2010/2/23 Artur de Bem <[email protected]>

Vi esse Laurindo mandando e-mail e me lembrei de uma entrevista da Cristina
> Buarque em que falam sobre o Laurindo, tão cantado em vários sambas.
> Parece que ele não existiu.
>

André, como diria José Maria Alkmin, não existiu para você, filho ingrato;
para mim ele existiu e continua sempre vivo no meu coração.

Laurindo foi um grande sambista, tocador de cuíca e mulherengo. Homem de
princípios, sempre lutou pela justiça social, desde os tempos do sindicato
da estiva. Membro do Partido Comunista Brasileiro, deu grande apoio ao
esforço de guerra e foi lutar na Itália com a FEB contra o nazi-fascismo. A
sua volta da guerra com a Cruz da Vitória é conhecida de todos. Recomeçou a
sua luta para transformar as condições de vida lá na Mangueira, ficando
conhecido como Camarada Laurindo. Sempre humilde, dizia que não era herói,
que heróis eram aqueles que tombaram por nós.

Em 1945 ajudou a eleger Luís Carlos Prestes senador e João Amazonas e
Claudino Silva deputados na Assembléia Constituinte. Depois de 1948, quando
o PCB foi posto de novo fora da lei, se perde um pouco a pista do Laurindo,
mas sabe-se que colaborou ativamente com Nora Ney e Jorge Goulart no seu
trabalho de alfabetização e conscientização de operários e trabalhadores de
obras. A referência mais recente a ele está num excelente artigo de Dirley
Fernandes intitulado "Eu, Marechal e Laurindo", onde ele relata o seu
encontro com Laurindo num bar da rua Sacadura Cabral, durante um carnaval.

O importante é o seguinte, André: enquanto continuarmos a cantar os sambas
que falam dele e a lutar pelos princípios que ele sempre defendeu, o
Laurindo vai continuar muito vivo. É por isso que cada vez que eu mando uma
mensagem em seu nome, eu rendo homenagem a ele.

Laurindo
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