Pesquisadores colocarão toda a obra de Chiquinha Gonzaga em um site

        Irlam Rocha Lima 

        Publicação: 31/01/2011 07:53 Atualização: 31/01/2011 17:41   
Wandrei Braga é rigoroso. Para ele, da extensa obra de Chiquinha
Gonzaga, algo em torno de 2 mil composições, o grande público só
conhece quatro: a valsa Lua branca, a marcha rancho Abre alas, a polca
Atraente e o tango brasileiro Corta jaca, depois transformado em
choro. A preferida do pesquisador e pianista, porém, é a nada
notória Balada romântica, que faz parte do repertório da opereta A
corte na roça.
 A musicista e pianeira, considerada um dos pilares da identidade
musical brasileira, possibilitou a Wandrei, designer paulista
residente em Brasília há 11 anos, e a Alexandre Dias, professor de
piano brasiliense, serem selecionados no edital nacional 2010 do
programa Natura Musical, na categoria fomento à musica, entre mais de
800 inscritos. Eles concorreram com o Acervo Digital Chiquinha
Gonzaga, que vai disponibilizar em um site músicas e partituras pouco
conhecidas da primeira maestrina brasileira.
 "Diferentemente de sua história biográfica - apresentada em livro
escrito por Edinha Diniz e contada na minissérie escrita por Lauro
César Muniz e Marcílio Moraes -, mais de 95% da obra de Chiquinha
Gonzaga ainda se encontram desconhecidos e inacessíveis, deixando uma
lacuna misteriosa nesta parte da história sobre o nascimento da
identidade musical brasileira", afirma Wandrei.
 Fã de Chiquinha, o pesquisador buscou aprofundar seu conhecimento
sobre a artista em 1999, ao ter a atenção despertada pela exibição
da minissérie da TV Globo. "Até então, eu conhecia muito pouco
sobre Chiquinha. Imediatamente pensei em criar um site, no qual
pudesse, a partir de pesquisa, informar às pessoas sobre a
importância dela para a música brasileira", conta.
 Nessa tarefa, Wandrei teve o apoio de Alexandre Dias, a quem
conheceu num recital da pianista Maria Teresa Madeira, no Clube do
Choro de Brasília. "O site ChiquinhaGonzaga.com faz parte dessa
história. Há mais de 11 anos no ar, divulga informações sobre a
maestrina e coleciona admiradores e parceiros pelo Brasil e pelo
mundo", comemora.
 Inspiração
 A ideia do acervo tem menos tempo. Em 2009, a pianista pioneira
Neusa França, encantada com o repertório pouco conhecido da
compositora, organizou na Embaixada de Portugal um recital chamado
Saudades de Chiquinha Gonzaga, com a participação de 20 pianistas,
entre eles Wandrei e Alexandre. De certa forma, esse recital foi fonte
de inspiração para que os parceiros dessem início à
concretização de um sonho: a elaboração e a articulação de um
projeto para recuperar a obra de Chiquinha.
 Consequência dessa história, o Acervo Digital Chiquinha Gonzaga
foi aprovado pelo Natura Musical 2010, entre 860 projetos
apresentados. "Para essa conquista, tiveram importância fundamental a
parceria do Instituto Moreira Salles (mantenedor do acervo de
Chiquinha Gonzaga), a biógrafa Edinha Diniz, o portal Musica Brasilis
(realizador de projeto semelhante com a obra de Ernesto Nazareth) e a
Escola Portátil de Música (especializada no ensino de choro)",
ressalta Wandrei.
 Além de Wandrei Braga (coordenador, pesquisador, designer) e
Alexandre Dias (coordenador, pesquisador e revisor), fazem parte da
equipe responsável pelo projeto do acervo, a gerente Ana Carolina
Pereira (Integrar Produções Culturais e Eventos), a designer Cíntia
Coelho e o músico especialista em digitação musical Douglas
Passoni. O lançamento está previsto para outubro, com a
apresentação de recitais de piano em São Paulo, Rio de Janeiro e
Brasília e oficinas musicais na Escola Portátil, no Rio, dedicadas
à obra da homenageada, sob a coordenação dos músicos Maurício
Carrilho e Luciana Rabello, diretores da entidade.
 Três perguntas - Wandrei Braga
 A minissérie exibida na tevê foi fiel à história de Chiquinha
Gonzaga?
 O que os autores da minissérie fizeram não foi um documentário e
sim uma história romanceada. De qualquer forma, ela foi importante
para a popularização do legado da maestrina.
 Qual é a avaliação que você faz da biografia de Chiquinha,
escrita por Edinha Diniz?
 É um documento histórico valioso, pois além de contar a história
de Chiquinha, contextualiza, com riqueza de detalhes, a época em que
ela viveu.
 Há algo a destacar no projeto do acervo?
 Posso citar a história de um broche que Chiquinha aparece usando em
fotos. Esse broche, que ganhou de amigos, se perdeu, mas com Edinha
(Diniz), saí à procura do enfeite e o descobrimos. Ele havia sido
vendido pela filha da folclorista Marisa Lira, primeira biógrafa da
maestrina, ao Museu da República (antigo Palácio do Catete), no Rio
de Janeiro. 

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/01/31/interna_diversao_arte,235101/pesquisadores-colocarao-toda-a-obra-de-chiquinha-gonzaga-em-um-site.shtml
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