Em Seg, 2009-02-23 às 12:01 -0300, Roberto Cunha escreveu: > Tai, não usa S.O. proprietario mas nao joga no pc, não usa catia, ug, > autocad, microstation e etc... como ficar livre do s.o. quando depende > de tantas ferramentas proprietarias, e não me venham com essa de que > tem compativel, os clientes da empresa não querem saber de > compatibilidade eles querem precisão milesimal nas peças e estruturas.
Eu nunca joguei. Para mim o PC é uma ferramenta de trabalho. Sobre os programas que você mencionou, o único de que já ouvi falar é o AutoCad, mas eu não sou engenheiro nem arquiteto ou coisa parecida, então não preciso dele. Eu me referi ao segredo de ser um usuário doméstico de computador totalmente livre de software proprietário. O segredo é simples. Em primeiro lugar, não criar dependência em relação a software proprietário. Se você nunca usou, não sentirá falta. Eu jamais toquei o MS Office em toda a minha vida, então não vejo nenhuma funcionalidade "faltando" no OpenOffice. Se você já tem essa dependência, tente se desintoxicar reaprendendo. Em segundo lugar, conceder ao software livre o mesmo tipo de chances que você dá ao software proprietário. A maioria das pessoas acha normal ter que ficar atualizando continuamente anti-vírus e viver sob o medo de perder tudo por causa de alguma contaminação, mas acha intolerável ter que usar o apt para atualizar o sistema. A maioria das pessoas acha normal a Microsoft corrigir um bug, mas aponta como fraqueza quando um bug é descoberto no Linux. Em terceiro lugar, estabelecer prioridades reais no uso do computador, baseadas naquilo que você precisa. Se você quer um computador para jogos, talvez o Linux não seja a melhor opção (embora existam jogos para Linux que "dão pro gasto" se você não é exigente). Mas se você quer o computador para navegar na internet e digitar seus textos, o Linux é até mais do que você precisa. A questão é que a maioria das pessoas não sabe o que quer, ou querem que o computador seja uma ferramenta universal. Esquecem-se de que "quem faz de tudo, faz de tudo mal". Em quarto lugar, escolher serviços que sejam amigáveis com software livre. Por exemplo, meu banco é perfeitamente compatível com software livre. Eu não abrirei uma conta em um banco que exija windows para depois ficar reclamando. Em quinto lugar, escolha produtos que sejam amigáveis. Antes de comprar QUALQUER hardware eu checo sua compatibilidade em sits como o linuxcompatible.org e outros. A maioria das pessoas quer comprar qualquer produto, de qualquer marca e que ele funcione bem. É importante também ter disposição para aprender. Eu sei que a maioria dos seres humanos teria sua felicidade completa se pudessem continuar no colo da mãe, mamando no peito. Mas infelizmente precisamos aprender a comer, andar, falar, etc. Algumas pessoas se cansam cedo e tentam evitar ao máximo ter de aprender coisas novas. Quem não quer aprender SEMPRE ACHARÁ UMA DESCULPA. Quem quer acha meios, quem não quer acha desculpas. Desculpas são baratas: em cada esquina você acha uma que te serve por um preço que você pode pagar. Pode parecer incrível, mas o maior obstáculo não são as "outras pessoas" que rejeitam o que você cria em seu computador. O maior obstáculo é você querer ser exatamente como as outras pessoas. Eu nunca tive problemas para compartilhar arquivos porque cedo eu aprendi a formatar documentos de forma fácil de converter e sempre compartilhei em HTML ou RTF. Se você trabalha com Windows, então é um caso claro onde você não tem como abandonar -- lembre-se que quem paga o seu salário escolhe o que você usa. Na empresa em que trabalho se usava OS/2 até há pouco, agora se usa Linux, mas se usassem "Plan 9 from Bell Labs" ninguém poderia reclamar porque é o software da empresa. Se você é autônomo, então o cliente tem razão. Você não tem como bater de frente com ele. Mas em alguns casos isto não é necessário. Em DTP por exemplo, o Scribus já atingiu uma maturidade notável e o seu cliente não tem nada o que fazer com um arquivo pm6 ou cdr, portanto se você lhe der PDF ele não tem do que reclamar. O problema é que existe uma tendência das pessoas a usarem o que estão acostumadas, mesmo que não precisem. Quando eu comprei meu novo PC o vendedor me propôs, por módicos R$ 100,00 a mais instalar no meu PC Windows, Office, Corel Draw e Photoshop. Eu lhe perguntei para que eu precisaria de todos esses softwares e ele disse: "ah, as pessoas pedem". Na maioria dos casos as pessoas nunca usarão o Photoshop para nada que não pudesse ser feito no Paint, mas ainda ficam compartilhando arquivos de imagem em formato .psp. Em resumo, o meu segredo é: eu sou um usuário normal de computador, não sou um profissional que necessite de um software específico. Para usuários normais, a necessidade de certos softwares (como o MS Office) é uma dependência sem sentido. -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

