Hunf... Achei que a confusão mental de que "carnaval e samba são a mesma coisa" era coisa de florianopolitano. Mas to vendo que essa confusão é nacional.
E o Luiz Antônio Simas foi meio otimista demais: "...cada vez mais irreversível..." Já é irreversível! Não dou muita bola pra essas coisas que surgem. Sempre se deturpa tudo. Felicidades, um forte abraço e um grande beijo. Artur de Bem (48) 9969-0311 http://arturdebem.blogspot.com E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá..." (Sérgio Porto) Em 29 de agosto de 2010 11:55, Sonia Palhares Marinho < [email protected]> escreveu: > Na casa do samba 'O novo espetáculo consagra um aspecto marcante do > samba: a capacidade de falar de tudo' > 28 de agosto de 2010 | 0h 00 > > > Neil Lopes & Samba - O Estado de S.Paulo > > Visualizem os prezados leitores um luxuoso musical, num moderno e > prestigiado palco contemplando em seu repertório alguns dos mais belos > sambas dos antigos carnavais, como, por exemplo, A Fonte Secou, Me Deixa em > Paz, Tenha Pena de Mim, Tristeza, Se É Pecado Sambar, etc., interpretados > por um timaço de talentosos artistas, secundados por uma competente e bem > timbrada orquestra. > > Por outro lado, imaginem, agora, um desfile de escolas de samba igualmente > luxuoso em que se tematizem coisas como a Companhia Vale do Rio Doce, o > aquecimento global, o mosquito da dengue, a trajetória do grupo Mamonas > Assassinas, o petróleo do pré-sal, etc., etc., etc. > > Imaginaram? Visualizaram? Pois saibam que espetáculos não exatamente com os > mesmos conteúdos, mas dentro desses dois universos, estão sendo apresentados > ou idealizados no amplo universo onde correm sinuosos os diversos propósitos > e habilidades do samba, esse ser amplamente diversificado. > > O belo e emocionante musical chama-se É Com Esse Que Eu Vou (título de um > célebre samba de 1947) e está em cartaz num grande teatro da zona sul > carioca. > > Idealizado e escrito por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, além de > dirigido por Cláudio Botelho e Charles Moeller, dupla VIP dos palcos > brasileiros, ele veio na esteira do grande sucesso de Sassaricando, uma > espécie de antologia da marchinha carnavalesca. Mas se esse era o elogio da > picardia e do humor sarcástico dos antigos carnavais, o novo espetáculo > consagra um aspecto marcante do samba, que é a capacidade de falar de tudo, > inclusive de coisas tristes, mas com molho, balanço e suingue sempre > contagiantes. E foi nesse território que se consagraram autores como Wilson > Batista, Geraldo Pereira, Zé da Zilda, Monsueto e tantos outros. > > Quanto ao estranho desfile mencionado lá em cima, com todos aqueles temas > esquisitos, saibam os leitores que muita coisa ali já foi levada para a > referencial Avenida Sapucaí; e outros tantos estão ainda por vir, o que > motivou um contundente artigo, recentemente publicado na imprensa do Rio, no > qual o autor, Luiz Antonio Simas, professor de História, diz sobre a safra > de enredos para 2011, o seguinte: "A tendência, cada vez mais irreversível, > é pela realização em larga escala de enredos patrocinados ou de fácil apelo > popular, versando em grande parte sobre assuntos tão ligados ao universo das > escolas de samba quanto uma peregrinação ao Santo Sepulcro" (artigo O > besteirol na avenida, O Globo, 14/8/2010). > > Diante dessas duas realidades, somos forçados a voltar a uma questão já > levantada neste espaço: samba e escola de samba não são a mesma coisa, assim > como o gênero-mãe de nossa música popular não é apenas um tipo de música de > carnaval. > > Pois a atual modalidade conhecida como "escola de samba" nasceu do samba, > sim, inclusive como um tipo de movimento associativo que procurava legitimar > a participação negra no carnaval. Mas hoje é apenas uma forma de espetáculo, > muitas vezes grandiosa e surpreendente, contudo passível também dos > descaminhos apontados no artigo do professor Simas. > > Em meio a essa reflexão, chega-nos a notícia de que o Iphan, Instituto do > Patrimônio Histórico e Artístico Nacional vai instalar, num antigo palacete > do centro do Rio, a Casa do Samba, um centro cultural musical. > > A notícia é ótima, claro! Mas é preciso pensar no alcance do projeto. > > De nossa parte, e fazendo eco ao discurso da "circulação da cultura", > próprio da fala do atual governo, achamos que, preliminarmente, é preciso > que se saiba qual o samba que vai morar sob o teto do Iphan. Será o da > "avenida" ou o dos botecos? Será aquele que os programadores não sabem se > colocam no escaninho da MPB ou da bossa nova, só porque compostos por > músicos da elite econômica do País? Ou aquele que se reverencia só porque > foi feito antes de 1960? Será o dos fundos de quintal e dos antigos > terreiros? Ou será esse romântico pop, meio brega, que já seduz até > antropólogos famosos? > > Quem é do samba, sabe a casa que lhe convém. > > > NEI LOPES É CANTOR, COMPOSITOR E AUTOR DE LIVROS COMO PARTIDO ALTO - SAMBA > DE BAMBA (2005) > > Fonte: h > ttp://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100828/not_imp601540,0.php<http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100828/not_imp601540,0.php> > > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > >
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