Reproduzo aqui uma parte da discussão sobre o filme do Leon Hirszman,
escrevi no dia 26.02.2002 o seguinte:
"Ontem fui assistir ao filme "O Quarto do Filho" do Nani Moretti, antes foi
exibido o curta-metragem em preto e branco do Leon Hirzman sobre Nelson
Cavaquinho que o César Miranda já havia comentado por aqui. Que
decepção!!!
Esse filme em nada faz jus a obra reconhecidamente de qualidade do Leon
Hirszman, é um amontoado de imagens colhidas, provavelmente, no morro da
Mangueira onde mostra um Nelson Cavaquinho alcoolizado, tropeçando nas
palavras, com a voz embargada, com uma aparência física absolutamente
decadente, sempre nos bares rodeado de "biriteiros", completamente sem pé
nem cabeça.
O filme não tem roteiro, não tem nenhuma amarração, chega ao cúmulo de
registrar uma imagem onde alguns adultos dão cerveja para duas crianças
com menos de 3 anos beber, sem contudo fazer qualquer crítica aquele
procedimento..., Nelson ainda canta alguns de seus sucessos.
O único mérito do filme é mostrar - denunciar - a situação absolutamente
precária em que vivia Nelson Cavaquinho lá em Mangueira, uma casa suja,
um colchão todo rasgado, enfim, um lugar em péssimas condições para
qualquer ser humano morar - o que não é novidade no Brasil.
Quem não conhecia a obra de Nelson Cavaquinho, saiu de lá sem quase nada
conhecer, o filme nada acrescentou, parecia que Leon havia
simplesmente pego uma câmera e saído registrando imagens sem sequer
editá-las depois, tal a precariedade do curta.
Aqui em Brasília esse curta-metragem está sendo exibido no Cine Academia
II (na Academia de Tênis, lá mesmo onde se hospedava aquela corja de gente
desclassificada que "assessorava" Fernando Collor de Mello), porém é um
lugar que está sendo reconhecido na cidade por exibir sempre filmes de
qualidade (são 5 salas de cinema), filmes não convencionais ou pouco
comerciais..., acho que por isso, por ter uma audiência tão qualificada, o
tal filme não levou uma sonora vaia. Merecia.
É isso! "
Paulo Eduardo perguntou:
>Vi o filme há algum tempo e não lembro de nada que depusesse contra
>ele. E nem mesmo lembro de nada que fosse experimental. Não quer ser
>mais explícita no que é ruim?
Eu mesma respondi:
"Posso ser mais explícita sim, o filme é experimental na narrativa, ou na
ausência de, não diz a que veio, não contribui para a elevação da obra
do Nelson Cavaquinho, só contribui para afastar quem não o conhece ao
mostrar que ele era apenas um alcóolatra e não um grande e magnífico
compositor, as cenas são interligas sem nenhum sentido dentro da suposta
narrativa, é apenas um amontoado - torno a repetir - de imagens
registradas aleatóriamente Um filme começa a ser bom pelo roteiro,
inexistente no caso.
Parece aquelas coisas do cinema novo - que produziu muita coisa boa, mas
colocou nas telonas também muito lixo -, a tal de "uma câmera na mão e uma
idéia na cabeça", só vi a câmera, não consegui "captar a tal idéia".
Leon era muito melhor que aquilo, quem dirigiu "Eles não usam black-tie" e
"São Bernardo" não poderia "cometer" algo assim.
Nelson Cavaquinho não merecia ser mostrado apenas como alcóolatra - que
todos nós sabemos que ele era -, mas era dispensável, sua obra é muito
maior que isso, e se era alcóoltra - o que é uma doença - deveria,
minimamente, ser dito o que o levou a isso.
Saí muito triste do cinema, achei o filme um horror!"
Abraços Sonia Palhares
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