12/08/2010
 
às 19:38 
 
NOTAS 
A TRIBUNA DO SAMBA
Um site pioneiro na divulgação

do samba e do choro
 
Por Fernando Szegeri*
 
 
Era 1996 e a Internet brasileira ainda engatinhava, quando o doutorando em 
informática pela PUC/RJ, Paulo Eduardo Neves, resolveu criar seu próprio sítio 
virtual, para testar suas habilidades como programador na rede incipiente. Como 
precisava de um assunto, e sendo frequentador assíduo do ambiente musical 
carioca, achou que seria propício um espaço para a divulgação e debate sobre as 
coisas do mundo do samba e do choro, dois gêneros musicais tão entranhados na 
alma brasileira, quanto então desprovidos de voz e vez no circuito dos grandes 
veículos de comunicação. Nascia assim a Agenda do Samba & Choro que viria a se 
consolidar como um dos pioneiros veículos especializados em música brasileira 
em meio virtual.
 
A história do sítio confunde-se com a da própria Internet no Brasil, sendo um 
dos mais antigos ainda no ar, precedendo, por exemplo, a grande maioria das 
edições eletrônicas dos principais jornais brasileiros. Naqueles idos, a 
simples referência à rede mundial de computadores despertava feições 
interrogativas e demandava explicações. Mas rapidamente o caráter democrático e 
multidirecional do meio, onde a produção da informação não mais demandava 
grandes imobilizações de capital, fez o ambiente virtual tornar-se praça 
privilegiada para a circulação de informações que assim deixavam de estar 
restritas aos círculos iniciados.
 
Foi inegável a importância da Agenda na revitalização do samba e do choro 
ocorrida a partir do final da década passada, cuja face mais evidente foi a 
proliferação das casas a eles dedicadas, inicialmente nas adjacências da Lapa 
carioca, depois por toda a cidade, e muito além. Furando “pelas beiradas” uma 
história de sistemático desprezo dos grandes veículos por essas manifestações, 
a publicação tornou-se, em pouco tempo, para músicos, compositores, 
jornalistas, produtores, empresários e todo o público que gravitava em torno do 
ambiente musical, sinônimo de notícia quente, informação confiável, público 
selecionado; conseqüentemente, referência obrigatória.
 
Aliada ao caráter propício do meio, a receita desse sucesso, reuniu 
ingredientes simples, mas não tão facilmente encontráveis na praça: 
transparência, independência, seriedade, conhecimento de causa, pluralismo, 
denodo, temperados por uma linguagem direta e informal. Como molho, uma 
incontida paixão pela cultura brasileira e pitadas de um certo atrevimento (a 
gosto). Dessa panela brotam, há 14 anos, desde dicas especialíssimas dos 
subterrâneos das rodas de samba e choro mais longínquas, até retumbantes 
espinafrações, das multinacionais do disco e suas estratégias anti-pirataria, a 
quem pegar um pandeiro na roda sem ser convidado.
 
Se hoje é visível o que a Internet representa enquanto histórica revolução nos 
meios de comunicação social, a comunidade virtual de amantes da música 
brasileira formada em redor da Agenda foi, sem dúvida, um dos primeiros 
indicativos de fantásticas possibilidades de espaços de construção coletiva de 
conhecimento, antes inimagináveis. Este que vos escreve, que, como tantos 
personagens do universo do samba e do choro, mais ou menos famosos, tanto deve 
pessoalmente a essa publicação, rende sincera homenagem à Agenda do Samba & 
Choro e a seu realizador, Paulo Eduardo Neves.

*Fernando Szegeri é cantor, produtor e mantém a revista virtual Só Dói Quando 
Eu Rio:

http://sodoiquandoeurio.blogspot.com
 
 
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/passarela/

 
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> Date: Thu, 12 Aug 2010 20:45:01 -0300
> Subject: [S-C] Artigo sobre a Tribuna
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> Um site pioneiro na divulgação
> do samba e do choro
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> Por Fernando Szegeri*
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