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por Leonardo Lichote
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iandê pra todos!!!
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Quatro perguntas para Siba

*O repertório do show é todo do "Toda vez que dou um passo o mundo sai do
lugar"? Tem coisas do primeiro CD de vocês, ou outras coisas mais? O quê? *

Siba - O repertório principal é composto do material do "Toda vez...", mais
alguma coisa do " Fuloresta do Samba" e também material novo, que eu sempre
amadureço no palco antes de gravar. Boa parte do "Toda vez..." já acontecia
ao vivo antes do CD ser gravado. As duas músicas do single "Canoa furada"
que lançamos no carnaval em Pernambuco, disponíveis para download no Myspace
*(baixe aqui <http://www.myspace.com/sibaeafuloresta>)* também são
obrigatórias no palco, além de um final improvisado de maracatu de baque
solto no meio da platéia...

*O disco tem guitarras, teclados e inserções eletrônicas em meio a
sonoridade da Fuloresta. Vi que a formação que se apresentará aqui não tem
essas características. Como as músicas serão reproduzidas ao vivo? Elas
foram adaptadas ou simplesmente foram suprimidas as partes de guitarra,
teclados, eletrônica etc?*

Siba - Nós não temos o compromisso de reproduzir ao vivo o que está
registrado no CD. Eu gosto muito de experimentar com os recursos de
gravação, edição e mixagem de estúdio, além de aproveitar a oportunidade
para colaborar com outros músicos que admiro. Mas no palco eu prefiro uma
pegada mais próxima da música de rua, percussão, metais, vozes e rima.

*Você costuma falar que não é de forma nenhuma um defensor da manutenção das
tradições, da música "de raiz" etc. Por outro lado, seu trabalho não raro é
entendido dessa forma, digamos, etnográfica. Talvez essa percepção se deva a
uma audição menos atenta de sua obra, mas, de qualquer forma, ela existe.
Gostaria que você falasse, portanto, sobre o que há de "desrespeito" às
tradições na sua música. Como essa relação entre manutenção e criação se dá
no seu trabalho?*

Siba - A percepção limitada em relação ao nosso trabalho vem da falta de
conhecimento básico sobre a história, as particularidades estéticas, os
principais artistas do passado e do presente, de estilos ou ritmos que nunca
ultrapassaram seus limites geográficos locais. Todo mundo sabe quem foi John
Lee Hooker, mas ninguém nunca ouviu falar de Baracho, de José Galdino, de
Ivanildo Vila Nova, do que eles representaram ou representam em termos de
renovação. É comum encontrar quem tenha este conhecimento detalhado em
relação ao ska, reggae, ragga etc, mas quantos na imprensa ou no público
saberiam diferenciar um samba em dez de um galope, uma sextilha de um
martelo? Então a gente tem sempre que dialogar com o senso comum da "cultura
popular", "raiz", defesa das "tradições" etc. A própria busca da subversão
ou da ruptura no que a gente desenvolve pressupõe uma inércia criativa que
não corresponde à realidade, ao menos nos estilos específicos da Mata Norte
pernambucana que nós praticamos. Difícil avaliar algo partindo de categorias
externas... No nosso caso, a formação da orquestra com 4 metais que dialogam
em harmonias e contraponto, além das já citadas interferências de estúdio e
parcerias não óbvias podem ser um diferencial em relação ao que boa parte
dos poetas da Mata Norte faz hoje em dia.

*Em que projetos você está envolvido agora?*

Siba - Além da Fuloresta que é o principal, acabo de lançar o CD "Violas de
bronze" *(fiz uma crítica
aqui<http://oglobo.globo.com/blogs/mpb/posts/2009/03/10/as-violas-de-bronze-de-siba-roberto-correa-167420.asp>
)* em parceria com Roberto Corrêa, um trabalho baseado nas violas e rabecas.
Além disso faço parte do América Contemporânea, um coletivo de músicos de
vários países da América Latina sob a direção de Benjamin Taubkin (saiba
mais *aqui <http://www.nucleo.art.br/americacontemporanea/>*). Para o futuro
breve, estou me preparando para a formação de um novo grupo, com viola e
rabeca elétricos, tuba e bateria.
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