Aproveite esta oportunidade para esclarecer sua filha e as duas amigas dela e tirar delas esta visão preconceituosa. O reduto do samba no Rio de Janeiro são os morros e as periferias, o programa não tinha que "maquiar" ou colocar dentadura em ninguém. Véio, eu tive a honra de fazer um "show-entrevista" com o Monarco no Teatro de Arena de Ribeirão Preto num evento da Secretaria da Cultura, tinha 2 mil pessoas no Teatro. Eu entrevistando o Monarco, que ia contando histórias e cantando, acompanhado por músicos daqui, foi gravado e exibido na TV daqui. Ninguém maquiou o Monarco ou sugeriu que ele fosse algo que não é, ele se apresentou exatamente como é, simples e humilde, no vestir, no falar, um homem do subúrbio carioca e não um grã fino da Zona Sul, nobre como poucos, muito nobre, porque é detentor de uma arte e voz de uma cultura ancestral, por isso eu disse aos meus sobrinhos adolescentes irem assistir, ouvir o que o Monarco tinha a dizer e acima de tudo, prestar-lhe reverência, pois tínhamos ali uma biblioteca viva. Não se vence o preconceito com subterfúgios ou com maquiagens.
abs.
Eduardo Martins

----- Original Message ----- From: Eugenio Raggi

Edu,
Acho o video bem feito e histórico.
Continuo levantando a bola de que este video apresentado ao mundo leigo só vai contribuir para ampliar falsas visõese estimular preconceitos. No sábado assisti a esse video algumas dezenas de vezes aqui em casa. Duas amigas de minha filha (na faixa dos 12 anos) acabaram pescando as imagens quando passavam pela varanda. O olhar delas era de repulsa, como se estivessem olhando para um zoológico ou algo parecido. A boca desdentada de Nelson sargento era motivo de risos escandalosos, receheados de preconceito estético e social também.
"Pegaram o povo da favela e levaram pra esse lugar", disse uma delas.
Não tive chances para o contraditório. saíram rá pido, de fininho quanto começava a argumentar. No mais, Edu, dizer isso de alguém que fez da música popular uma bandeira de lutas e transformou isso na própria profisssão, como eu fiz, é, no mínimo, deboche.

Abraços,

Eugenio



Em 13 de setembro de 2010 11:08, Eduardo S. Martins <[email protected]> escreveu:

Proponho AO POVO CIVILIZADO não te chamar de malandro e sim de rapaz folgado. O Eugênio parece o Orestes Barbosa reclamando do Wilson Batista e clamando pela "higienização poética do samba"....rsrsrsrsrsrsrsrs....
abs.
Edu Mar

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