A mentira das elites, a obscuridade dos fatos a inveja brava de um montão de
gente que frequenta os palcos sem brilho, sem valor pessoal derrubou O
Grande Wilson,Não conseguiram conviver com um homen negro nas altura na fama
e no estrelato o  Brasil nunca mais terá alguem igual. Os poderosos do
dinheiro e da mídia nunca vão conseguir forjar um artista de tamanha
magnitude que represente o Brasil no mundo.Todo prestígio do Brasil no
exterior foi conseguido através de seus artístas populares,sobretudo negros
Como Simonal,Pelé,Agostinho dos Santos, Pixinguinha  tambem Carmen Miranda
Os negros se sobressairam simplismente porque alem de grandes talentos
formam a grande maioria do povo Brasileiro ,mas alguns poderosos setores da
nossa sociedade branca e eurocêntrista detestam esta realidade.
Este fato já é tão velho como o nosso adpto da eugenia imperador dom pedro
2º,que com medo de o pais se tornar um pais de negros após e antes da
'abolição' se empenhou em criar mecanismos para impossibilita aos negros de
serem aborvidos na vida da pátria.Agora chato mesmo é ter conhecido o Nei
Lopes suposto intelectual negro do samba ter uma postura discriminadora e
burguesa com os próprios 'irmãos' da cor parecia um daqueles burgueses
brancos racistas da elite paulistana,com o mesmo tipo de olhar e de postura
fui presentea-lo com um disco meu e ele me pareceu incomodado e não fazendo
muita questão de receber,e mesmo sem me conhecer ou saber quem sou me deu um
chega pra lá bem típico daqueles que nos despresam.È CHATO SABER QUE O
DESCENDENTE DE ESCRAVO DE ONTEM SE JULGA SENHOR SOBRE OS SEUS PARES.Parece
que o relativo sucesso lhe subiu a cabeça,alias é uma postura estranha do
negro carioca de 'classe média' que talves por medo de ser confundido com os
moradores das comunidades (favelas) Cariocas tenha uma posição
discriminadora e distânciadora daquele negro que ele não sabe quem é,gozado
igual ou melhor,pior que o burguês branco.Isso se chama o sucesso me subiu a
cabeça e agra eu não sou mais um pobre ahador faço parte da elite dos
mediocres,Sinceramente é cm muito pesar que escrevo estas palavras.



2009/6/15 <[email protected]>

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>   1. Re: Simonal por Caetano Veloso (O Estadão) (JL Vivas)
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>      talento (Marcelo Neder)
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>   6. Simonal - Ninguém sabe o dedo-duro que dei... (JL Vivas)
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>
> Message: 1
> Date: Sun, 14 Jun 2009 23:13:31 +0200
> From: JL Vivas <[email protected]>
> Subject: Re: [S-C] Simonal por Caetano Veloso (O Estadão)
> To: "[email protected]" <[email protected]>
> Message-ID: <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=ISO-8859-1; format=flowed
>
> Sonia Palhares Marinho escribió:
> >
> > REPASSANDO!!!
> >
> >
> >
> >
> >
> > Sonia Palhares (BsB-DF)
> >
> >
> >
> >
> >
> > Amigos,
> >
> > Ontem, em entrevista ao Estado de S. Paulo, Caetano Veloso comentou o
> polêmico documentário sobre Wilson Simonal e recomendou: "Leia Eu Não Sou
> Cachorro Não":
> >
>
> >  É terrível, porque tem algo como uma caricatura da impossibilidade de um
> pretinho talentosíssimo, filho de cozinheira, cumprir um destino positivo
> até o fim."
> >
> Terrível foi a ditadura, e os que a apoiaram ou foram coniventes com
> ela, pretinho ou branquinho, filho de cozinheira ou de marajá. Essas
> pessoas não merecem um destino positivo.
>
> JLV
>
>
> ------------------------------
>
> Message: 2
> Date: Sun, 14 Jun 2009 21:18:00 -0300
> From: Eugenio Raggi <[email protected]>
> Subject: Re: [S-C] Simonal por Caetano Veloso (O Estadão)
> To: JL Vivas <[email protected]>
> Cc: "[email protected]" <[email protected]>
> Message-ID:
>        <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=ISO-8859-1
>
> JLV,
>
> A esmagadora maioria do povo brasileiro, notadamente negros,
> notadamente herdeiros da senzala como Simonal e seus pais,
> principalmente na década de 60, ignorava completamente o fato de
> vivermos em uma ditadura militar.
