Bom dia a todos,
Esta é minha primeira postagem na Tribuna, e o assunto me interessa por uma
série de motivos. Eu gostaria de conhecer melhor a história deste processo
que é a profissionalização do músico, por uma curiosidade acadêmica. Mas o
pouco que conheço (dessa história e de música, já que sou não mais que um
amador) me faz pensar que essa questão deveria ser toda repensada mesmo, mas
é uma pena que a iniciativa tenha que ter partido de cima pra baixo, e não a
partir de um movimento dos próprios músicos.
Me parece que isso já foi assim quando da criação da OMB ou da
regulamentação da profissão. Esse paternalismo de dizer quem pode ser
considerado músico e qual a formação necessária para isso me parece
exagerado para os dias de hoje, mas é lamentável que os próprios músicos
nunca tenham promovido um debate consistente sobre isso. Essa
institucionalização toda me lembra um modelo fabril, de operários
sindicalizados e coisa do tipo, o que os músicos nunca foram (parece).
Precisariam ou deveriam ser? É uma pergunta que eu ainda sou incapaz de
responder. Não se consegue agremiar uma "classe" de músicos nem para debater
questões de seu interesse imediato ($) como a questão dos direitos autorais
ou questões afins...
Sobre o diploma de jornalismo, meu pai foi jornalista a vida inteira sem ter
feito faculdade para isso: o diploma não era exigido quando ele começou, e
quando essa exigência passou a existir, reconheceram ao menos que quem já
tem "quilometragem" teria condições pressupostas de exercer a profissão
(seria como um título honoris causa ou por notório saber). É uma
possibilidade...
Quanto a tirar empregos... bom, aqui estamos basicamente falando de bares e
restaurantes, certo? Porque ninguém vai querer chamar um "metido" para
gravar em estúdio, para acompanhar um artista, etc, a não ser que tenha sua
competência reconhecida. Acho que há muitos campos em que os diletantes não
têm acesso tão fácil, e isso vai continuar com ou sem a regulamentação
(talvez essa desregulamentação crie sim problemas em termos de relações
trabalhistas, mas é outra história). Mas tocar em bares/botecos é uma boa
maneira de um amador se tornar músico de verdade: praticando, trocando
experiências, vivenciando o ofício, construindo uma reputação... Acho que é
uma grande escola. Talvez haja alguma maneira de conciliar esses níveis
muito diferenciados de familiaridade com a música...
Abraços a todos, e é um prazer participar deste fórum!
Marcos Virgílio da Silva

2009/7/16 Remo Pellegrini <[email protected]>

> isso já foi muito discutido mas nunca chegamos num acordo
>
> há, sim, músicos muito bons que não precisaram de estudo acadêmico.
> intuitivos, desenvolveram bem seus trabalhos e têm o direito.
>
> além disso, se um boteco contrata o metido por 3 reais, é dele que o boteco
> precisa. não é de mim. se não contratá-lo, eles não vão me contratar por 200
> e não é a minha música que eles querem. então o "metido" é o profissional
> ideal para o estabelecimento.
>
> imagine se obrigassem que todos os motoristas fossem profissionais. nós -
> não taxistas, motoristas de ônibus etc - somos "metidos" por dirigirmos
> nossos carros. estamos tirando trabalho de alguém que vive disso cada vez
> que vamos de carro ao supermercado.
>
> Artur, em 23 anos de profissão, eu nunca achei que estava perdendo trabalho
> porque alguém pegou um violão e saiu tocando num boteco. e me parece que
> quem defende a manutenção da Ordem se preocupa mais com o status que lhe
> concede a instituição. posso estar enganado, mas é o que parece.
>
> eu só preciso tocar pra mostrar que sou músico
>
> um abraço
> Remo
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