Em 26 de outubro de 2010 09:20, João Santana <[email protected]>escreveu:
> Bom dia, Paulo. > > Simples e fácil são duas coisas diferentes, e que nem sempre estão > relacionadas. É simples exigir de quem possa dar suporte qualificação > para isso: basta solicitar credenciais válidas de certificação. A > facilidade de encontrar tal profissional é que pode ser mais complicada, > dependendo de como *esse* profissional se anuncia para o mercado. > > Embora pudesse pudesse ficar apenas na retórica da semântica, continuo dizendo que você está vendo a coisa pelos olhos de um profissional de TI que procura por um profissional no "mercado". Eu vejo a coisa pelos olhos de quem quer fazer e não consegue. Usuários domésticos não têm essa visão de "solicitar credenciais". Eles querem mais pelo menor preço, e estão corretos segundo a a sua perspectiva das coisas.. > > O Linux está assentado na máxima Do it yourself. Quando eu voltei a usar > o Linux não sabia patavinas sobre configurar ou consertar o Ubuntu, > vivia formatando minha máquina quando começava a perder performance ao > invés de verificar quais serviços estão sobrecarregando meus 1GB de RAM, > mas quando precisei instalar meu modem Conexant procurei ajuda nessa > lista, e fiz por mim mesmo. Hoje, eu ainda não sei nada, mas formato > cada vez menos minha máquina e tenho mais controle sobre o que é > carregado na RAM. > > Quem vem do Windows vem com o paradigma do primo/sobrinho/irmão que é > fera em informática e instala tudo o que se quiser por cincorreal. Essa > mentalidade precisa ser extirpada de quem passa a usar o Linux; ele > precisa ter instigada a vontade de configurar/consertar o sistema por si > só. Mas se a pessoa passa a usar Linux esperando receber tudo de > bandeja, vem pro lado de cá para quebrar a cara. > Acontece que essa visão é uma das coisas que atrapalha pessoas como meu pai, meus vizinhos e amigos a usarem o Linux. Essa coisa de achar que eles tem a obrigação de se virar sozinhos. Não têm. Eles querem achar alguém que faça. E qual o problema de depender do filho, sobrinho, irmão fera? Eu acho isso ótimo!!! Se tivéssemos no Linux tantos micreiros quanto tem o Windows, seria o máximo!!! Agora, achar que um advogado, um médico, um biólogo, um engenheiro civil *deve* "ter sua mente instigada a buscar suas soluções", na minha opinião esse é o tipo de mentalidade que precisa ser extirpada. Porque isso coloca sobre as pessoas responsabilidades que elas não querem, e não vão, assumir. É querer fazer com que todos sejam nivelados, padronizados, coisa que as pessoas não são. Cada ser humano é diferente e o que sobra pra uns, falta pra outros. Querer que todos encontrem suas soluções sozinhos no Linux é uma ilusão. O que falta são pessoas que possam suprir essa demanda, qua não é pequena. Assim gera-se emprego, renda, desenvolvimento sustentável e um ecossistema sadio para a disseminação do Linux. > > Paulo, muitas pessoas são introduzidas ao Ubuntu por meio de alguém que > já o usa. Como costuma-se usar a metáfora da "conversão", como se Linux > fosse uma fé, quem "converte" teria responsabilidade em ensinar a > "exercer a fé", não concorda? > Pode ser. Mas muitas pessoas também tentam o Ubuntu por conta própria, por curiosidade, ou por necessidade. Dessas, muitas se ferram por falta de apoio. Não estou especulando. Estou dizendo o que a minha experiência tem mostrado nos últimos 10 anos. > > Quem baixa diretamente, tem no site informações sobre como buscar ajuda > e suporte. Nesta lista, por exemplo, pedindo com carinho você encontra > gente disposta a ajuda in loco. > Isso pode ser suficiente pra você, para mim, e para muitos. Não para a maioria. Anteontem estava assistindo ao filme "Piratas do Vale do Silício", que conta a história da Apple e da Microsoft do início, na década de 70, até o início da década de 90. Duas falas que me chamaram a atenção foram: Bill Gates: "É preciso fazer com que as pessoas pensem que precisam do seu produto. Se você as convence disso, você as captura." Steve Jobbs: "É interessante como as pessoas querem ser guiadas. Ainda que elas neguem totalmente esse fato." Desses dois pensamentos eu tiro a seguinte lição: As pessoas precisam de tutores naquilo que não são auto-suficientes. Se elas buscam o Linux (e isso é um fato, também) e não encontram quem as ajude, continuarão capturadas. Porque pensam que precisam da tecnologia de computadores. Na verdade o que elas precisam é da informação, não da tecnologia, em si, que leva a informação a elas. A tecnologia pode ser qualquer uma, desde que a informação chegue. > > Já sido discutido não me parece ser empecilho para o assunto voltar à > baila. E parabéns pela iniciativa; são coisas assim que faltam na > comunidade livre como um todo. > Não. Não é. Mas consultar a discussão anterior para ver o que foi concluído talvez seja uma boa ideia ;) Obrigado pelo incentivo. Abraço. -- Paulo de Souza Lima Técnico em Eletrônica e Administrador http://www.pasl.net.br http://almalivre.wordpress.com Curitiba - PR Linux User #432358 Ubuntu User #28729 -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