>
> Cobrar qualquer tipo de postura política ou engajamento de Wislson
> Simonal, que frequentou, por pouquíssimo tempo, por motivos mais do
> que óbvios, os bancos da escola apenas para hastear a bandeira,
> teatralizar a ordem unida ou frequentar as aulas de moral e cívica é -
> pra dizer o mínimo - hipocrisia.
>
> No dia em que você me apresentar o depoimento de qualquer artista que
> seja que tenha sido "dedurado" pelo Simonal a gente muda o ruma dessa
> prosa. No dia que você me apresentar qualquer vídeo, entrevista ou
> gravação de Wilson Simonal elogiando militares ou a ditadura a gente
> também muda o rumo dessa conversa.
>
> No mais, o que você faz é repassar pra frente a construção mitológica
> de um suposto Judas Scariotes, ou um Joaquim Silvério dos Reis. Muito
> apropriada a essa repetição solene desse modelo historiográfico
> vulgar, fruto da fofocaiada, do "ouvir dizer".
>
> Malhar Simonal, no meu modo de ver, é tudo que a canalha reacionária
> queria naquela época. Me espanta que alguém que se julga de esquerda
> tenha caído numa esparrela dessas.
>
> Simonal era totalmente apolítico. Reacionários, conservadores,
> ultra-direita eram os também excelentes Roberto Silva e Candeia.
> Monsueto tinha um irmão no DOPS, mas não fazia tanto sucesso quanto
> Simonal.
>
> No mais, fazer tributos a Martin Luther King e repetir gestos dos
> panteras negras em show não me parece propriamente um ato reacionário.
>
> Quanto ao livro do Paulo César Araújo ("Eu não sou cachorro, não"), é
> realmente a mais verdadeira e corajosa obra da história da música
> popular nesse país. Obra prima. Para mim, uma bíblia.
>
> Abs,
>
> Eugenio
>
>
>
>
> 2009/6/14 JL Vivas <[email protected]>:
> > Sonia Palhares Marinho escribió:
> >>
> >> REPASSANDO!!!
> >>
> >>
> >>
> >> Sonia Palhares (BsB-DF)
> >>
> >>
> >>
> >>
> >> Amigos,
> >>  Ontem, em entrevista ao Estado de S. Paulo, Caetano Veloso comentou o
> >> polêmico documentário sobre Wilson Simonal e recomendou: "Leia Eu Não
> Sou
> >> Cachorro Não":
> >
> >>  É terrível, porque tem algo como uma caricatura da impossibilidade de
> um
> >> pretinho talentosíssimo, filho de cozinheira, cumprir um destino
> positivo
> >> até o fim."
> >>
> >
> > Terrível foi a ditadura, e os que a apoiaram ou foram coniventes com ela,
> > pretinho ou branquinho, filho de cozinheira ou de marajá. Essas pessoas
> não
> > merecem um destino positivo.
> >
> > JLV
> > _______________________________________________
> > Para CANCELAR sua assinatura:
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>
> ------------------------------
>
> Message: 3
> Date: Mon, 15 Jun 2009 14:29:30 +0200
> From: JL Vivas <[email protected]>
> Subject: [S-C] Simonal por Paulo Vanzolini (O Estadão)
> To: "[email protected]" <[email protected]>
> Message-ID: <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=ISO-8859-1; format=flowed
>
>  Parece que Simonal não era só um grande dedo-duro, mas até se gabava de
> sê-lo.
>
> JLV
>
>
>  Paulo Vanzolini diz que Simonal se gabava de ser 'dedo-duro'
>
> quinta-feira, 4 de junho de 2009
>
> Em entrevista publicada na TV Estadão, compositor acusa músico que teria
> entregue pessoas aos militares
>
> São Paulo - O compositor Paulo Vanzolini acusou em entrevista ao crítico
> Luiz Carlos Merten e ao diretor Ricardo Dias que o músico Wilson Simonal
> "se gabava de ser dedo-duro" da ditadura. "Ele era o maior dedo duro
> mesmo. Não só era como se gabava de ser. "Na frente de muitos amigos
> dizia 'eu entreguei muita gente boa'. Vanzolini critica o documentário
> "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", lançado recentemente. "Essa
> recuperação que estão fazendo do Simonal é falsa. Ele era dedo-duro
> mesmo", completou.
