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Sent: Tuesday, December 12, 2000 1:22 PM
Subject: [Direito_Saude] Movimento contesta uso do crit�rio da morte cerebral (JB 12.12.2000)

JORNAL DO BRASIL
 
Ter�a-feira, 12 de Dezembro de 2000
 
 
Movimento contesta uso do crit�rio da morte cerebral
Condena��o de procedimento usado em transplantes tem apoio de 19 pa�ses
JOS� MITCHELL


PORTO ALEGRE - Uma declara��o internacional contra a ado��o da morte cerebral como justificativa para retirada de �rg�os vitais destinados a transplante, assinada por 117 cientistas, m�dicos, psiquiatras e advogados de 19 pa�ses, come�ou a ser divulgada ontem pela Internet, denunciando que ''pessoas condenadas � morte pela chamada morte encef�lica n�o est�o certamente mortas, mas ao contr�rio, est�o certamente vivas''.
 
 
O documento, que ser� divulgado esta semana pelos �rg�os de imprensa, dever� ter fortes reflexos inclusive no Brasil, um dos pa�ses que mais realizam transplantes no mundo, e reaviva a pol�mica sobre a morte cerebral.   Segundo um dos signat�rios da declara��o, o neurologista C�cero Galli Coimbra, da Escola Paulista de Medicina, os crit�rios adotados para determinar se h� morte cerebral n�o t�m base cient�fica.
 
 
Coimbra considera ''homicida'' o teste da apn�ia, que consiste na retirada dos aparelhos em pacientes mantidos vivos por meio de respira��o artificial.  Esse � um dos meios utilizados no Brasil para determinar se ocorreu ou n�o morte cerebral.
 
 
Intitulado Morte encef�lica - inimiga da vida e da verdade, o documento est� sendo divulgado por iniciativa da CURE, uma organiza��o cat�lica contra a eutan�sia mas que conta tamb�m com a participa��o de m�dicos e personalidades protestantes, budistas, entre outras religi�es, e mesmo sem religi�o.   A mobiliza��o dos cientistas se baseia, tamb�m, na mensagem que o papa Jo�o Paulo II enviou ao Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes, em agosto passado.
 
 
Jo�o Paulo II alertou para a exist�ncia de controv�rsias na comunidade cient�fica sobre a morte cerebral. Ressaltou que h� necessidade de comprova��o da ''completa e irrevers�vel cessa��o de toda a atividade cerebral, no c�rebro, cerebelo e tronco encef�lico'', para que se concretize a morte efetiva e se fa�a a retirada de �rg�os para transplante, de forma a que se cumpra a defesa da vida de forma eticamente aceit�vel.
 
 
Mandamento - Segundo cientistas, entretanto, a morte cerebral detectada pelos atuais crit�rios n�o � garantia de que isso efetivamente ocorra.   O documento, assinado entre outros pelo Presidente da Federa��o Mundial dos M�dicos que Respeitam a Vida, o holand�s Karel Gunning, e especialistas como os m�dicos ingleses David Evans e David Hill e o m�dico japon�s Yoshio Watanabe, afirma que a ades�o �s restri��es apontadas pelo papa e a proibi��o imposta por Deus na lei natural moral ''impedem os transplantes de �rg�os vitais �nicos como ato que causa a morte do doador e viola o quinto mandamento: n�o matar�s''.
 
 
M�dicos como o ex-presidente da  Associa��o M�dica Cat�lica dos Estados Unidos, Paul Byrne, dizem que os par�metros para constata��o da morte cerebral ''n�o s�o consenso'' na comunidade cient�fica.   Eles ressaltam que j� surgiram mais de 30 protocolos sobre a defini��o e testes relativos � morte cerebral, s� na primeira d�cada ap�s o primeiro transplante, em 1968, acrescentando que, desde ent�o, os transplantes cresceram ''de forma permissiva''.
 
 
O documento ressalta que nenhum daqueles protocolos preenche os requisitos estabelecidos pela mensagem do papa Jo�o Paulo II. Acrescenta ainda que nem as exig�ncias cient�ficas t�m sido rigorosamente aplicadas para comprova��o da morte cerebral, enquanto cresce o n�mero de cientistas que questionam o uso desse crit�rio como comprova��o do fim da vida.
 
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Observa��o:
 
Quem quiser participar, _sem gastos de esp�cie alguma_,  da pr�xima Interpela��o Judicial ( procedimento n�o litigioso )  ao CFM, Uni�o e Conselhos de Medicina, exigindo esclarecimentos sobre o procedimento diagn�stico para a declara��o de morte encef�lica no Brasil, atrav�s de 52  quesitos t�cnicos e material probat�rio produzido ap�s o ajuizamento da Interpela��o anterior de 26 de junho de 2000, fa�a contato comigo ( [EMAIL PROTECTED] ).   O primeiro procedimento ficou sem resposta  _ainda_  por parte do CFM, mas inaugurou dois procedimentos oficiais dentro do Minist�rio P�blico Federal do Rio Grande do Sul e outro dentro do Minist�rio P�blico Estadual de S�o Paulo.  Atualmente represento mais de 100 pessoas no Brasil  para essa finalidade.
 
Celso Galli Coimbra
 
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