Gabriel, se a São Clemente não apresentou o enredo da maneira como foi 
noticiado, é simples, basta dizer como foi mostrado então...
 
E não vale falar que durante quinze anos a São Clemente foi a única...

Primeiro porque não é verdade, quase todas as escolas grandes do Grupo Especial 
já tiveram seus momentos de protesto...

Império Serrano, Caprichosos, Portela (briga oi, eu quero briga...), 
Mangueira,quase que  todas, mesmo as ligadas à cupula da contravenção, 
dependendo do gosto do carnavalesco, tiveram seu momento de crítica social.

Que dizer de ratos e urubus, larguem minha fantasia, do Joãozinho Trinta, o 
carnavalesco mais contestado por fazer sempre sambas apologéticos...

Mas a mesma Beija Flor que fez largue minha fantasia conseguiu transformar 
Brasília em Disneylandia, a mesma Caprichosos que já fez enredos super sociais, 
nos últimos anos entrou na onda dos enredos patrocinados.

Ninguém aqui vai contestar a coragem e a beleza dos enredos históricos da São 
Clemente, mas é falácia de autoridade usar o passado para justificar uma 
comissão de frente de Guardas Municipais, talvez o símbolo mais truculento da 
nossa cidade e do choque de ordem...

Eu, por exemplo, tive arrepios ao ver a Portela com seus diretores de harmonia 
fantasiados de guardas, representando que a paz vem através do porrete, ou que 
a harmonia social nas favelas vem através do Bope.

Com todo respeito à maravilhosa São Clemente, se o enredo dela não foi este, 
basta você contestar.
Mas a Sinopse dada pela própria escola entrega o enredo como chapa branca: sic:

Comissão de frente: Choque de Ordem na Folia. Policiais colocam ordem no 
Carnaval.

Abre-alas: Saudades do Rio. Copacabana saudosa dos anos de 1950.

Baianas: Praia de Copacabana. Com uma proposta mais divertida para as baianas, 
usando bóias e toca de mergulho na fantasia.

Segundo setor: Ações da prefeitura na cidade, com guardas de trânsito
multando infratores e a construção ilegal ganham espaço neste setor.

Na boa, se isto não é enredo chapa branca, não sei mais o que é enredo chapa 
branca...

Ainda prefiro a São Clemente de...

Pequenino, triste como um cão sem dono, 
tão cansado de viver e de sofrer por aí perambulando, 
Não teve sorte, seu berço não foi de ouro
Seu pai não teve um tesouro, 
È triste sua vida a vagar
Seu moço dê-me um troco eu quero comer um pão
Sou menor abandonado neste mundo de ilusão (...)

A São Clemente lembrou do seu existir
Somos capitães de asfalto na Sapucaí.
Mas, 

Abraços, Visite minha página pessoal: http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto

--- Em sex, 19/2/10, Gabriel Gomes <[email protected]> escreveu:

De: Gabriel Gomes <[email protected]>
Assunto: Re: [S-C] O Carnaval da Elite... E olha que a São Clemente já foi a 
voz dos oprimidos!
Para: "Roberto Ponciano" <[email protected]>
Cc: "André - Openlink" <[email protected]>, "CIDAO" 
<[email protected]>, "tribuna" <[email protected]>
Data: Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010, 18:50

A São Clemente é há muito tempo a única escola que tem coragem de colocar na 
avenida a crítica social e política. A escola vem fazendo isso frequentemente 
nos últimos 15 anos e sempre foi reconhecida pelos seus enredos irreverentes.

Como é que me vem um PALHAÇO desses escrever esse bando de baboseiras? O que o 
Bethlem tem a ver com a São Clemente, meu deus? O retardado ainda faz questão 
de frisar que não assistiu o desfile.


Esse tá no caminho certo pra conseguir um emprego de comentarista de carnaval 
na Globo. Não entende merda nenhuma de samba, não conhece a história das 
escolas de samba mas enche a boca pra julgar um desfile que sequer viu.


Maldita inclusão digital, viu?
Aquele abraço,Gabriel Gomes


2010/2/19 Roberto Ponciano <[email protected]>


Texto publicado na internet sobre a exaltação ao Choque de Ordem que a
São Clemente levou à passarela, lhe garantindo a hostilidade do público
presente e o primeiro lugar do grupo de acesso.

Em tempo, é provável que o "xerifão" Rodrigo Bethlem, queridinho da
Globo, venha candidato nas próximas eleições, segundo o próprio jornal
O Globo, que em tom de campanha aberta exalta os "feitos" do Choque de
Ordem comandado por Bethlem. Em tempos de censura privada, a repressão
é exaltada e o resultado é previsível. Aproveito para lembrar a lição
de Marildo Menegat, sobre a barbárie institucionalizada que vemos por
aí: Parece que hoje o estado de exceção é o que mais se legitima, mesmo
na ordem eleitoral. Quando a truculência é o que mais garante
legitimidade na política, talvez não haja mais nada a ser legitimado. O
governo que governa pela truculência está fadado a cair, mais cedo ou
mais tarde. A eleição de Rodrigo Bethlem seria, assim, mais um passo
rumo à barbárie.