>
>
>
>
> ------------------------------
>
> Message: 4
> Date: Mon, 15 Jun 2009 06:33:52 -0700 (PDT)
> From: Marcelo Neder <[email protected]>
> Subject: Re: [S-C] Por que o músico brasileiro não consegue viver bem
>        do seu talento
> To: [email protected], "haroldo ( Banda da Barra )"
>        <[email protected]>,       Carmen <[email protected]>
> Message-ID: <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=iso-8859-1
>
>
> Carmencita,
>
>
> obrigado pelas palavras e pela excelente informação disponibilizada aqui na
> tribuna. Vou estudar com calma esse assunto.
>
>
>
> Bjão
>
>
> Marcelo Neder
>
> --- Em sex, 12/6/09, Carmen <[email protected]> escreveu:
>
> > De: Carmen <[email protected]>
> > Assunto: Re: [S-C] Por que o músico brasileiro não consegue viver bem do
> seu talento
> > Para: "Marcelo Neder" <[email protected]>,
> [email protected], "haroldo ( Banda da Barra )" <
> [email protected]>
> > Data: Sexta-feira, 12 de Junho de 2009, 20:51
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> > Gente
> >
> > Pego
> > gancho na msg do meu querido
> > Marcelo Neder pra tentar ajudar .... numa das msgs com o
> > titulo desta, se eu
> > nãome engano, houve uma menção aos direitos autorais que
> > não cobririam os
> > interpretes ....
> >
> > Eu não
> > sou música (infelizmente
> > mal sei tocar campainha!), nem sou interprete ... mas, se
> > direitos autoriais
> > garantem o direito do autor, existe um outro instrumento
> > que garante o direito
> > do interprete (aqui entendido quem interpreta tb no
> > instrumento!)
> >
> > O
> > Instituto Mundial de
> > Propriedade Intelectual, a quem o nosso INPI é
> > filiado, define um
> > instrumento chamado Direitos Conexos:
> >
> > Copiei
> > pra vcs a definição
> > deles:
> >
> >
> > O que são direitos conexos?
> > Direitos conexos provêem proteção às
> > seguintes pessoas ou
> > organizações:
> > - artistas
> > intérpretes e executantes
> > (atores, músicos, cantores,
> > dançarinos ou artistas
> > em geral), em razão de suas interpretações ou
> > execuções;
> > - produtores
> > de fonogramas e de
> > gravações sonoras (através
> > de CDs ou fitas-cassetes,
> > por exemplo) quanto a essas gravações; e
> > - empresas de
> > radiofusão, na sua
> > programação de tv e rádio.
> > Algumas vezes, esses direitos também são
> > denominados de
> > direitos vizinhos
> > ou
> > direitos afins.
> > Há alguma diferença entre direitos
> > conexos e direitos de
> > autor?
> > Direitos de autor e direitos conexos
> > protegem diferentes pessoas.
> > direitos de autor protegem autores de obras. Por exemplo,
> > no caso de uma
> > canção,direitos de autor protegem o compositor da música
> > e o criador da
> > letra.
> > No mesmo exemplo, direitos conexos se
> > aplicariam:
> > - aos músicos e ao cantor que interpretam
> > a canção;
> > - ao produtor da gravação sonora (também
> > chamada de fonograma) na
> > qual a música é incluída; e
> > - às empresas de radiofusão que
> > transmitem programas contendo a
> > música.
> > Que direitos são assegurados aos
> > beneficiários de direitos
> > conexos?
> > As leis nacionais divergem quanto à
> > extensão dos direitos
> > conferidos a intérpretes, executantes, produtores de
> > fonogramas e empresas de
> > radiofusão.
> > Diversos tratados internacionais também
> > regulam a matéria, como a
> > Convenção de Roma, o acordo de TRIPS e o Tratado da OMPI
> > sobre Interpretação ou
> > Execução de Fonogramas (WPPT).
