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Linux no desktop: entenda por que esse casamento não vingou (
http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2009/02/01/linux-no-desktop-entenda-por-que-esse-casamento-nao-vingou
)
Por Pedro Marques, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 02 de fevereiro de 2009 às 07h00
Atualizada em 02 de fevereiro de 2009 às 09h12

São Paulo - Sistema de código aberto é usado em menos de 1% dos
computadores. Para analista, Linux 'dificilmente substituirá Windows".

[image: linux_desktop_88.jpg]De acordo com dados da Net Applications, o
Windows perdeu um pouco de sua
hegemonia<http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2008/12/02/uso-do-windows-tem-maior-queda-entre-internautas-em-dois-anos/>entre
os sistemas operacionais. O sistema da Microsoft fechou 2008 com
88,68% de participação entre os internautas - e a tendência é de queda. O
Mac OS X, por sua vez, foi o que mais ganhou em 2008. Sua participação
saltou de 7,46% no começo do ano passado para quase 10% em dezembro último.

Os números, no entanto, criaram uma dúvida: o que acontece com o Linux, que
não detém nem 1% de participação entre sistemas operacionais? Por que um
sistema operacional gratuito, estável e seguro não consegue conquistar mais
usuários? Segundo especialistas ouvidos pela reportagem do IDG Now!, são
vários os motivos que fazem o Linux ser rejeitado pelo usuário comum, desde
interfaces complicadas até problemas com violações de patentes. Somados,
esses fatores criam uma barreira à adoção do pinguim no computador do
usuário comum.

"As interfaces de Linux são ruins e mal acabadas", disse Érico Andrei,
diretor de tecnologia e parcerias da Simples Consultoria. "Elas têm um apelo
muito forte para profissionais de tecnologia, são superdivertidas, mas na
vida real o usuário médio não precisa de tantas opções", afirmou.

O fato de o Windows estar instalado em quase 90% dos computadores é outro
fator que pesa contra o sistema do pinguim. "Nós estamos tão acostumados com
o Windows que nem percebemos o quanto ele é completo e funcional para o
usuário comum", avaliou Stephen Kleynhans, analista das áreas de PC, laptop,
aparelhos portáteis e tecnologia de consumo do Gartner. Segundo ele, isso
faz com que os usuários se sintam "confortáveis" diante do sistema da
Microsoft.

Esse sentimento de 'conforto' não se repete com o Linux. "As pessoas estão
acostumadas com a interface do Windows. Quando elas abrem o Linux e os itens
de menu não estão no mesmo lugar, elas querem voltar ao Windows", afirmou
Andrei, da Simples Consultoria.

E esse é só o primeiro dos problemas para o usuário final. "Fora isso, há
também o problema de compatibilidade", disse Kleynhans, do Gartner. "Com os
outros sistemas, a maioria dos aparelhos são reconhecidos facilmente pelo
computador. Mas, com o Linux, você mesmo tem que procurar pela solução."

Andrei explica que, o fato de a Microsoft ser líder de mercado, faz com que
todas as empresas criem drivers para que seus equipamentos funcionem
corretamente com o sistema da empresa de Redmond. "Depois é que as empresas
vão fazer o driver para o Linux. Além disso, é bem provável que um usuário
faça o driver, poupando a fabricante (de gastar com o desenvolvimento)",
disse Andrei.

A mesma lógica da compatibilidade se traduz em um menor número de programas
para quem quer usar o pinguim no desktop. "As pessoas não ligam o computador
para rodar um sistema operacional", argumenta Kleynhans, do Gartner. "Elas
ligam para rodar aplicativos , ouvir músicas e jogar. E alguns programas não
estão disponíveis para todos os sistemas operacionais. É por isso que é
muito difícil para o Linux substituir o Windows (no desktop), se é que ele
conseguirá fazer isso."

