaborou Irlam Rocha Lima
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>
>Fonte: http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_92.htm
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