JLVivas:

 

 

Conheço o Deputado Antônio Carlos Biscaia há muitos anos. Ele foi meu 
coordenador de estágio na faculdade de Direito no Rio de Janeiro, nos idos de 
1983/1984. É um profissional seríssimo, posso afirmar sem medo de errar, aliás, 
estive com ele hoje durante o depoimento do Ministro Carlos Minc na Comissão de 
Segurança Pública da Câmara dos Deputados - da qual o Biscaia é membro titular 
-, onde o Minc foi falar sobre a sua participação na Marcha da Maconha no Rio. 
Para mim a versão contra o Simonal ganhou mais força, infelizmente.

 

 

Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)

 


 
> Date: Tue, 16 Jun 2009 17:35:24 +0200
> From: [email protected]
> To: [email protected]
> Subject: [S-C] Procurador diz que tapetão ajudou Simonal
> 
> 
> [1]Procurador diz que tapetão ajudou Simonal
> 
> Ter, 26/05/09
> 
> por Paulo Moreira Leite |
> 
> categoria [2]Geral
> 
> | tags [3]Cinema, [4]história, [5]memória
> 
> Apareceu um novo testemunho para animar as discussões em torno do filme
> “Wilson Simonal — Ninguém sabe o duro que dei.�
> 
> Um ponto importante do documentário foi o episódio em que ele mandou
> torturar seu próprio contador, para forçá-lo a confessar que havia dado um
> desfalque em suas finanças.
> 
> Como sabe quem já viu o documentário, este caso marcou uma virada terrível
> na vida de um cantor até então popularíssimo, de reputação imaculada.
> 
> A partir daí a carreira de Simonal entraria em declínio permanente, que só
> seria interrompido com sua morte, aos 62 anos, em 2000.
> 
> Foi naquele momento dramático, em 1971, que apareceram as supreendentes
> ligações de Simonal com agentes do DOPS e com os órgãos de repressão, 
> que o
> levaram a ser acusado de dedo-duro em vários órgãos da imprensa da época.
> 
> Apoiado em vários depoimentos, o documentário contesta essa versão e
> sustenta que as únicas vezes em que Simonel fez o papel de dedo-duro foi no
> momento em que acusou falsamente seu contador de desfalque e, depois, de ser
> terrorista e ameaçar sua família.
> 
> Conversei com o atual deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que era um
> jovem promotor de Justiça nos anos 70.
> 
> Ele fez a denúncia contra Wilson Simonal, seu motorista e três agentes do
> DOPS, a quem acusou do crime de extorsão. O motorista e os
> agentes sequestraram o contador que, para escapar de uma violência sem fim,
> assinou uma confissão falsa onde dizia o que lhe pediam — mas depois tomou 
> a
> iniciativa de denunciar o caso à polícia.
> 
> Num primeiro momento, o contador foi torturado na empresa de Simonal. Em
> seguida, foi levado para uma dependência dos órgãos de segurança no Alto 
> da
> Boa Vista, onde passou uma noite sendo massacrado.
> 
> Biscaia não foi ouvido no documentário mas tem muito a dizer sobre o caso.
> 
> “As provas eram tão claras que todos foram condenados a cinco anos de
> prisão,� recorda-se. “Não havia como negar o que havia acontecido. Até 
> um
> zelador do prédio do escritório de Simonal viu o contador todo machucado.�
> 
> O julgamento e a condenação envolviam um ídolo popular e deixaram o país 
> em
> estado de choque. O juiz, que vinha de uma família de militares, era
> insuspeito de qualquer antipatia prévia pelos acusados e definiu uma pena
> dura. Todos sairam do tribunal para a prisão mas ficaram pouco tempo atrás
> das grades.
> 
> A defesa de Simonal entrou com recurso, pediu relaxamento da prisão e eles
> puderam ir para casa. Mais tarde, em novo recurso, a defesa conseguiu que,
> num tribunal superior, a pena fosse rebaixada para um crime muito mais
> brando, constrangimento ilegal, que prevê pena de apenas seis meses de
> prisão. Como esse prazo já havia sido vencido, o caso foi considerado
> prescrito e encerrado.
> – Mas então o tapetão beneficou o Simonal, perguntei.
> – É isso, diz Biscaia.
> 
> Ele conta que, antes do julgamento, foi procurado em duas ocasiões por um
> cidadão que se identificou como emissário do Exército e lhe disse que a
> Força acompanhava o caso de perto. “Ele me pediu para examinar o caso com
> muito cuidado, pois envolvia uma pessoa de sua confiança� conta Biscaia. O
> julgamento envolveu cinco pessoas mas essa “pessoa� nunca foi identificada
> pelo emissário militar.
> 
> Quase quatro décadas depois, o promotor interpreta o fato como um recado de
> que o regime militar, que vivia sua fase mais bruta, não tinha o menor
> interesse de o caso fosse em frente, muito menos que aqueles réus fossem
> condenados. Entre os acusados, encontrava-se um policial que, nos anos
> seguintes, seria personagem frequente nas listas de torturadores divulgadas
> por presos políticos.
> 
> References
> 
> 1. 
> http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2009/05/26/procurador-diz-que-tapetao-ajudou-simonal/
> 2. http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/category/geral/
> 3. http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/tag/cinema/
> 4. http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/tag/historia/
> 5. http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/tag/memoria/

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