> > Intérpretes e
> > executantes, em geral, desfrutam
> > dos direitos patrimoniais de impedir a fixação, a
> > radiofusão e a comunicação ao
> > público de suas interpretações e execuções ao vivo.
> > Algumas legislações
> > nacionais, bem como o próprio Tratado da OMPI sobre
> > Interpretação ou Execução de
> > Fonogramas (WPPT), conferem também direitos de
> > reprodução, de distribuição e de
> > aluguel das suas
> > interpretações ou execuções fixadas em
> > fonogramas, além do s
> > direitos morais de impedir omissões injustificadas dos
> > seus nomes e, ainda, de
> > objetar modificações nas suas interpretações ou
> > execuções incluídas em uma
> > gravação sonora, que possam prejudicar suas
> > reputações.
> >
> >
> > Eu
> > pensei q talvez isto pudesse
> > ajudar a qualificar a discussão e a se tornar um
> > instrumento com o qual os
> > musicos possam passar a tentar mudar a sua
> > realidade.
> >
> > Bjs ..
> > foi só pensando em ajudar
> > rsrs
> >
> >
> >
> >   ----- Original Message
> > -----
> >   From:
> >   Marcelo
> >   Neder
> >   To: [email protected]
> > ; haroldo (
> >   Banda da Barra )
> >   Sent: Friday, June
> > 12, 2009 3:26 PM
> >   Subject: [S-C] Por
> > que o músico
> >   brasileiro não consegue viver bem do seu talento
> >
> >
> > É preciso valorizar todos que fazem parte da profissão
> >   musical.
> > Compositor;
> > Intérprete;
> > Músicos de show;
> > Músicos de
> >   estúdio;
> > Técnicos de som;
> > Roadies;
> > etc...
> >
> > A palavra pra
> >   isso é profissirumentoonalismo.
> >
> > E cá pra nós: dono de bar tem que tomar
> >   uma decisão na vida.
> > Ou vende cerveja ou canta. Fazer os dois é um
> >   desrespeito ao cachê do músico. O músico tem que ser
> > uma atração vantajosa pro
> >   contratante, pois a casa vai encher e ele vai ganhar
> > dinheiro. É até uma
> >   ofensa eu montar um grupo de qualidade pra ter que ficar
> > negociando cachê com
> >   quem vai ganhar dinheiro em cima do meu trabalho. A
> > conversa é a seguinte: é
> >   tanto, vai querer? Não? então tá então. Vou pra casa
> > estudar pra prova de
> >   percepção musical que eu ganho mais... Eu quero ver
> > qual é o médico ou o
> >   advogado que se preze que trabalha tendo prejuízo...
> >
> > Bar não é
> >   trabalho, é escola.
> > O músico que quer ver sua conta de luz paga tem que se
> >   organizar pra visar o palco - palco de verdade, com duas
> > mesas de som de 48
> >   canais uma pra monitor e outra pro P.A. - e o estúdio,
> > não o bar. Isso não se
> >   faz sem estudo.
> >
> > Viver de música representa investimento em pelo menos
> >   quatro coisas:
> > estudo, contatos, instrumentos e transporte.
> >
> > Tem
> >   também aquelas coisas né... Matar um leão por dia,
> > acordar cedo, etc... É um
> >   profissional liberal como outro
> >   qualquer.
