Ontem a TVE apresentou um documentario sobre os compositores do Imperio Serrano. A unica escola de Samba que ainda me desperta algum interesse. A historia do menino de 47 é recheada de preciosidades. Considero o samba Herois da Liberdade, nao apenas um dos melhores sambas enredos, mas sim umas das melhores cancoes populares desse pais. Ela faz uma narrativa seguindo uma ordem cronologica sobre a luta pela liberdade no pais, passando pela escravatura, independencia e ditadura militar . Obrigando aos compositores mudarem a letra do samba , ja que o samba era contemporaneo a ditadura. O trecho.
"É a revolução em sua legítima razão" precisou ser mudado para "É a evolução em sua legítima razão" No youtube encontrei essa interpretacao muito interessante da Maria Rita, que preserva a ideia original dos mestres do Imperio. http://www.youtube.com/watch?v=NtgT7Mb6fhE Samba, ó samba Tem a sua primazia Em gozar de felicidade Samba, meu samba Presta esta homenagem Aos heróis da liberdade Passava noite, vinha dia O sangue do negro corria Dia a dia De lamento em lamento De agonia em agonia Ele pedia o fim da tirania Lá em Vila Rica Junto ao largo da Bica Local da opressão A fiel maçonaria, com sabedoria Deu sua decisão Com flores e alegria Veio a abolição A independência Laureando O seu brasão Ao longe soldados e tambores Alunos e professores Acompanhados de clarim Cantavam assim Já raiou a liberdade A liberdade já raiou Essa brisa que a juventude afaga Essa chama Que o ódio não apaga pelo universo É a revolução em sua legítima razão Samba, ó samba Tem a sua primazia Em gozar de felicidade Samba, meu samba Presta esta homenagem Aos heróis da liberdade Ô, ô, ô, ô Liberdade senhor! Triste é pensar que a historia da liberdade nesse pais, acabou se degenerando e hoje vivemos cercados pela libertinagem. É so olhar para nossas representaçoes politicas. Pensar que nas grandes cidades, parcelas significativas da populacao vivem citiadas em regioes onde o poder é divido pelo narcotrafico ou milicias com direito a impor toque de recolher. Onde todos estao expostos a gripe da apatia coletiva, transmitida atraves dos nossos virulentos meios de comunicacao de massa. Enfim: Desculpem o desabafo, mas ontem foi dificil assistir Collor no seu discurso em defesa de Sarney, baixando a bola do Pedro Simon na TV Senado. Se gritar pega ladrao nao fica hum meu irmao. Nao pensem que defendo qualquer regime radical islamico, qualquer tipo de censura ou regime totalitario. Muito pelo contrario, mas o texto que vou colocar abaixo, mostra a visao de um artista, oriundo de uma nacao que clama por maior liberdade. Cineasta iraniano Abas Kiarostami “No Ocidente, quando me perguntam sobre a censura no Irã, fico ofendido. Acham que somos um país de terceiro mundo com um tipo de censura inacreditável e que trabalhamos em condições terríveis. Mas quando penso sobre isso, concluo que sempre tivemos de enfrentar o problema da censura, não apenas como cineastas, mas como cidadãos iranianos. Sempre tivemos censura. Começa em nossas família, quando não podemos dizer aquilo que pensamos porque nossos pais decidem o que é certo e o que é errado para a gente. Há, nas escolas, disciplinas ainda mais rígidas - todo tipo de censura educacional. E assim é até que encontremos um espaço em nossas profissões - a profissão do cineasta, por exemplo. Então, na minha cabeça, a censura não é algo que nos perturba terrivelmente, porque encontramos uma maneira de evitá-la. Para falar a verdade, a nação aprendeu como lidar com ela,e nós, como cineastas, como quaisquer outros profissionais, aprendemos como contornar qualquer força impositiva e de certa maneira fazer o que queremos. Isso é uma realidade. Especialmente em nosso caso, o cinema é o meio de expressão de um diretor. E quanto mais um cineasta se sente pressionado por conta da natureza de seu trabalho, tanto mais ele se sente forçado a encontrar soluções melhores e encontrar novos meios de expressão. Tenho um amigo arquiteto que sempre fala que alguns dos terrenos em que construiu nos últimos 20 anos eram bastante irregulares. Toda vez que lhe pedem para apontar os prédios que desenhou,ele menciona os que foram construídos nesses terrenos porque as áreas estavam fora dos padrões, o que o forçou a encontrar soluções criativas para usá-las. Foi assim que conseguiu fazer algo de original. No que respeita a filmes ou à arte em geral, é verdade que a arte nasce da dificuldade ou das circunstâncias desfavoráveis do artista. Digo isso com muita cautela, especialmente quando fora do Irã, pois acho que posso estar justificando restrições ou dizendo que a censura não é um problema. As pessoas podem pensar que falo essas coisas por medo, ou talvez por conta de uma atitude favorável que tenho em relação ao meu país e a seu governo. Quando estou fora de meu país, não quero ouvir comentários depreciativos acerca dele. Acho que, mesmo que tenhamos censura no Irã, nós é que devemos lidar com isso. Como dizia o meu pai, se quebrar a cabeça, é melhor que a quebre no seu chapéu. Não devemos falar sobre isso fora de nosso país porque não há vantagem nenhuma nisso - ninguém pode desfazer nossos nós ou resolver nossos problemas. Por essa razão, nunca falo sobre censura fora do Irã, especialmente para repórteres estrangeiros. Geralmente, retruco: vocês também não têm censura? O governo censura, mas também dá assistência financeira. Por conta da reação positiva que tenho tido nos últimos anos em minha vida profissional e pessoal, costumo dizer que não tenho tido problemas com a censura.” flw Fabio Padilha(gangaz)
_______________________________________________________________________________ Agenda do Samba & Choro http://www.samba-choro.com.br Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia os Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos
