Brasília, domingo, 08 de fevereiro de 2009 Música O retrato do sambista aos 50
Irlam Rocha Lima Da equipe do Correio Moacyr Luz são vários. Compositor, cantor, escritor, cronista, boêmio, ele é, antes de qualquer coisa, um carioca autêntico. Desses que têm louvado o Rio de Janeiro ao longo da carreira, iniciada há 30 anos. Não foi diferente em Batucando, CD que acaba de lançar pela Biscoito Fino, no qual sua faceta de sambista fica ainda mais realçada. Na letra de Beleza em diamante (musicada por Sereno, do Fundo de Quintal), diz: Meu Rio de Janeiro/ Se fosse preciso dobrar aos teus pés/ Cantar tão bonito e dizer que tu és/ a estrela mais brilhante/ mesmo num céu de outras cores. Com Batucando, Moa, como é chamado pelos mais próximos, festeja 50 anos de vida. Em vez de fazer um disco retrospectivo para comemorar a data, ele optou por gravar somente músicas inéditas, cercado por amigos como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Wilson das Neves, Beth Carvalho, Ivan Lins, Alcione, Luiz Melodia e Martnália. A produção musical foi entregue a um mestre, o violonista Paulão Sete Cordas. Tenho um modo de vida que procuro seguir desde garoto. Mirei em Ary Barroso, que foi compositor, locutor esportivo, apresentador de programa de auditório e até político. Dessa última faceta sempre estive distante, mas nunca abri mão de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Tenho composto minhas canções, gravado discos, feito shows e, despretensiosamente, escrito livros. Há alguns anos, Moacyr comanda, às segundas-feiras, no Clube Renascença, no Andaraí (bairro vizinho a Vila Isabel), o Samba do Trabalhador, que começa às 14h. Frequentador assíduo de botecos dos tradicionais a conhecidos pés-sujos registrou sua vivência nesses locais em dois livros: Manual de sobrevivência nos botequins mais vagabundos (2005) e Botequim de bêbado tem dono, lançado no ano passado. Nada mais natural, portanto, que o Batucando tenha uma faixa intitulada Delírio da baixa gastronomia, com versos como frango com quiabo, um cabrito temperado/ É de se ajoelhar/ No caldo do ensopado, um lagarto fatiado/ É de fazer chorar No álbum, Moacyr assina sambas com parceiros diversos. Dos mais constantes, como Aldir Blanc, com quem fez Clareou e Samba pro Geraldo (em homenagem a Geraldo Pereira), a Wilson da Neves (Quando se é popular). Outros velhos companheiros de samba presentes no Batucando são o portelense Paulo César Pinheiro, coautor de Divina Mangueira (gravado em duo com Beth Carvalho), e Hermínio Bello de Carvalho, presente em três faixas: Meu nego, Daquela mulher e Banguelas. Até a década de 1980 eu era conhecido como um compositor de MPB, gravado por grandes intérpretes como Maria Bethânia e Nana Caymmi. Quando parti para o samba, mantive minha formação harmônica influenciada por Tom Jobim, afirma. Não tive a educação do samba formal. Faço a música que está dentro de mim e vou ficar feliz se as pessoas que a ouvirem tiverem sentimento semelhante ao meu, acrescenta. Sem esconder a alegria de ter tantos bambas em sua companhia no Batucando, Moacyr deixa claro que os convidou por sabê-los seus amigos. A Beth eu conheço desde 1984. Com o Zeca já havia gravado. Das Neves se tornou parceiro há seis anos, com o Ivan fiz Instante eterno, para a trilha da novela Porto dos milagres. De Martinho sou parceiro em Vila Isabel e Zuela de Oxum. E Martnália me visita sempre no Samba do Trabalhador, no Renascença, comemora. BATUCANDO CD de Moacyr Luz produzido por Paulão Sete Cordas. Lançamento Biscoito Fino, 12 faixas. Preço médio: R$ 29. Crítica - *** Reunião de bambas Rosualdo Rodrigues Da equipe do Correio Batucando dá boa medida do prestígio conquistado por Moacyr Luz na música brasileira. A presença de pesos-pesados como Martinho da Vila, Luiz Melodia, Beth Carvalho e Alcione, nos vocais, e Hermínio Bello de Carvalho, Aldir Blanc, Ivan Lins e Paulo César Pinheiro, nas composições, acaba dando ao disco aspecto de obra coletiva, na qual Moacyr aparece como mestre-de-cerimônias. O trabalho do compositor fica bem exposto em 12 belos sambas e é valorizado quando o cantor cede espaço para que os convidados brilhem. Alcione dá as devidas malícia e passionalidade a Meu nego (feita sob medida para ela) e Martinho da Vila proporciona um dos melhores momentos em Samba dos passarinhos, com ecos de chorinho e lundu, composto por ele e Moacyr. O dono do disco também segura bem a onda quando canta sozinho, como na bem-humorada Delírio da baixa gastronomia, que fecha Batucando com letra capaz de abrir o apetite de qualquer um. http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_81.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