> >
> >
> > Abs
> >
> >
> >
> > Marcelo Neder
> >
> > --- Em qui,
> >   11/6/09, haroldo ( Banda da Barra ) <[email protected]>
> >
> >   escreveu:
> >
> > > De: haroldo ( Banda da Barra ) <[email protected]>
> > >
> >   Assunto: [S-C] Re: Por que o músico brasileiro não
> > consegue viver bem do seu
> >   talento
> > > Para: [email protected]
> > >
> >   Data: Quinta-feira, 11 de Junho de 2009, 9:45
> > > Alô amigos,tô de volta
> >   depois de
> > > ver chegar Isabella,morena de olhos azul turquesa.Ja
> >   me
> > > sacanearam dizendo que ela vai ser a "forra da
> > >
> >   rapaziada".Olha só que maldade !!Obrigado`pelas
> > > manifestações de
> >   carinho.Tô de cara inchada.Mas voltando
> > > ao assunto,quero discordar do
> >   Marcelo,de quem sou assíduo
> > > leitor e admirador,mas direito autoral é
> >   para compositor e
> > > não para instrumentista.Acho o caso de difícil
> >   solução
> > > porque ninguém toparia uma paralização geral,por
> > >
> >   exemplo,em busca,no mínimo,do couvert artístico
> > > integral.sem falarmos
> >   no "mínimo garantido",em caso de
> > > chuva forte,etc.O empresário não quer
> >   correr risco,muito
> > > menos ser parceiro,exceto no couvert.Talvez
> >   fiscalizar
> > > possível vínculo empregatício fosse o caminho,se o
> > >
> >   músico fosse fixo na casa.Mas,como tudo no Brasil,tem
> > uma
> > > saída pela
> >   porta dos fundos , o músico é quem paga a
> > > conta.Haroldo(Bandada
> >   Barra)
> > >
> > >
> >   _______________________________________________
> > > Para CANCELAR sua
> >   assinatura:
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> > do
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> ------------------------------
>
> Message: 5
> Date: Mon, 15 Jun 2009 10:59:40 -0300
> From: hecasi <[email protected]>
> Subject: Re: [S-C] Simonal por Paulo Vanzolini (O Estadão)
> To: JL Vivas <[email protected]>
> Cc: [email protected]
> Message-ID: <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=utf-8
>
> O Paulo Vanzolini esta gagá e neurastênico.
> att:
> Helio
>
>
> Em 15/06/2009 09:29, JL Vivas &lt; [email protected] &gt; escreveu:
>
> Parece que Simonal não era só um grande dedo-duro, mas até se gabava de
> sê-lo.
>
>
> ------------------------------
>
> Message: 6
> Date: Mon, 15 Jun 2009 16:59:50 +0200
> From: JL Vivas <[email protected]>
> Subject: [S-C] Simonal - Ninguém sabe o dedo-duro que dei...
> To: "[email protected]" <[email protected]>
> Message-ID: <[email protected]>
> Content-Type: text/plain; charset=UTF-8; format=flowed
>
> Sobre o caso Simonal
>
> Artigo de Carlos Machado, poeta e jornalista
>
> Depois que o Paulo Vanzolini declarou que Simonal se gabava de ser
> dedo-duro, os produtores do filme “Ninguém Sabe o Duro Que Deiâ€
>  (segundo
> Jânio de Freitas, falta a palavra 'dedo' aí nesse título), deram uma
> resposta. Eles retrucaram ao Vanzolini citando Chico Anysio: que apareça
> alguém mostrando que foi preso por ação do Simonal.
>
> Ora, para quem viveu e sofreu a ditadura, isso é uma bobagem. Nem todo
> mundo que delatou está registrado. Não era de esperar, mesmo, que
> Simonal integrasse os quadros do Dops, no sentido de ser um informante
> assalariado. Ele era tão ou mais famoso que o Roberto Carlos. Acho mesmo
> que fazia mais barulho do que RC. Se foi informante, era um que escolheu
> essa condição, sem paga.
>
> Mas o grande pecado do filme e de toda a imprensa que usa o episódio
> Simonal para investir contra uma fantasmagórica "esquerda" ou a "falta
> de coragem da classe artística" é não citar os fatos.
>
> Eis os fatos. No julgamento civil (é bom citar esse adjetivo, já que o
> país estava sob uma ditadura militar), Simonal levou como suas
> testemunhas de defesa um oficial do I Exército e um policial do Dops. O
> primeiro disse que o cantor era "colaborador das Forças Armadas". O
> outro declarou, com todas as letras, que Simonal era informante do Dops.
> Pior ainda: que Simonal fornecera "informações positivas sobre colegas
> subversivos" (Ruy Castro, em texto citado mais abaixo). Ou seja: era um
> informante de resultados: não apenas dava o serviço como tudo se
> comprovava.
>
> Em outras palavras, isso significa que o esperto Simona queria usar o
> peso dos "homens" para livrar a cara do processo em que se envolveu, sob
> a acusação de seqüestro e tortura de seu ex-contador. Ou, em outra
> suposição, os "homens" o instruíram a assumir essa postura para salvar a
> pele deles, policiais, já que usaram o Dops para assuntos "estranhos ao
> serviço". Eles e o cantor fizeram uma tremenda trapalhada, indefensável
> perante os chefes da repressão.
