Bem bacana a proposta para discussão.
Eu acho que podemos separar o joio do trigo para esta discussão. Primeiro, a
idéia de "resgate" como uma postura folclorista - "resgatar antes que
acabe", e aplicada ao samba ou à "cultura popular" em geral. É uma atitude
de querer manter as coisas paradas no tempo, de imobilizar e "museificar"
uma coisa essencialmente dinâmica, que é a cultura (popular ou não).
Outra coisa, e acho que a música vai mais nessa linha, é o "resgate" como
valorização e reconhecimento. E aí é bem legal que ele se refira aos
anônimos, aos esquecidos. Porque lembra que o samba é uma prática originária
das "classes subalternas" (na falta de termo melhor), e tem mesmo essa
característica de legar relativamente poucos registros, poucos documentos -
pouca memória que não a que se propaga "de boca em boca". O Geraldo Filme se
refere também a isso em sua "Silêncio no Bexiga"
Partiu, não tem placa de bronze, não fica pra história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu
E assim, o fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
Ele é mais um que foi sem dizer adeus
Acho que o que mais incomoda nessa história é a pretensão de "resgatar" quem
nunca precisou ser "resgatado", que nunca foi esquecido e nunca deixou de
ser louvado. Naquela coisa da "linha evolutiva da música popular
brasileira", Noel Rosa e tantos outros nunca deixaram de receber tributos,
mas volta e meia aparece alguém que é saudado por "resgatar" suas obras. Não
demorará muito a aparecer alguém "resgatando" Dorival Caymmi, e quem viver
verá o "resgate" de Chico Buarque, Paulinho da Viola... e do próprio PC
Pinheiro...

Em 20 de setembro de 2010 12:05, Alessandro Fernandes dos Santos <
[email protected]> escreveu:

>
> É Amigos,
>
>         Falamos e discutimos algumas vezes sobre o resgate ou não do samba.
>
>         Como contrariar dois dos maiores sambistas com relação a bambas
> esquecidos e seus sambas.
>
>         Joguei a bomba... e agora é com vocês.
>
>
> Um grande abraço.
>
> Alessandro
>
>
>
> *Resgate-(Mauro Duarte, Paulo César Pinheiro) *
> Revendo os mais belos sambas da nossa história
> Quantos compositores morreram sem glória
> Foram esquecidos em seu mundo de ilusões
> Muitos sempre exerceram outras profissões
> Mas o dom maior acho que foi o samba nos seus corações
> Alguns poetas não viram nada ser gravado
> Mas seus versos vão de boca em boca
> Porém com o tempo serão apagados Deles nada restará nem mesmo o seu passado
> (2x)
>
> Sinto que a hora é de resgatar
> Vamos dar valor a arte popular
> Que ela sempre foi quem fez a festa
> Mas jamais se manifesta
> Quando tem que desfrutar
>
> Salve os poetas, salve os bons compositores
> Que não puderam realizar sua vontade
> Salve os humildes, artesãos, trabalhadores
> Salve os que guardam consigo sua vã felicidade
> Salve o talento dos anônimos autores
> Que não puderam demonstrar sua vaidade
> Salve os artistas esquecidos, sonhadores
> Que escreveram pelas ruas a história da cidade
>
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