*Patentes
*Claro, as pessoas que desenvolvem e trabalham com Linux estão bastante
cientes dos problemas que o sistema tem para ser adotado no computador de
uma pessoa "comum". "A imagem do Linux é de uma coisa não tão fácil de usar
e instalar", reconhece Fábio Filho, gerente de negócios da Canonical -
empresa que distribui o Ubuntu - para a América Latina.

Na opinião do executivo, porém, o sistema de código aberto já superou esses
entraves. "Quando apareceu a alternativa open source, ela não era tão
amigável. Mas hoje isso mudou muito." Ele explica, por exemplo, que a
empresa na qual trabalha tem feito diversas parcerias com fabricantes de
computadores para distribuir versões do Ubuntu que sejam fáceis de usar para
a maioria das pessoas. "A facilidade de uso é parte da filosofia do Ubuntu."


Mas, por maior que seja a iniciativa de simplificar o Linux, existem outros
empecilhos que continuam atrapalhando o sistema - a legislação de patentes,
por exemplo. A legislação impede, entre outras coisas, que alguns formatos
de mídia, como o popular mp3, para música digital, sejam incluídos
automaticamente no sistema.

Igor Pires Soares, embaixador do Projeto Fedora no Brasil, explicou que as
empresas precisariam pagar uma taxa para oferecer alguns formatos de mídia.
"O que acontece é que não dá para fornecer o sistema com suporte ao mp3.
Alguém teria que pagar por esses royalties", disse Soares. E isso vai contra
a filosofia do software livre, que pode ser distribuído e modificado à
vontade.  "No caso do Windows ou do OS X, o valor do sistema operacional
está embutido no valor do sistema."

Além disso, não é algo simples e que possa ser resolvido com linhas de
programação. "Não é um problema de desenvolvimento, os programadores correm
o risco de serem processados", disse o representante do projeto Fedora no
País. "Na prática, essa questão das patentes freia a inovação e cria um
problema quase insolúvel. É preciso mudar a lei", defendeu Soares.

*Futuro promissor?*
Mesmo com todos esses problemas, que dificultam enormemente a adoção do
Linux no desktop, os analistas ouvidos pela reportagem acreditam que o
sistema operacional de código aberto tem um longo e próspero futuro. Não
necessariamente nos computadores desktop, mas em outros serviços e
aparelhos.

Um exemplo clássico de que isso é possível é o uso do sistema em servidores
- onde ele é bem mais aceito do que nos computadores convencionais. "No caso
básico do servidor, as pessoas que usam o Linux têm mais conhecimento de
tecnologia. E a falta de uma interface gráfica não teve um impacto cultural
grande", disse Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM
Brasil.

Além de servidores, Taurion "vê o Linux aparecendo com certo sucesso em um
mundo que os aparelhos podem usar outros sistemas operacionais". O executivo
destaca que a natureza aberta do sistema faz com que ele possa ser adaptado
a qualquer produto. "O grande negócio de ele ser desenvolvido de forma
colaborativa é que as pessoas trabalhando no software processam a inovação
de uma forma muito acelerada. Só preciso mexer em um componente para
adaptá-lo a meu uso."

Além disso, a computação em nuvem (apontada como a grande promessa
tecnológica de 2009) promete criar mais chances para o sistema do pinguim.
"Se você olhar o mundo como era há alguns anos e o que ele vai se tornar,
(você verá que) estamos dependendo menos do desktop", diz Taurion. Erico
Andrei, da Simples Consultoria, concorda: "Na prática, vamos usar cada vez
mais aplicações da web. Ou seja, a dependência do sistema operacional
diminui os dados ficam cada vez mais atrelados ao fornecedor de serviços
web."

Nessas condições, é possível até esperar que o domínio do Windows nos
computadores pessoais perca força nos próximos anos. "Imagino que esse
monopólio tenda a enfraquecer bastante", disse o executivo da IBM. "O
cenário que propiciou isso não existe mais e é natural que esse domínio
perca espaço. O que é bom, porque a competitividade aumenta."
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Lucas Pereira Caixeta
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Cel.: +55 61 8527-1148
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