Tenho às vezes postado aqui algumas mensagens meio off-topic sobre discussões que ocorrem nos fóruns do curso de MBA que estou fazendo. Essas mensagens, creio eu, ajudam os membros da lista a ter uma dimensão do que pensa o público médio, não-iniciado a respeito do mercado de software. Mais especificamente, o tipo de público de que estamos falando é um público formador de opinião: são pessoas de classe média, com curso superior completo e que trabalham em cargos gerenciais no Banco do Brasil.
Acredito que estas mensagens sejam úteis, mas se os membros da comunidade não concordarem, posso deixar de postá-las. A de hoje é sobre uma colega que indagou à monitora da turma se não haveria um erro na apostila referente a estratégias de mercado. A apostila mencionava entre as estratégias adotadas pelas empresas para incentivar a compra, especialmente em momentos de crise, a adoção de "punições". A minha colega não entendeu e não acreditou: ~Vânia e/ou colegas, Na vídeo aula apresentada pelo Prof Marcos Antonio Machado, há um ponto que não entendi, se possível me esclareçam: Ele diz: - Empresas procuram incentivar consumo nos momentos de baixa demanda( incentivos e punições) ... O quê ele quis dizer com "Punições", como uma empresa pode incentivar um consumo com punições???!!! Aí eu aproveitei e dei esse exemplo: Simples: se você oferece um desconto para a substituição de um produto por sua versão mais nova, você está oferecendo um incentivo. Porém se você enfatizar que este incentivo é temporário e que o preço deverá subir bastante nos próximos meses, você está ameaçando o cliente. Pior ainda se você disser que não será mais possível obter o novo produto dentro de alguns meses se você não o comprar agora. Você duvida que isso aconteça? Então veja: Quando você adquire um produto da Microsoft você não o compra, apenas recebe o direito de usá-lo até que sua garantia expire (leia o contrato de licença e confirme). Quando a Microsoft lança uma versão nova do produto, ela oferece a oportunidade de upgrade por um preço equivalente a 1/3 ou menos do preço que ela projeta para o produto quando ele estiver "maduro" no mercado. Assim, os seus clientes são incentivados a migrar logo (o que geralmente envolve ter de comprar um computador novo, pois cada novo produto demanda muito mais potência de hardware). Os clientes que não migram imediatamente começam a ver o preço da migração subindo e sentem a pressão para migrar. Os que eventualmente permaneçam sem migrar até o fim da validade da licença que adquiriram perdem o direito de migrar com desconto e passam a ter que comprar o produto pelo preço cheio. Ora, considerando que a Microsoft possui dezenas de tipos de convênios de upgrade e de convênios com fabricantes, etc. praticamente ninguém compra pelo preço cheio. A única função desse preço cheio é servir como punição para quem não migra quando a Microsoft sinaliza ou adquire computadores de fornecedores que não sejam ligados à Microsoft. Mas ainda há outra punição: depois que o produto chega ao fim da licença a Microsoft não mais oferece suporte e, tecnicamente, passa a considerar o uso do produto por você como indevido (outra punição). A punição, é claro, só é possível em mercados cartelizados, oligopolizados ou monopolizados. E essa prática que acabei de descrever é mais uma evidência de que temos um monopólio no mercado de softwares. José Geraldo -- Interessado em aprender mais sobre o Ubuntu em português? http://wiki.ubuntu-br.org/ComeceAqui - ubuntu-br mailing list [email protected] https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