>
> A manobra não deu certo. Primeiro, porque Simonal foi condenado a cinco
> anos de prisão. Está bem, cumpriu somente alguns dias, mas foi
> condenado. Depois, porque, com isso, tornou públicas suas relações
> altamente questionáveis com torturadores e afins. Além disso, assim
> confessou publicamente, e em juízo, que era dedo-duro. Meteu-se numa
> sinuca de bico. O lado popular (trabalhadores, intelectuais, estudantes,
> artistas etc.) naturalmente repudiava os delatores. E o lado que ele
> escolheu não lhe serviria muito a partir de então. Os "homens" não
> poderiam forçar os produtores de espetáculos a contratá-lo, se o
> público
> não estava mais a fim de ouvir um dedo-duro. Além disso, a confusão
> perpetrada no Dops também não interessava à repressão. Simonal ficou
> sozinho no meio da rua.
>
> A notícia do que rolou no processo saiu nos jornais. Então o Pasquim -
> publicação de humor e crítica à ditadura - começou a tirar sarro do
> Simonal, com charges centradas em sua condição de dedo-duro. Alguns
> falam que o Pasquim "acusou sem provas". Provas? Mas o sujeito, ele
> mesmo, não se gabava de ser dedo-duro? Os amigos dele não foram lá e
> confirmaram suas bravatas?
>
> ***
>
> Mas temos de considerar as trágicas ironias dos regimes de exceção. Até
> aceito que Simonal não fosse exatamente um dedo-duro. Era um cara com
> idéias do lúmpen-proletariado, deslumbrado pelo poder. Poder, poder. E
> como os fardados e os torturadores eram os senhores da situação, ele - o
> grande vencedor das platéias, dono de contratos milionários de
> publicidade com a Shell - também se sentia um deles. Eis por que se
> jactava de estar com os homens. O cara não tinha a menor consciência
> social.
>
> Nesse delírio de poder, ele cultivava "aquelas" amizades e resolveu dar
> uma lição no contador, a quem acusava de desfalque. Os amigos dele
> levaram o contador para "acertar as contas" no Dops. Torturaram o homem.
> Ameaçaram pegar a família dele. Forçaram-no a confessar o roubo.
> Eles pensaram que, com o poder que tinham, iria tudo ficar por isso
> mesmo. Só que a mulher do contador - um viva às mulheres! - praticamente
> forçou-o a dar queixa na polícia. Aí começou o fim do Simonal.
>
> Com o processo civil que se formou, os jornais divulgaram os fatos.
> Afinal, o homem era hiperfamoso. Como a coisa fugiu do controle, é
> provável que os amigos - para livrar a própria cara e a do Simonal -,
> devem ter orientado o cantor a dizer que era informante. O tonto topou e
> levou testemunhas "idôneas" para provar isso. Pior ainda: numa
> comprovação "inequívoca" de que era mesmo informante, disse que o
> contador era "subversivo". O objetivo disso seria justificar a fato de o
> sujeito ter sido levado para as dependências da polícia política - não
> podia ser para resolver uma questão pessoal.
>
> ***
>
> Mesmo com a hipótese de Simonal não ter sido exatamente um dedo-duro, as
> coisas não ficam "limpas" para ele.
>
> Além disso, levanto uma hipótese - que ninguém nunca levantou. Está
> bem:
> o cara ficou com a mão na cumbuca ao declarar em juízo que era
> dedo-duro. Mais uma vez, admitindo que ele não fosse, é claro que ele
> não poderia negar isso durante a ditadura. No entanto, depois de 1985,
> ele teve plenas condições de contar tudo. Não o fez. Ficou, o tempo
> todo, dizendo que não era dedo-duro. E só. Nunca revisitou os fatos,
> esclarecendo-os.
>
> Se ele realmente estivesse interessado em livrar-se da pecha de
> dedo-duro, teria feito isso, entrando nos detalhes. Seria o papel dele
> fazer um detalhado mea-culpa, reconhecendo que na época era um parvo,
> não percebia o que estava acontecendo e não percebeu sequer que tudo
> aquilo poderia prejudicá-lo seriamente.
