Alguns comentários espalhados

Paulino Michelazzo wrote:
> Só que esta massa é muito importante pois ela representa não só
> uma fatia grande de consumidores, mas uma parcela inimaginável de formadores
> de opinião. Então, se temos eles do nosso lado, ganhamos o jogo.
> 

Formadores de opinião: pois é, tenho batido nesta tecla há anos. Eu
ainda aposto que a saída está nas Universidades. Veja o número de
universidades particulares com convênios com a Microsoft. É lá que é
feito o arrebanhamento de pessoas. Eu fiz um pós-doutorado no exterior
(Boston) e fiquei surpreso quando a Boston University recusou a proposta
da Microsoft de doação de várias licenças e máquinas se o Windows fosse
o sistema operacional oficial ;) Duvido que convertendo adolescentes e
micro-empresários viraremos o jogo. Tenho um ex-aluno que é gerente de
projetos em uma grande empresa nacional que usa Linux em todos os
serviços cruciais e Windows para acessá-los. Não contribui em nada para
a dominação. Se o empresário é formado usando Linux, vai colocar na
empresa e obrigar os funcionários a se adaptarem. Aí, talvez, os caras
usem Linux em casa...

Outro ponto: a Microsoft não tem interesse que inibam o uso pirata do
Windows em Universidades, já notaram ? Sérgio Amadeu tem uma excelente
analogia sobre este procedimento.

> Mas como fazer isso? Existem dezenas de métodos que podemos escolher, tais
> como:
> - Fazer a lição de casa e ajudar na decisão do usuário, sem forçar. Opa!,
> uma opção interessante. Mas... como seria isso?
> 

Para que ele decida, precisa conhecer, usar de modo intenso.


> Parte desta opção está sendo feita pelo Ubuntu. Desculpem-me os fãs e nerds
> do Debian mas este SO é de lascar. Comento sempre que Debian é para quem não
> tem namorada ou tem um tribufu tão feio que é melhor ficar na frente do
> micro do que dormir com ela. Outras distros então, nem se fala. Se comentar
> de Slackware e Gentoo aqui, é capaz de ser assassinado na primeira esquina.
> 

Ubuntu é "não consigo instalar o Debian"em swalli. Em tupi-guarani é
Kurumin. Instalar o Debian-BR-CDD é mamão com açúcar. Não nego que a
facilidade de detecção de hardware é importantíssima: tanto  que o
Debian só se popularizou depois do Knoppix.

Quanto ao fato de ter mulher feia, se ela puder te aguentar os três dias
que você precisa para configurar tudo, você terá um relacionamento tão
estável quanto o Sarge.

Tão ruim quanto o pessoal do Debian sair dizendo "F**k Ubuntu" é o
pessoal do Ubuntu achar que existiria sem o Debian (citando o Mark).


> Mas.... (sempre tem um não?), ele peca onde o Windows ganha por W.O.
> Documentação (calma! contenham-se). De nada adianta uma farta documentação
> como ele tem se é um porre lascado achar qualquer coisa. A diversividade é
> tão grande, mas tão grande que se torna inútil muitas vezes. Um exemplo
> simples disso é: meu notebook não sai 1280x1024 na saída externa nem por
> decreto e no Windows sai. Já virei, já perguntei, já fiz o diabo e ninguém é
> capaz de dizer: não funciona! Nem isso sabem dizer, ou seja, um excesso de
> informações resultando que uma simples resposta negativa é tão burocrática
> quanto uma pensão do INSS.
>

Como você resolveria isto se tivesse Windows ? Onde procuraria ? Que
dominação. Eu tenho um scanner de mão velho que não funciona mais nem no
Windows 98. A fabricante da minha placa de TV (Xtreme Highway) foi a
falência. Não roda no XP e f***-se. Não acho que seja por aí.

Onde o Windows dominou é onde o VHS venceu o Betamax, IBM PC bateu o
Apple e dizem que é a razão para o teclado Qwerty, o relógio gira no
sentido horário: em algum momento do passado tiveram a chance de
dominar. A partir daí, nem precisa ser o melhor para continuar dominando
e aumentar a dominação. Para reverter o quadro: ou colocamos algo de
extremamente novo ou começamos pelas beiradas, pegando o pessoal
formador de opinião.


> 1) Criar informação valiosa para o usuário. Qualidade nada tem a ver com
> quantidade

A informação já existe. Precisa, sim, de melhor apresentação e
centralização e popularização (por . Só que em épocas de Google, Blogs,
etc. é muito difícil centralizar. Eu quando procuro informações, acabo
quase sempre no Wiki do Gentoo, mas não é para leigos.

> 2) Apresentar a informação de forma atrativa, isto é, ter as opções que
> temos hoje mas acrescentar outras mais "modernas", mais simples e mais
> interativas
> 3) Deixarmos de olhar somente para nosso umbigo e entender que existe vida
> inteligente lá fora (não muita, mas tem).
> 

Um ponto importante que você não chamou atenção ainda é a extrema
dependência do Linux com a Internet banda-larga. O esquema de venda de
jogos por camelô funciona muito bem para a grande maioria da população.
Alguém já atualizou o OpenOffice por linha discada? Tenho certeza que
com a popularização da Internet, o caminho vai ficar mais fácil. Na UFF,
vários alunos me pedem os 14 CDs do Sarge porque não tem banda larga e
precisam instalar o gcc.

A pergunta principal eu deixo para o final. Por que queremos que o Linux
domine ? É só algo como torcida de time de futebol ? Eu realmente não
acho vantajoso trocar um monopólio por outro. Nem do Ubuntu e nem do
Linux. Nem do MacOS. Eu trabalho com a Teoria da Evolução e sei que a
diversidade é o importante.

[]s
-- 
Thadeu Penna
Prof.Adjunto IV - Instituto de Física
Universidade Federal Fluminense
Linux User #50500 (counter.li.org)
Debian GNU/Linux alpha-amd64-i386

-- 
ubuntu-br mailing list
[email protected]
www.ubuntu-br.org
https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

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