O ENREDO CHAPA-BRANCA DA SÃO CLEMENTE

Aos poucos vamos voltando com a nossa programação normal. E, de saída,
registramos o fato mais lamentável deste Carnaval. Verdadeira
palhaçada, o primeiro lugar da São Clemente (aqui) marcou de forma
negativa os desfiles do grupo de acesso na Marquês de Sapucaí. A escola
de Botafogo, zona sul carioca, exaltou o "choque de ordem" da
Prefeitura do Rio. Um enredo chapa-branca, escandalosamente elaborado
para satisfazer interesses políticos. Quanto custou aos cofres públicos
o desfile da São Clemente? Quem acha a pergunta capiciosa deveria
ponderar sobre a possibilidade de uma escola pequena receber apenas uma
nota -- repito, apenas uma! -- abaixo de 10: um generoso 9,7 no quesito
mestre-sala e porta-bandeira.

.

Não assisti o desfile mas, segundo testemunhas oculares, a São Clemente
foi recebida com frieza pelas pessoas nas arquibancadas e houve até
mesmo um princípio de vaia. A comissão de frente -- uma das mais
nojentas da histórias do Carnaval -- veio formada por guardas
municipais estilizados, carregando escudos de aço e distribuindo
cacetadas em um apavorado trio formado por arlequim, pierrô e colombina.

.

Uma ala abjeta representou o prefeito, subprefeitos e secretários da
cidade, apresentando- os como xerifes legais. Outra chamava a atenção
com meninos de rua trazendo latas de cola e cobertores nas mãos. Na
sinopse do enredo distribuída ao público, a ala era definida assim (os
grifos são meus): "Um dos focos principais da política da prefeitura,
meninos e meninas de rua são acolhidos e recebem o amparo amoroso desse
ordenamento" .

.

A São Clemente desceu da seguinte forma (notem o absurdo escancarado em alguns 
setores da escola):

.

Comissão de frente: Choque de Ordem na Folia. Policiais colocam ordem no 
Carnaval.

Abre-alas: Saudades do Rio. Copacabana saudosa dos anos de 1950.

Baianas: Praia de Copacabana. Com uma proposta mais divertida para as baianas, 
usando bóias e toca de mergulho na fantasia.

Segundo setor: Ações da prefeitura na cidade, com guardas de trânsito
multando infratores e a construção ilegal ganham espaço neste setor.

Segundo carro: República do Gato. Gato de luz, gato de TV e o gato de
rádio podem ser observados na alegoria que traz uma favela.

Terceiro setor: A escola faz algumas referências de enredos antigos da
agremiação, como o Boi com Abóbora e rainhas de bateria com olho roxo.

Terceiro carro: O Samba Sambou. Um ringue de boxe com duas rainhas de
bateria se agredindo ilustram este carro. Há também um roqueiro tocando
tamborim e um sambista tocando guitarra.

Quarto setor: Saudade do Rio. Relembra os personagens de antigos carnavais, com 
a figura do bonde.

Primeiro casal de mestre-sala: O Sol do Rio de Janeiro.

Bateria: Xerifes do Choque de Ordem.

Quarto carro: O Bonde São Clemente. Aborda os carnavais antigos.

Quinto setor: O Samba Virou Hollywood. O último setor da escola fez
referências às mazelas do carnaval atual, repleto de estrelas e
celebridades.

Quinto carro: O Carnaval Virou Hollywood. A São Clemente afirma que o
carnaval virou Hollywood. Nesta alegoria estará o personagem do enredo,
o gari Renato Sorriso, representando o povo.

Passistas: Na companhia de Renato Sorriso, os passistas masculinos e femininos 
da São Clemente vieram vestidos de garis.

.

Segundo a pesquisadora Eneida, em seu livro História do Carnaval
Carioca, "parece que uma das características do Carnaval é dar aos
escravos de qualquer época o direito de criticar os seus senhores". A
São Clemente fez o contrário e assumiu a atitude anti-carnavalesca mais
explícita de que se tem notícia. Reacionário e servil são adjetivos
aplicáveis ao que apresentou na avenida.



http://botequimdobr uno.blogspot. com/2010/ 02/o-enredo- chapa-branca- 
da-sao-clemente. html



http://oglobo. globo.com/ rio/mat/2010/ 02/16/rodrigo- bethlem-deve- 
sair-candidato- nas-eleicoes- 915870713. asp



P.S. para não pensar que é "clubismo" carnavalesco, minha escola, a Portela, 
trouxe, de forma ridícula, os diretores de harmonia vestidos de policiais 
militares, numa mensagem de "paz".

Só se for a "pax romana". 


Se a paz nas favelas vai chegar através da violência policial, daqui a pouco no 
carnaval vamos ter um enredo com o seguinte tema "Pacato Cidadão, Apologia às 
Proibições"






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