>
> Então diria: de fato, fiz isso, isso e isso. Dei a entender que teria
> feito isso, isso e aquilo. Mas essas outras coisas a mim atribuídas não
> eram verdadeiras, por isso, isso e isso. Ou seja: ele já estava tão
> queimado que só o tim-tim-por-tim-tim poderia ajudá-lo em alguma coisa.
>
> Mas ele nunca fez isso. Em favor dele, pode-se lembrar que, depois de
> 1985, talvez ele já estivesse muito prejudicado pelo álcool, que afinal
> o levaria à morte, e não tinha coordenação para defender-se.
>
> De todo modo, ele não se defendeu convenientemente.
>
> Tenho aqui nas mãos o volume (livreto e disco) da "Coleção Folha" 50
> Anos de Bossa Nova - Wilson Simonal. O texto do livreto é de Ruy Castro.
> Eis dois trechos do jornalista e biógrafo:
>
> - Simonal apresentou-se para se defender e, talvez para se garantir,
> confessou-se "de direita", partidário dos militares no poder.
>
> - Seu nome desapareceu da mídia, suas platéias idem e quase todos os
> amigos também. Exceções: Miéle e Bôscoli, Elis Regina, Nelson Motta,
> Carlinhos Lyra, Caetano Veloso, Laurinha e Abelardo Figueiredo, poucos
> mais. Eles "sabiam" que Simonal era inocente - não podiam imaginá-lo
> roubando tempo de sua sarabanda de shows, louras e carros para
> fiscalizar a ideologia de colegas, assunto de que, de resto, não
> entendia nada. Mas esses amigos se queixam de que nem a eles Simonal se
> explicou direito.
>
> Ou seja, Simonal poderia ter:
>
> 1. contado a esses amigos o que realmente aconteceu;
>
> 2. contado em detalhes aos filhos;
>
> 3. convocado a imprensa e contado tudo, alegando sua inocência;
>
> 4. pedido a ajuda de alguns dos amigos influentes e escrito um livro;
>
> 5. gravado um áudio ou vídeo caseiro contando tudo;
>
> 6. admitido os próprios erros, gravando uma fita e determinando que só
> poderia ser executada X anos após sua morte.
>
>
> Ele nunca fez nada disso. Apenas repetiu que era inocente. Certa vez foi
> ao Jô Soares e, ao tratar do assunto, comportou-se como quem tinha algo
> a esconder, e não a esclarecer.
>
> Tudo que não fosse a verdade detalhada só jogaria contra o cantor.
> Sempre soaria como: "o cara tem culpa no cartório", tem algo a esconder.
>
> Em suma, discordo respeitosamente dos filhos dele quando propõem que o
> assunto Simonal se deve reduzir ao grande artista que ele foi. Se eu
> fosse filho dele, talvez também fizesse as mesmas coisas em favor da
> memória de meu pai. Mas fatos são fatos. Obter da OAB um
> documento dizendo que não há registro de alguém ter sido preso por
> delação de Simonal - isso não basta para salvar a reputação do cantor.
> Muita gente entregou pessoas à repressão sem que isso ficasse registrado
> nos documentos da ditadura. Documentos esses que até hoje não são
> conhecidos na sua integridade, sem contar o que os militares,
> decretadamente, destruíram.
>
> Com isso, discordo também dos produtores do filme.
>
> Aliás, há outra gravíssima consideração a fazer: Simonal foi a única
> pessoa, em toda a história da ditadura militar (1964-1985), a revelar
> publicamente que era dedo-duro. Isso é terrível, mesmo que não seja
> verdade.
>
> O cantor foi vítima de sua própria arrogância e falta de consciência
> social e também, claro, da ditadura. Num momento de democracia, esse
> imbróglio (admitindo que ele não era, pura e simplesmente, um delator)
> não poderia ter acontecido.
>
> Agora, a imprensa trata do assunto como se 1971 fosse 2009. Sem a
> perspectiva histórica, é impossível entender essas coisas. Lembre-se,
> por exemplo, que o simples fato de acusar falsamente o contador de
> subversivo poderia levar à morte do acusado. Em 1975, Vladimir Herzog,
> jornalista, com emprego e endereço conhecidos, entrou voluntariamente no
> Dops de São Paulo para atender a uma intimação. Não sobreviveu para ver
> nascer o dia seguinte.
>
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> Fim da Digest tribuna, volume 75, assunto 20
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