Finalmente começaram a descobrir a genialidade da música do WB.

Um abraço.
Caio Pontual




As músicas de Wilson Baptista (1913-1968) foram tão importantes para o samba 
brasileiro quanto as de seus contemporâneos, como Noel Rosa, Ari Barroso ou 
Herivelto Martins. Mas o sambista nunca recebeu a mesma atenção que os outros. 
Agora, pelas mãos do pesquisador Rodrigo Alzuguir, de 38 anos, o compositor 
teve sua obra resgatada por meio de uma peça teatral e do CD "O Samba Carioca 
de Wilson Baptista", no qual suas músicas são interpretadas por grandes 
cantores da música brasileira. Alguns, inclusive, tiveram contato com o próprio 
Baptista. "Elza Soares e Wilson das Neves foram alguns dos que conheceram o 
sambista", diz Alzuguir. 

A peça foi exibida no Rio de Janeiro e em breve será encenada em São Paulo. O 
disco já está nas lojas, lançado pelo selo Biscoito Fino. Nele, Elza Soares 
interpreta "Artigo Nacional" e Wilson das Neves, "Essa Mulher tem Qualquer 
Coisa na Cabeça". Marcos Sacramento, Céu, Zélia Duncan, Nina Becker, Mart'nália 
e Teresa Cristina são outros participantes do disco, que no total tem 20 
músicas. "A Zélia Duncan gravou o samba inédito Que Malandro Você é!. Eu 
encontrei somente a letra dessa música numa revista antiga da década de 60. 
Depois, num acervo de uma viúva de um parceiro de Wilson, achei as notas 
musicais. Essas notas se encaixavam perfeitamente na letra", revela o 
pesquisador. O álbum é acompanhado de um disco extra com a trilha sonora do 
espetáculo de teatro. 


Polêmicas - Para o pesquisador, há pelo menos dois motivos que fizeram com que 
a obra de Baptista caísse no esquecimento. O primeiro por culpa do próprio 
sambista. "Ele foi o pior inimigo dele mesmo. Nunca organizou sua obra e gastou 
todo o dinheiro com viagens e mulheres. Ele foi o oposto de Ataulfo Alves, por 
exemplo, que deixou sua obra toda catalogada", diz. Segundo, porque ele criou 
uma polêmica com Noel Rosa. "Na época, foi apenas uma brincadeira entre amigos. 
Anos mais tarde, um radialista fez um especial sobre Noel e resgatou a 
polêmica, só que de maneira aumentada. O que era uma brincadeira foi 
interpretado como algo sério". 


A história envolvia composições deles. "Lenço no Pescoço", de Wilson, falava 
dos malandros da época. Noel teria respondido com uma outra música acusando 
Wilson de ser folgado. "A partir daí, passaram a se atacar por meio de sambas", 
explica o pesquisador. "Na época, não teve a menor importância, mas foi no 
programa do radialista Almirante, nos anos 50, que a polêmica retornou, 20 anos 
depois". Segundo Alzuguir, o sambista também era acusado de não trabalhar. "É 
uma incoerência dizer que uma pessoa que dedicou a vida à música nunca 
trabalhou. Ele foi um dos que mais compôs nesse período, foram quase 700 
músicas. Mas na época, ser compositor não era um trabalho e sim um hobby." 


O pesquisador conta que decidiu pesquisar Batista porque sempre foi um 
apaixonado pela música brasileira do início do século 20. "A minha ideia era 
escrever uma biografia. Já tenho bastante material para isso. Mas o projeto 
musical acabou vindo antes", diz. As informações são do Jornal da Tarde. 
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